Resenha (Indicação Prog): Paralydium – “Worlds Beyond” (2020)

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Formado em 2015 em Estocolmo, o quinteto sueco PARALYDIUM é mais um grupo na lista de bandas que levantam a bandeira do Progressive Metal. Atualmente contando com Mikael Sehlin (vocal), John Berg (guitarra), Johnathan Olsson (baixo), Mikael Blanc (teclado) e Georg Härnsten Egg (bateria), deram os primeiros passos em 2015 com “Paralydium”, EP homônimo lançado em setembro de 2015, contendo três excelentes faixas. Vale lembrar que nesta época eles estreavam como um sexteto, já que a vocalista Linnéa Vikström (At The Movies, QFT), integrava o line up.

Também em seu início, o então sexteto atendia por THE PARALYDIUM PROJECT, porém a mudança de nome aconteceria logo depois, quando resolveram adotar apenas como PARALYDIUM. Apesar de ainda desconhecidos por grande parte dos Progers, a banda conta com músicos renomados na cena sueca. Caso de Johnathan Olsson e Georg Egg, respectivamente baixista e baterista, parceiros também no Dynazty e QFT, bem como o vocalista Mikael Sehlin, responsável pelos vocais principais no Degradead, banda sueca de Melodic Death/Thrash Metal.

Quatro anos após o já citado EP de estreia, o agora quinteto lançou em 2020 o ótimo “Worlds Beyond”, álbum completo de estreia contendo nove faixas, divididas em pouco mais de 45 minutos. Trazendo uma sonoridade que nos remete a nomes como Symphony X, Threshold, Pagan’s Mind, Darkwater, Evegrey, Lance King, Vanishing Point, DGM, Lost In Thought, Pain of Salvation (fase inicial), Avalon (da Alemanha), Conception, entre outras. O disco é uma excelente pedida aos fãs dos grupos supracitados, bem como aos amantes de Prog Metal feito na medida certa por uma banda que soa perfeitamente bela em suas harmonias e tem em seu vocalista a voz perfeita, a qual o estilo exige.

Sem delongas, é hora de embarcar nas melodias progressivas de “Worlds Beyond” e descobrir que o grupo é mais uma grata promessa para o estilo. Vamos nessa?

A abertura fica por conta da instrumental “Enter Paralydium”, uma curta introdução que como todas, prepara o terreno para “Within The Sphere”, excelente faixa que mergulha na sonoridade de nomes como Symphony X e Seventh Wonder. Inclusive o timbre de voz de Sehlin (Mikael) nos remete aos excelentes Russell Allen e Tommy Karevik. Como de costume, direi: “Excelente faixa de abertura”.

Se tem algo que me nocauteia é a sonoridade de teclados, e não vou mentir ao dizer que “Synergy” simplesmente me conquistou de imediato e me fez acionar a tecla “Repeat”. Traçando um parâmetro entre Threshold, Vanishing Point, Pagan’s Mind e Vanden Plas (atual), somos convidados a embarcar em uma viagem cuja duração ultrapassa os sete minutos, e o que poderia ser algo maçante, simplesmente, passa despercebido. Traduzindo: Estamos falando de uma daquelas canções cuja construção é tão perfeita que em seu final fica difícil acreditar que acabamos de ouvir uma faixa relativamente longa.

Não bastasse os vocais excepcionais e os teclados magistrais conduzidos com maestria por Blanc (Mikael), ainda desfrutamos de uma levada “flamenca”, muito bem executada por acordes de violões, coroando uma música tecnicamente perfeita. Sabe a já mencionada tecla “Repeat” do seu aparelho de som? Use-a sem moderação. Por consequências da Covid 19, a banda lanço um videoclipe intitulado “Quarantine Sessions”, numa performance bacana onde claramente os músicos de divertem com o que fazem.

Se a intenção era abrir o disco com uma trinca matadora e perfeita, então “Finding The Paragon” cumpre seu papel com louvor. Meu amigo, que música espetacular é essa? Numa linha musical que vai de Artension, passando por Lost In Thought, DGM, Threshold e Ring Of Fire, somos conduzidos por melodias Prog/Power de altíssimo nível, onde mais uma vez os teclados dão as cartas, casando muito bem com os vocais, que nos traz referências e influências de John West (Artension, ex-Royal Hunt), Andrew McDermott (Threshold), Tommy Karevik (Seventh Wonder, Kamelot), Silvio Massaro (Vanishing Point) e Tom S. Englund (Evergrey). Sim! Temos mais um grandioso momento presente em “Worlds Beyond”. Não por acaso, “Finding The Paragon” foi contemplada com um excelente videoclipe.

Vou me repetir e mais uma vez elogiar os trabalhos geniais de Blanc e suas linhas espetaculares de teclados. Basta ouvir “Crystal To Infinity”, mais uma belíssima faixa em mais um grande momento do músico que manda nos primeiros acordes linhas geniais de teclados, aqui fazendo as vezes de piano. Em pouco mais de quatro minutos, um passeio por variações rítmicas, andamentos quebrados e sutis doses de virtuoses, embora elas apareçam timidamente sem elevar a duração da faixa. Destaque para as linhas de vozes, lembrando Mark Basile (DGM) e para os “coros”, aqui executando também o papel de backing vocals.

Em seu segundo momento instrumental, “Awakening” é uma daquelas faixas curtas e dona de uma construção musical monstruosa. Estamos falando de uma música onde a banda resolveu unir orquestrações, violões acústicos e coro de vozes, traçando um paralelo entre o Prog e o Symphonic Power Metal. Lamentável que a banda não tenha feito desta uma faixa com maior duração. Particularmente curto faixas instrumentais, desde que tenham belas melodias e ao final não soem cansativas.

Em mais um grandioso momento, “The Source” é uma excelente pedida aos fãs de grupos como Time Requiem e Even Flow. Apesar de sua atmosfera e harmonias calcadas no Prog Rock/Neo Prog, temos talvez a música mais “soft” do álbum, já que seu instrumental traz linhas voltadas ao já citado Prog Rock. Não seria exagero dizer que os vocais fazem contrapontos entre Marco Pastorino (Everflow), Lars Säfsund (Work Of Art, Enbound) e Michele Luppi (ex, Vision Divine, Secret Sphere, Killing Touch).

Em sua reta final, “Into Divinity” é a bola da vez e também aposta nas harmonias do Prog Rock, já que suas linhas instrumentais flertam com o Soft Rock, explorando um pouco mais as guitarras e teclados que abdicam do “peso”, formando uma dupla perfeita, numa síntese também perfeita que oferece ao ouvinte um resultado espetacular. Direi que temos aqui mais uma excelente composição, figurando na lista de lista de melhores do disco. Destaque para Jonathan Olsson (teclados), um monstro (musicalmente falando) em seu instrumento. E já que enalteci os trabalhos magistrais dos teclados, são exatamente eles que comandam “Seeker Of The Light”, faixa de encerramento que apresenta em seu início acordes que nos remetem ao que fazem os americanos do Symphony X na excelente “Accolade II”, presente no álbum “Odyssey”(2002). Traçando uma linha entre o Hard e o Prog, somos envolvidos pela sonoridade vibrante de uma canção que nos remete a grupos como Magnitude 9, Temperance, Virtual Symmetry, Even Flow, Symphony X, etc.

Em seus quase sete minutos e meio, deparamo-nos com belíssimas linhas de piano, vocais melodiosos (e afinados), orquestrações muito bem encaixadas, violões sobressalentes, andamentos prog e uma canção muito bem construída, tornando-a o ponto alto do CD. Apesar de todas as faixas merecerem atenção especial, é fato que nutri um carinho especial por “Seek Of The Light”, uma das mais belas canções do disco. A melhor música em todo o CD (Opinião pessoal).

Fazendo um restrospecto sobre o disco: Bandas como Paralydium tendem “copiar” outras do gênero e isso sinceramente não é demérito, já que estamos falando de Progressive Metal, estilo onde a grande maioria dos grupos usam a mesma fórmula e por vezes até as mesmas linhas de vozes. Dito isso, não estranhe se em alguns momentos de sua audição algumas bandas invadirem seus pensamentos, já que a sonoridade do suecos nos possibilita pensar e comparar.

O mesmo acontece com as linhas vocais de Mikael que trançam parâmetros numa lista extensa de grandes vozes do Progressive Metal, onde Russel Allen, Andy Kuntz, Damian Wilson, Tom. S. Englund, são alguns dos vários exemplos.

Seguindo a lista de influências e prováveis referências, temos as linhas de teclados executadas com maestria, trazendo à mente nomes como Richard Anderson (Majestic, Space Odyssey), Miro (Vanden Plas), Ronny Tegner (Pagan’s Mind), Ricahrd West (Threshold), Gerben Klazinga (Knigh Area),Emanuele Casali (DGM), André Andersen (Royal Hunt), Don Airey (Deep Purple), dentre outros.

Ainda na lista de influências e/ou referências musicais,nomes como Michael Romeo e Mike LePond, certamente, não seriam citados em vão. O Prog ainda surpreende ao revelar nomes e albums de absoluta relevância, no caso específico do Paralydium, fica claro que se continuarem nesta pegada e permanecerem com a mesma sonoridade mostrada em “Worlds Beyond”, então é certo que o sucesso os recepcionará muito mais cedo do que imaginam.

Os resultados positivos deste disco me fazem acreditar que não tenhamos que esperar um longo período por um novo trabalho. Que venha o quanto antes.

Banda e disco altamente recomendados.

PS: Resenha dedicada especialmente a nobre “sister”: Deny Hexenchuss

Integrantes:

  • Mikael Sehlin (vocal)
  • John Berg (guitarra)
  • Jonathan Olsson (baixo)
  • Mikael Blanc (teclado)
  • Georg Egg (bateria)

Faixas:

  1. Enter Paralydium
  2. Within The Sphere
  3. Synergy
  4. Finding The Paragon
  5. Crystal Of Infinity
  6. Awakening
  7. The Source
  8. Into Divinity
  9. Seeker Of The Light

Redigido por: Geovani “MegaGigio” Vieira

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Comentários

  1. Estava esperando essa resenha maravilhosa entrar pra eu poder estreiar finalmente esse espaço para comentários!

    Primeiro quero parabenizar o pessoal do Mundo Metal pela competência e disposição de sempre estarem antenados nos fornenencendo os melhores conteúdos, o Fábio por estar dando o sangue pra botar esse novo site no ar (esse layout está belíssimo! Tá super “zóio de véia friendly”! Ótimo pra ler!) e por último mas não menos importante, o mais Magya de todos, Gigio, que é o mestre das resenhas e conteúdos de me tirar suspiros! Obrigada pela menção!

    Desejo muito sucesso a todos!
    Um bêzu da tia Deny! 🤣

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