Indicação: Petra – “Unseen Power” (1991)

Esta é uma indicação dos Programas Rock On e Hard Attack.
Algumas bandas alcançam o estrelato após lançarem um ou dois discos relevantes, chamando a atenção do púlbico, crítica, gravadora, despontando nas paradas “disso” e “daquilo”, ganhando prêmios, vendendo milhares de cópias e algumas delas, lotando arenas com sua musica. Porém, é preciso dizer que no mundo da música há sim o lance do “Dois pesos, Duas medidas” e nem sempre estas considerações acima citadas, são de fato levadas a cabo. Isso fica evidente quando um determinado grupo resolve investir em um estilo que não está listado nas “normas” convencionais do que a grande massa ouve e/ou conhece. A verdade que há uma grande parcela de ouvintes que apenas ouve música, enquanto outros se aventuram (musicalmente falando) permitindo ouvir novos estilos, novas bandas, sem se importar se estas estão enquadradas nas regras do mainstream.
Um estilo que sempre nadou contra a maré foi o chamado Rock Cristão e suas bandas (excelentes, diga-se) que não têm o devido valor, pois suas letras de cunho religioso parecem fazer mal a algumas pessoas. Numa lista de grupos que lançaram discos que não devem absolutamente nada às bandas convencionais, posso citar nomes como: Guardian, Bride, White Heart, Whitecross, Ressurection Band, Bloodgood, Barren Cross, Holy Soldier, X-Sinner, Joshua, Stryper, Petra e inúmeros outros. Embora dessa lista, apontemos o Stryper como uma banda que quebrou barreiras e conseguiu atingir outro público, o que particularmente chamo de “milagre”.

No início do anos 90 quando o Grunge poluía o cenário com sua bandas e músicas que na grande maioria eram horrendos e nocivos aos ouvidos de quem realmente AMA música, alguns desses grupos do chamado Metal/Rock Cristão, lançaram discos espetaculares. Ouso dizer que muitas dessas bandas, gravaram discos que dariam uma surra naquela sua banda do coração, que lançou discos mequetrefes, porém, você é covarde demais para admitir isso (ou totalmente surdo).
Numa extensa lista de bandas e de discos extraordinários, estão os americanos do PETRA e seu “Unseen Power”, décimo terceiro trabalho de inéditas, lançado em novembro de 1991. Produzido pela dupla Dino & John Elefante, o disco apresenta 10 faixas de um Hard Rock de excelente qualidade, distribuídas em apenas 41 minutos. Então vamos ao que interessa e falar desta maravilha e se você tem aversão a algo que não esteja no “Menu” do Mais do Mesmo, melhor parar a leitura por aqui.
Trazendo em seu line up John Schilitt (vocais), Bob Hartman (guitarras), John Lawry (teclados), Ronny Cates (baixo) e Louie Weaver (bateria), o disco abre com a excepcional “Destiny” e seus riffs iniciais, trazendo uma dose extra de peso e linhas de contra baixo absurdamente bem feitas. Numa levada Hard ‘N’ Heavy, temos uma música animada, super pra cima, com um refrão repetitivo, backing vocals excelentes e um solo genial. Ou seja, começamos com o pé direito.

“Who’s On The Lord’s Side” e suas doses excessivas (porém belíssimas) de teclados é a próxima e meu amigo, que música “Fud”…….ops, digo, que música linda. Neste momento, um parêntese precisa ser aberto: O clipe dessa música é simplesmente fantástico pois mostra a banda dentro de uma igreja com um coral gospel e seus membros, entoando os backing vocals. No decorrer do clipe, cenas onde eles(as) decoram os vocais e ao final, temos um show de vozes em um dos momentos mais épicos do disco. Em se tratando de backing vocals, temos aqui o melhor momento da banda em uma composição daquelas onde as audições se repetem inúmeras vezes. Numa palavra: Genial.
E já que falamos dos riffs de Destiny, então falemos dos riffs cortantes de Ready, Willing and Able que chega chutando tímpanos, numa das músicas mais lindas e com um certo apelo heavy em sua composição. Hora de preparar aquele microfone imaginário e começar a cantar o refrão (sim, pode desafinar que Deus irá perdoar). Destaques para a bateria monstra de Louie Weaver e os teclados de John Lawry. Hora de dar uma acalmada, enxugar o suor, deixar o pescoço descansar sob as melodias de Hand On My Heart, baladinha que traz os vocais de John Schillit, flertando com a Soul Music/Black Music e um “quê” de R & B (Rhythm and Blues). Mais um momento genial do espetacular, Unseen Power.

Chegamos a metade do disco e em alto nível I Need To Hear From You, chega com sua levada ora calma, ora acelerada, fazendo aqueles contrapontos numa música que podemos classificar como Power Ballad e a banda mergulhando em seu momento AOR. Destaque mais uma vez para as linhas (maravilhosas) de teclados.
Sabe aquele dia em que você acorda feliz da vida, estufa o peito e diz: “Hoje, ninguém vai atrapalhar meu dia, pois acordei super feliz”. Esta é exatamente a sensação a ouvir “Dance”, a faixa mais alegre e mais festeira do disco. Trazendo uma pegada Hard monstruosa, temos aqui aquela música que é tão perfeita ao ponto de fazer seus avós que já passaram dos 80 anos, bater cabeça. Digo sem medo de errar que após ouvi-la, a tecla “Repeat” será ativada e seu refrão será esgoelado (..Dance with the one who brung ya, Dance with the one you know who got you there, Dance with the one who brung ya, Don’t change hats, you know it’s the one you wear..).
Em clima menos festeiro mas com uma melodia grudenta e absurdamente bela, Secret Weapon, chega, chegando em mais um momento espetacular. Cadenciada e levada mais Heavy Metal, a faixa nos remete aos momentos mais pesados de nomes como Stryper, Bride e Guardian. Hora de “Hit do Verão” onde a bola da vez é Sight Unseen: Se até aqui, faltava uma música perfeita para o disco, então não falta mais! Num sincronismo musical perfeito entre guitarras, teclados, baixo, bateria, vocais e backing vocals, estamos diante uma das músicas mais animais do disco e do grupo (em minha humilde opinião). Trazendo uma construção monstra em sua melodia, a música é mais uma daquelas onde enchemos o pulmão e cantamos o refrão em alto e bom som.

Hora de tirar o pé do acelerador e mandar algo mais brando e mais suave. “Hey World” é aquela música que poderia rolar em qualquer programação voltada ao Rock/Hard. Com linhas de teclados sutis, vocais excepcionais, backing vocals muito bem encaixados, solo de guitarra espetacular e mais uma daquelas pegadas “Power Ballad” aliada ao refrão que gruda de imediato. Fechando o disco com chave de ouro, In the Likeness of You, mais uma baladinha que traz uma levada semi-acústica em seu início, indo pro Hard num determinado momento e encerrando com os mesmos acordes iniciais. A sincronia entre a voz de Schilitt e os teclados de Lawry, aqui soando em tons de piano, faz dessa faixa o momento mais intimista do disco, fechando de forma excepcional um trabalho idem , dono de uma tracklist que dispensa comentários.
A qualidade musical de Unseen Power, garantiu ao Petra, a 1a posição do Top Contemporary Christian, contemplou a banda com o segundo Grammy Award na categoria Best Rock Gospel Album. A banda teve quatro videoclipes, que se transformaram em hits absolutos, figurando nas programações voltadas ao estilo cristão, alavancando assim as vendagens do disco. Foram eles: Who’s On The Lord Side, Dance, Sight Unseen e I Need To Hear From You.
Aqui no Brasil, era comum assistir seus clipes no extinto “Clip Gospel”, exibidos nas madrugadas de sexta feira na extinta Rede Manchete. Enfim, disco magistral de uma banda que está na estrada desde 1972 e que tornou-se referência para vários grupos cristão. Porém, aos amantes de Hard Rock que não se rendem a rótulos, o PETRA é tão somente uma banda excepcional, com uma discografia absurdamente linda e obrigatória.

Nota do autor: Sobre não gostar de uma banda, pelo simples fato dela expressar através de suas letras, sua fé e sua crença: É natural que cada um tenha um gosto e isso deve ser respeitado. No entanto, ouvir alguns bradarem que não curte banda “X”, por saber que ela (a banda) é cristã, é surreal. A pergunta que fica é a seguinte: É normal dizer que não gosta de uma comida, quando você sequer experimentou?
Honestamente? acho incoerente menosprezar um grupo pelo simples fato de pregar a visão pessoal de seus integrantes, que como qualquer ser humano tem o direito de acreditar e seguir a religião que quiser. Não gostar (após ouvir) é aceitável, porém, julgar o livro pela capa é algo que simplesmente não dá pra entender.
PS: Hipoteticamente falando, parece que é natural endeusar bandas que retratam em suas letras, as peripécias sexuais entre “Medusa” e o “Capiroto”, mas é anormal ouvir que alguém viu Jesus, em cima de um pé de goiaba.
Integrantes:
John Schlitt (vocal)
Bob Hartman (guitarra)
John Lawry (teclado)
Ronny Cates (baixo)
Louie Weaver (Bateria)
Faixas:
01-Destiny
02-Who’s On The Lord’s Side
03-Ready, Willing and Able
04-Hand On My Heart
05-I Need To Heart From You
06-Dance
07-Secret Weapon
08-Sight Unseen
09-Hey Lord
10-In The Likeness Of You
Redigido por Geovani Vieira
