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Indicação: Syryn  – “Beyond The Depths” (2020)

Syryn que sim? Brincadeiras à parte, estes canadenses lançaram o seu debut três anos após sua formação. Olhando para o “planisfério” seguimos até Calgary/Alberta, lugar no qual surgiu o Syryn, banda que acaba de dar o pontapé inicial em busca de reconhecimento perante o mundo da boa música. “Beyond The Depths” foi lançado dia 3 de janeiro de forma independente. Gravado e projetado por Jesse Kopala no Incite Audio, e masterizado por Jamie King. A arte da capa, que ficou a cargo de Rachata Yamsuwan & Sloan Voxx, trouxe uma excelente combinação de cores entre os tons de verde, roxo e azul, mostrando a imagem da embarcação perante a exuberante, gigante e poderosa sereia. Para este que vos digita essa junção assumida entre o Power e o Thrash Metal é algo bastante raro para que dê certo, pois não vejo muitas bandas seguirem por este caminho e as que o fazem, acabam não soando Power/Thrash, mas sim um Thrash mais melódico e menos pesado ou um Power mais alternante na bateria e com riffs um pouco mais quebrados e cortantes. Aqui acontece um caso legítimo em que a própria banda assume os ponteiros perante a união dessas duas vertentes. Pelo Power ser mais destacável, a nomenclatura casa bem com a proposta oferecida no álbum. As linhas de guitarra de Byron Gorieu e Paulo Rage são extremamente consistentes, competentes e que erguem cada canção para o topo, tornando a audição em uma viagem especial, dando vontade de pagar a passagem de novo e pegar o mesmo vôo. A bateria de Bryan Campbell, apoiada pelo baixo de Lyxx Rose, mantém o alicerce em perfeitas condições para o andamento das engrenagens. A voz de Sloan Voxxkills traz o brilho essencial para completar este grande trabalho que analisaremos mais detalhadamente a seguir.

   
Syryn/Divulgação

O mar se abre, dando início à jornada do Syryn sob a batuta de “Song Of The Syrynite”. Na mitologia grega, as sereias eram criaturas perigosas, que atraíam marinheiros próximos com sua música e vozes encantadoras para naufragar na costa rochosa de sua ilha. O enredo é preenchido por estes contos e histórias sobre as sereias que acompanham a embarcação até o final do disco. Nessa introdução interpretada pela filha de Sloan, podemos ouvir o balanço do mar. Interpretação esta que abre caminho para os marinheiros do Syryn iniciarem sua jornada em “Neverending Nightmare” na qual os vocais de Sloan Voxxkills se apresentam potentes a ponto de elevarem a canção até o topo da mais alta onda que o navio possa enfrentar. As mudanças rítmicas e melodiosas completam o bracelete cravejado de diamantes e grandes riffs, os quais exaltam a aliança entre as vertentes abordadas no início do pergaminho, que conta sobre o pesadelo sem fim desse encontro com as criaturas dos mares gregos. “Seu navio no horizonte / Trará você para mim / Guiado por traiçoeira / Melodia”. Acompanhando o trajeto do navio temos outra pequena passagem chamada “Inebriated Outcasts”, que apresenta uma dobradiça, rangendo supostamente pelo balanço das ondas e piratas, pegando umas garrafas de rum para brindarem com suas pernas de pau, se divertindo, brigando e quebrando tudo pouco antes de serem atraídos pelo canto da Sereia. “Wee hoo hoo!”

“Three Sheets To The Wind” mantém firme a dianteira, esbravejando vontade de cortar os sete mares. Mas, calma! Não estamos diante de um Running Wild. São apenas algumas características singelas nos moldes dos riffs dos quais soam muito divertido! “Você cambaleia para a taberna / E você procura uma cerveja / Você dá uma olhada ao redor / Mas você vê que o navio está vazio.” – dentro do navio dois bêbados entornando o caldo por verem que estão sozinhos. O feitiço da sereia não funciona inicialmente, mas essa bebedeira acaba indo longe demais… “Panic Room” é o quinto mandamento da perdição contida neste interlúdio em que mostra os piratas capturados trancados, assustados e confusos, implorando por ajuda. Em seguida temos os riffs pesados e distorcidos de “Unbreakable” aparecendo em larga escala. “Eu sou insaciável / Você não vai me domar (Você não pode me quebrar) / Eu sou inquebrável / Você não vai me quebrar (Você não pode me quebrar)” – ao tentarem explorar qualquer humanidade dela, os viajantes se deparam com a resistência da criatura.

Syryn/Divulgação

“Bound In Torment” é mais uma breve intro que despeja tensão e o tormento dos marinheiros que estão presos na masmorra da sereia. Na sequência surgem os dedilhados acompanhados da incrível voz de Voxxkills. Não é à toa que a Sloan possui tal apelido. “Paradise For Demise” traz as ideias de peso e melodia de forma bastante assertiva. Os viajantes tentam de todas as formas, inclusive utilizando de jogos mentais para se desvencilharem da sereia que os mantêm presos em sua masmorra, sentindo-os quase derrotados e sem esperança. “Abaixo… dentro da minha câmara, sua vida está em equilíbrio / O incontável será a sua história, enquanto você assiste ao mundo inteiro virar / Seja ousado… tente não lutar, aceite o destino que você recebeu / Você foi enganado, querido, agora observe seu futuro se desenrolar”.

A nona canção atende por “Prelude To Fatality” e entrega aos adeptos cenas auditivas da sereia carregando os piratas para o seu destino. “Dead Men Tell No Tales” carrega consigo uma boa dose de solos e mudanças de andamentos peculiares à proposta descrita. Gorieu e Rage dominam o certame apoiados pelas linhas precisas de Lyxx. “Incline a cabeça para baixo / Para a força que eu sou / Você não é mais nada / Do que um homem falível” – após a redenção final um golpe rápido de uma lâmina é desferido, os mares ficam vermelhos e eles são privados da existência. “Adrift” é outra e também a última passagem curta do disco que mostra o fim de tudo e novamente deixando a Sereia sozinha em meio aos soldados mortos por ela trilhados por um dedilhado melancólico.  Os trabalhos são finalizados com a faixa “Through It All” que entrega um Power/Heavy com muito sentimento e um solo que carrega a chama acesa de uma grande obra, sobre a qual procurei descrever diversos detalhes. Essa música ilustra como a sereia está se sentindo depois que todo o caos que causou. Ela está cheia de emoção, remorso e arrependimento por se lembrar desse sentimento novamente. Embora isso não seja fácil, ela espera quebrar a corrente. Ela alcança profundamente para recuperar sua coragem e força. Infelizmente, é quem ela é. É o seu propósito e a razão de ser. Ela sabe que isso acontecerá novamente, impulsionada pelo instinto primitivo, sabe que deve aceitar seu fardo e perseverar a cada vez, se recompõe e inicia sua jornada novamente. Tal canção encerra o disco de forma brilhante, carregando consigo um ar de que poderá vir coisas ótimas logo adiante.

O equilíbrio entre duas magníficas mulheres (Voxxkills e Lyxx) e dois cabras endiabrados (Gorieu e Rage) foi evidenciado com clareza do início ao fim do álbum, ficando aqui o meu pedido para que possam lançar seu segundo full length em breve e que possam desfrutar deste debut com muitos shows e que também em breve possam aparecer pelos lados de cá no Brasil. Feliz estreia e longa vida ao Syryn! E terminando de responder a pergunta inicial, digo que sim, o Syryn é notavelmente BÃO!

Syryn/Promocional

Nota: 9,3

Integrantes:

  • Sloan “Voxxkills” Voxx (vocal)
  • Byron Gorieu (guitarra)
  • Paulo Rage (guitarra)
  • Alyxus “Lyxx” Rose (baixo)
  • Bryan Campbell (bateria)

Faixas:

  • 1. Song Of The Syrynite (Ft. Legacy-Dee)
  • 2. Neverending Nightmare
  • 3. Inebriated Outcasts
  • 4. Three Sheets To The Wind
  • 5. Panic Room
  • 6. Unbreakable
  • 7. Bound In Torment
  • 8. Paradise For Demise
  • 9. Prelude To Fatality
  • 10. Dead Men Tell No Tales
  • 11. Adrift
  • 12. Through It All

Redigido por Stephan Giuliano

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