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Indicação: Ultra-Violence – “Operation Misdirection” (2018)

Candlelight Records

Eis aqui mais um dos representantes da então nova safra do Thrash Metal pertencente à famosíssima cidade de Turim, Itália, terra da boa massa. Sim, trata-se de mais uma banda de potencial elevado, formada em 2009 e que nos convida a bailar com seu mais recente trabalho.

   

Posso dizer para quem ainda não tomou conhecimento do que vem rolando dentro do certame metálico nos últimos anos que os caras não estão para brincadeiras como muitos desavisados por aí podem achar. Muito pelo contrário! Bandas como Angelus Apatrida, Woslom, Running Death, Phrenetix, Chronosphere, os compatriotas do Cruentator e o próprio Ultra-Violence estão honrando a bagaça, descendo a lenha com músicas muito bem construídas e o peso sempre inserido de forma exemplar.

Obviamente existem muito mais nomes “classe A” no Metal atual ao redor do planeta, mas penso que os por mim mencionados possam oferecer uma bela noção do que vem ocorrendo nos últimos tempos.

Ultra-Violence/Divulgação

Em 2016, eles enfrentaram aquela turbulência que todo cabra que tocou em alguma banda seja famosa ou de garagem já passou, que são as mudanças de formação. Demorou meses para montar um novo time após as saídas do baixista Roberto “Robba” Dimasi (não, não é o Robert Garcia da KOF, hein!) e do baterista Simone Verre. O lineup atual é composto por Loris Castiglia (vocal e guitarra), Andrea Vacchiotti (guitarra), Andrea Lorenti (baixo), e Francesco “Frullo” La Rosa (bateria).

Com dois álbuns na bagagem sendo eles: “Privilege To Overcome” (2013) – tido por muitos como o melhor até então, e “Deflect The Flow” (2015) – dando continuidade ao alto nível. “Operation Misdirection” é o terceiro registro dos thrashers italianos na qual mantém a base de suas composições e inspirações reforçadas com o tempero à base de muita violência, ódio e rebelião. Temas estes ligados à grande inspiração da banda no filme de Stanley Kubrick, “A Clockwork Orange” (1971), no Brasil “Laranja Mecânica”, adaptação do cinema para o livro de Anthony Burgess (1962). Só de ver a capa nota-se tudo isso e mais um pouco. Claro, não é obrigatório gostar do filme e da banda ao mesmo tempo, pois o que mais importa é a obra musical em si, porém, é uma temática interessante e muito bem explorada pela banda.

O disco possui em sua primeira parte três faixas de alto calibre, ou seja, “Cadaver Decomposition Island” – essa com uma pegada que remete a bandas do porte de Overkill e Testament, sem contar os pequenos flertes com o Death Metal e as passagens melódicas. “Welcome To The Freakshow” – que alterna entre cadência e viradas insanas demonstrando total controle do volante e tração nas seis cordas. E, “My Fragmented Self” – com variações rítmicas entre peso, velocidade e melodia na medida certa sem derramar o leite fervido no fogão. Não são faixas iguais, porém, a qualidade demonstrada em cada uma delas é muito semelhante aos álbuns anteriores com a terceira faixa sendo ainda mais ousada. Destaque para a linha de baixo de Lorenti, muito bem encaixada como uma cesta de três pontos.

Indo em direção à próxima tijolada, “The Acrobat” não acerta tão em cheio o alvo. Não que a qualidade vá embora, mas é bem difícil se manter intacto sem descer alguns degraus, em determinado momento você dá aquela derrapada linda e toma aquele tombaço cômico que não chega a te machucar, mas que os seus amigos ficam rindo da sua cara eternamente. Na verdade, é uma faixa muito bem trabalhada e que se parece bastante com outras composições da própria banda. Mais uma vez o baixo contribui de forma eficiente e se destaca.

“Nomophobia” inicia com uma breve introdução e logo já declara guerra contra os ouvidos de porcelana de plantão. Posso tratar como a parte alta do disco, pois o arranha-céu sonoro está aqui. A faixa mais Thrash do álbum!  Castiglia e Vacchiotti incendeiam vilarejos com riffs atrás de riffs e mudanças bruscas de andamento. A bateria de Frullo funciona como uma metranca poderosa com mira automática e arregaça com tudo que está pela frente. Aqui podemos dizer que a guerra foi declarada, lutada e vencida com louvor.

Como costumam falar por aí, “acontece nas melhores famílias”. Estou querendo dizer que após uma música tão sensacional (a melhor do álbum), vem um cover que a meu ver não ficou exatamente um primor de homenagem. Isso fez com que o disco recuasse alguns pontos. Não que eu seja contra covers, pois gosto quando uma banda homenageia seus ídolos ao tocar um grande sucesso em seu estilo próprio. É, mas o que acontece aqui é o mesmo quando um trem muda de trilho sem prévio aviso. Começa de forma muito mais acelerada que a original dando a entender claramente que se trata de uma versão, só que somente velocidade não garante o placar a seu favor – observemos o início do texto em que exalto as variações e o peso na medida certa das músicas. “Money For Nothing” do Dire Straits ficou parecendo uma zoeira no meio do disco, até porque, se era pra ficar séria acabou não soando muito legal como tal.

Ultra-Violence vinyl album/Divulgação

Outra introdução breve e “The Stain On My Soul Remains” invade os alto falantes de forma sussurrada seguida em sequência por uma abertura de bateria crescente nos preparando para o que estaria por vir. Depois da derrapada e um quase capote feio na curva com o cover ultra acelerado e sem freio, era preciso respirar um pouco para voltar ao combate e finalizar a bolacha com a faixa de rodapé do disco, a raivosa “Shining Perpetuity”. As variações perpetuam e mostram novamente como o Ultra-Violence é capaz de estremecer as estruturas de lares ortodoxos sem deixar pedra sobre pedra.

   

Apesar do estranho cover do Dire Straits, concluo que foi apenas um buraco na pista e a “caranga” musical continuou seu percurso até o final, contribuindo de forma ultra positiva com mais um torpedo sonoro. Nesse momento a banda pode comemorar por possuir uma trinca de ases de respeito, mantendo sua proposta fiel relacionada ao Thrash mais límpido, diversificado, técnico e com peso trabalhado de forma excepcional. Aproveito para mencionar que nunca é tarde para analisar ao colocar um cover e se esse som combinará com o restante do conteúdo, o que não foi o caso. Talvez se essa música figurasse por último finalizando o disco não ficasse tão estranha e meio fora de contexto.

A parte boa é que podemos dizer que o álbum em si mantem a chama acesa com os vocais de Castiglia segurando a onda de forma tranquila e eficaz, e que o novo lineup é tão poderoso quanto o anterior e fundador. Ultra longa vida ao Ultra-Violence!

8,3

Integrantes:

  • Loris Castiglia (vocal, guitarra)
  • Andrea Vacchiotti (guitarra)
  • Andrea Lorenti (baixo)
  • Francesco “Frullo” La Rosa (bateria)

Faixas:

1. Cadaver Decomposition Island
2. Welcome To The Freak Show
3. My Fragmented Self
4. The Acrobat
5. Nomophobia
6. Money For Nothing (Dire Straits cover)
7. The Stain On My Soul Remais
8. Shinning Perpetuity

Redigido por Stephan Giuliano

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