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Resenha: Night Demon – “Live Darkness” (2018)

“Live Darkness” é o primeiro live album da banda americana de Heavy Metal, Night Demon.

   

Até pouco tempo atrás, pensava eu que a máquina do tempo fosse tão somente ficção científica.

Embora a ciência esteja colocando os seus esforços para que tal recurso se torne palpável, descobri que ela já existe de alguma forma.

Certo dia desses, navegando pela internet, li a seguinte declaração de Rob Halford:

“A música que toca você em sua juventude, toca mais ainda quando você envelhece. Cada registro pode ser uma máquina do tempo virtual. Basta que você ouça um ou dois segundos para que você retorne ao dia e ao local nos quais você ouviu aquela canção pela primeira vez. A sensação é incrível quando uma música toca você profundamente e permanece ali através dos tempos”.

Mensagem do Metal God

Eu entendi e até me emocionei com essa mensagem do Metal God, porém eu não sabia o quão profundo isso poderia ser.

Até que no início do ano de 2017, fui apresentado ao atual movimento musical chamado NWOTHM (New Wave Of Traditional Heavy Metal).

São bandas que revivem ao seu modo, o Heavy Metal do final das década de 70 até a metade da década de 80. Conheci várias bandas dessa escola e uma delas foi o Night Demon.

NIGHT DEMON / Divulgação / Facebook

História

Conheci primeiramente o full lenght, “Darkness Remains”, de 2017, depois debut, “Curse Of The Damned”, de 2015, e por último, o primeiro registro da banda, o EP “Night Demon”, de 2012.

Dois ou três meses depois é que entendi, de uma forma um pouco diferenciada e muito mais profunda, aquela mensagem do Halford.

Em cada audição, eu voltava a um maravilhoso momento da minha vida. Me lembrei de quando eu e meus amigos andávamos com nossos vinis embaixo do braço a caminho das casas uns dos outros, para ouvir tais preciosidades; me lembrei de quando desejávamos mais de um vinil ao mesmo tempo e como a grana era curta, cada um de nós comprava um e trocávamos, temporariamente, para que pudéssemos gravar em fitas cassetes e dessa forma, tínhamos todos aqueles álbuns para curtir; me lembrei da alegria com que cada um vinha mostrar para os outros, quando descobria alguma banda sensacional a qual ainda não conhecíamos; me lembrei até da primeira sensação que tive quando escutei o solo de “Highway Star”, apresentado pelo meu tio. Foram só lembranças boas da minha juventude, de tudo que me fez ser um pouco do que sou hoje. Muitas das bandas que conheci nessa época são minhas favoritas até o presente, mas claro, conheci muito mais coisas com o passar do tempo e hoje em dia, a internet me apresenta bandas novas todos os dias, algumas fazem a minha cabeça e outras não. Com o Night Demon, porém, a sensação foi diferenciada. Parece uma banda que era pra fazer parte dessa época que me lembrei da minha juventude, mas por alguma razão do destino, eles “atrasaram” e só apareceram agora. Cheguei a me imaginar com o vinil do “Curse Of The Damned” embaixo do braço, indo mostrar aos meus amigos esse petardo do Heavy Metal dos Estados Unidos da América.

ROB HALFORD / Reprodução / Facebook

“Live Darkness”

Os álbuns ao vivo eram um referencial para bandas grandes nos anos 70 e 80.

As bandas que mais gostávamos faziam álbuns ao vivo surpreendentes.

   

Eis que vejo anunciado na página do Night Demon o “Live Darkness”.

Aguardei ansiosamente até o dia do lançamento e quando o ouvi pela primeira vez, senti mais ainda que o Night Demon é uma banda atemporal, pois o ciclo das grandes bandas dos anos 70 e 80 que eu conheci e ainda amo até hoje, se completou.

Um álbum ao vivo para encerrar um grande período e talvez iniciar outro.

NIGHT DEMON / Photo By: Sara Martin

“Welcome To The Night”

O álbum abre com o rolo compressor “Welcome To The Night”, que foi single em formato de vídeo clipe do “Darkness Remains”.

A definição exata de música perfeita, pois, essa canção possui todos os elementos que um fã de Heavy tradicional como eu espera, uma introdução sombria, variações rítmicas, riffs matadores e um solo destruidor.

“Full Speed Ahead”

“Full Speed Ahead” segue essa mesma tônica, tocada por uma banda que transborda paixão extrema pelo que faz no palco.

“Ritual” & “Curse Of The Damned”

“Ritual”, do primeiro EP homônimo “Night Demon”, rouba a cena e mantém a aceleração.

“Curse Of The Damned”, música título do primeiro full-lenght, mostra que é candidata a clássico absoluto do Heavy Metal atual, pois é uma canção magnífica.

“Dawn Rider”

“Dawn Rider” tem um início que faz lembrar “Flight Of The Icarus” do Iron Maiden, porém é só o começo, depois ela adquire a personalidade Night Demon e assim permanece.

“Save Me Now” e “Hallowed Ground”

“Save Me Now” faz parte da face mais Hard Rock do Night Demon. “Hallowed Ground” é a canção mais pesada já gravada pela banda, ela chega a flertar com o Thrash Metal, o baterista Dusty Squires mostra toda a sua qualidade técnica e criatividade.

“Maiden Hell”, “Mastermind”, “On Your Own” & “Life On The Run”

   

“Maiden Hell” lembra o som característico dos primeiros anos do NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal), para ser mais específico, de 1979 a 1981.

“Mastermind” é um Heavy Hard característico, cheios de riffs, bends e mudanças de andamento.

O Hard Rock se faz presente novamente com a canção “On Your Own” e por mais que o som do Night Demon não tenha absolutamente nada a ver com Kiss, o jeito de cantar de Jarvis Leatherby lembra Paul Stanley em muitos momentos, assim como também Phil Mogg, do U.F.O.

“Life On The Run”, canção do “Darkness Remains”, encerra o disco 1 do “Live In Darkness”.

JARVIS LEATHERBY / Reprodução / Facebook

“The Hownling Man”

“The Hownling Man” abre o disco 2. Essa música demonstra uma das principais e notáveis influências do Night Demon.

A canção se parece demais com U.F.O, como eu já havia mencionado no parágrafo anterior, o vocalista Jarvis Leatherby se assemelha muitas vezes com o jeito Phil Mogg de cantar, mas nessa canção essa semelhança é mais acentuada, além disso, o guitarrista Armand John Anthony faz lembrar os mágicos momentos de Michael Schenker no U.F.O em seus solos.

“Black Widow”, “Ancient Evil” & “Satan”

Tudo isso, sem perder a personalidade. “The Hownling Man” é a minha música favorita das que a banda gravou até hoje, embora não haja uma única canção que eu goste mais ou menos, pois, na minha singela opinião, não há uma única que seja fraca.

“Black Widow” nos remete novamente aos anos 80 e Anthony dá um verdadeiro shows em seu solo de guitarra. “Ancient Evil” traz a tona o primeiro EP, um grande riff para uma grande música e de refrão que cola fácil na mente.

“Satan” é outro bom momento do Live Darkness, o ocultismo é uma das temáticas favoritas da banda e igualmente faz parte do meu gosto pessoal.

“Evil Like A Knife”

“Evil Like A Knife” é cover da banda de Black/Speed Metal Midnight e conta com a participação de Athenar nos vocais.

“Stranger In The Room”

“Stranger In The Room” tem riffs a la Tony Iommi e é realmente semelhante a bons momentos do Black Sabbath.

   

“Screams In The Night”

A canção dá uma atmosfera diferente ao Night Demon, pois, inegavelmente, a plateia fica eufórica quando Jarvis anuncia “Screams In The Night”, música que foi um single em forma de vídeo clipe do “Curse Of The Damned”.

NIGHT DEMON / THE CHALICE

“Flight Of Manticore”

Ao propósito, vou repetir agora o que eu já disse em outras resenhas, temas instrumentais agregam valor em qualquer estilo de Metal, “Flight Of Manticore” é um desses mágicos momentos.

“The Chalice”

“The Chalice” é especial em todos os shows do Night Demon, assisti pelo Youtube a apresentação deles no festival alemão Rock Hard, pois, nessa canção o mascote demônio da banda adentra ao palco segurando o cálice que representa o “Profano Graal” mencionado na letra da música.

“Darkness Remains”

Ademais, “Darkness Remains” é mais um momento anos 70 no “Live Darkness”, pois, essa canção é uma balada sombria com todos os elementos que fazem qualquer ouvinte viajar, um dedilhado fantástico, uma interpretação vocal impecável e solos que transportam as mais céticas mentes ao paraíso.

Contudo, a semelhança com U.F.O volta a ser evidente em “Darkness Remains”.

“Heavy Metal Heat”

“Heavy Metal Heat” foi o segundo single do álbum “Curse Of The Damned”, pois, e a exemplo de “Screams In The Night”, também ganhou uma versão em vídeo clipe.

“Night Demon”

Como resultado, o live album, “Live Darkness”, se encerra da forma mais apropriada possível, com a canção que leva o nome da banda.

“Night Demon” é um Heavy Metal tradicional para metalheads de bom gosto.

Em 2019, tive a oportunidade de assistir ao vivo ao Night Demon no festival Setembro Negro e pude sentir na pele e na alma tudo isso que eu declarei. Que banda fantástica, que apesar de ainda nova e não tão conhecido, fez o público presente festejar em seu concerto.

No entanto, se eu tivesse que apontar um único defeito no álbum “Live Darkness”, seria o fato dele acabar depois de apenas uma hora e meia.

   

Muitos “intelectuais” do Metal vão dizer que o som deles é “mais do mesmo”, contudo, desafio tais intelectuais a montarem um banda de Heavy Metal, fazerem “mais do mesmo” e serem como o Night Demon.

Fácil né?

Em contrapartida, se você não é um desses “intelectuais” do Metal, o “Live Darkness” é o álbum ideal para você curtir já nesse momento.

Nota: 9,6

Integrantes:

  • Jarvis Leatherby (baixo e vocal)
  • Armand Jonh Anthony (guitarra)
  • Dusty Squires (bateria)

Faixas:

Disco 1

  • 1.Welcome To The Night
  • 2.Full Speed Ahead
  • 3.Ritual
  • 4.Curse Of The Damned
  • 5.Dawn Rider
  • 6.Save Me Now
  • 7.Halloweed Ground
  • 8.Maiden Hell
  • 9.Mastermind
  • 10.On Your Own
  • 11.Life On The Run

Disco 2

  • 1.The Hownling Man
  • 2.Black Widow
  • 3.Ancient Evil
  • 4.Satan
  • 5.Evil Like A Knife (Midnight Cover)
  • 6.Stranger In The Room
  • 7.Screams In The Night
  • 8.Flight Of The Manticore
  • 9.The Chalice
  • 10.Darkness Remains
  • 11.Heavy Metal Heat
  • 12.Night Demon

Redigido por Cristiano “Big Head” Ruiz

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