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Indicação: Nervochaos  – “Ablaze” (2019)

Esta é uma banda que estava caminhando de vento em polpa com seu até então mais recente álbum, o glorioso “Nyctophilia”. Simplesmente um dos melhores álbuns de Death Metal de 2017. E como bem sabem o trágico falecimento da então guitarrista Cherry Taketani impediu que os “necrolovers” pudessem prosseguir com seu voo através desse grande trabalho. Porém, como a banda já é bastante calejada quanto às mudanças no line up, Edu Lane tratou de reformular o elenco mais uma vez. E não demorou muito para que iniciassem a gravação de um novo trabalho que viria a seguir.

   

Lançado dia 6 de junho via Hammerheart Records, este é o oitavo álbum dos paulistanos do Nervochaos, que foi gravado no Alpha Omega Studio em Blevio, Itália. O encarregado da produção, mixagem e masterização foi Alex Azzali. Já a capa foi criada por Régis “Norganest” Lant, através de sua empresa, a Ibex Designs e que também é vocalista do EnthronedEdu Lane e seus asseclas afiaram suas armas novamente para mais um full length buscando manter o padrão extremo a qual sempre propuseram executar. Ou seja, mesmo com a tragédia ocorrida em que culminou no desmanche da formação do penúltimo álbum citado acima, a horda seguiu seu caminho sombrio (no bom sentido, claro!) sem se abalar com o ocorrido a ponto de atrapalhar toda a jornada, embora uma morte repentina cause um impacto gigante. E em se tratando de Nervochaos, suas mudanças são sempre bem orquestradas e com propósitos claros. Agora vamos às canções para saber se animam ou fazer dormir os diabretes.

@patipatahphotography

Já de início temos a instrumental “Necroccult” que catalisa aquela morbidez clássica do Death Metal com passagens densas altamente apropriadas para um álbum do Incantation, por exemplo. Em “Demonic Juggernaut” a bateria veloz de Edu dá as caras e pancadaria começa de vez no circuito infernal de feras possuídas por riffs cavernosos e insanos de Guiller e Diego, que também esbanjam toda sua ferocidade e blasfêmia ao recitar seus versos musicais. Faixa esta que recebeu um ótimo lyric video com trechos como este: “Possua a chama negra / Na chama fria e escura / Obsessão da chama negra / Devorado pela chama fria.” A próxima cantiga, nomeada “Feast Of Cain”, convida até o primeiro vampiro que deu origem aos demais cainitas que conhecemos através dos filmes e livros de RPG. Uma faixa que devido à sua levada se encaixaria facilmente no álbum anterior. Tal canção recebeu um videoclipe muito bem produzido e que tem tudo a ver com esse universo citado repleto de cenas envolventes de acordo com o enredo.

“Whisperer In Darkness” é a quarta marcha imperial do submundo que sussurra pela escuridão trazendo uma faixa típica para quem conhece a sonoridade do Nervochaos. Faixa que também recebeu um videoclipe trazendo mais aquela faceta clássica em preto e branco e que lembra em determinados momentos a clássica faixa “Total Satan”, do álbum “Battalions Of Hate” (2010), que por sinal é o meu favorito.  Em “Death Rites”, o início já entrega todo aquele suspense dos rituais mais macabros que possamos imaginar. Os ritos da morte tomam conta do certame fazendo jus ao tratado de governar o mundo tomando o trono do ser que carrega a luz, substituindo por trevas e muitos riffs maléficos característicos da horda brasileira que convida a um mosh extremo.

A também instrumental “Shamanic Possession” convoca os feiticeiros e adoradores de magia negra para se concentrarem para mais uma patada do bode preto colocando em destaque o que os holandeses do Pestilence costumam fazer em seus respectivos trabalhos. “Into Nightside” começa a todo vapor com uma faceta mais Thrash, trazendo um solo inicial e seguindo seu ritmo sem pisar no freio em momento algum. A mesma carrega consigo uma configuração muito caprichada para o baixo (tocado por Thiago Anduscias que à época fazia parte do time) colocando em evidência sem desequilibrar a linha sonora somando mais peso à trilha noturna. O tempo passa rápido e já estamos na oitava canção denominada “Cave Bestiam”, faixa esta que se inicia com uma fala e que logo deságua em mares de lava remetendo ao nobre Incantation e também Behemoth, mas que logo toma sua roupagem habitual com direito ao melhor solo do disco. Quase beirando um Asphyx na parte Doom da coisa. Podem-se encontrar muitas influências ótimas em cada passagem dessa e das outras canções. O que só vem a alavancar a qualidade do trabalho. Cave bestiam significa “cuidado com a besta” em latim, obviamente.

Pati Patah

“Dawn Of War” é mais uma faixa instrumental que remete o desprazer sob o amanhecer da guerra.  Já na emenda temos “Mors Indecepta” religando os motores e pisando fundo descendo ladeira abaixo pelas cordilheiras se arriscando nos penhascos mais desafiadores do submundo! Solos que entregam mais uma camada de excepcionalidade em meio a um caos sonoro lindo de se apreciar perante a morte indecepta“Stalker” é outra pedrada envolvendo o Thrash ao Death, ampliando o arsenal sonoro dos paulistanos e que não se cansam de apresentar petardos exemplares. Os efeitos das risadas maléficas casaram de forma excelente na música. E há quem diga que não existe banda boa no nosso Brasil… Isso é coisa de perseguidor!

“My Dues” chega cobrando todas as dívidas de acordo com o pacto de sangue lembrando em certos momentos os compatriotas do Claustrofobia“Downfall” revela o tamanho da queda daqueles que não compactuam com o poderio incinerador de seres mentecaptos e obtusos cravando o mastro do Death Metal no peito do divino.  Mais uma e última instrumental intitulada “A World Between Worlds” apresenta uma junção entre o maligno e misterioso com um dia comum em uma feira de antiguidades. “Walk Away” traz à tona novamente o tradicional Nervochaos praticando seu Death Metal característico com boas doses de Slayer no caminho, indo embora para o final do disco.

“Of Evil And Men” é a décima sexta faixa, incluindo as três instrumentais e fecha o disco, trazendo consigo mais um videoclipe num total de três. Coisa rara para uma banda de Metal Extremo, e todos eles muito bem filmados, gravados e produzidos. Por ser um clipe com muitas partes em primeira pessoa não me senti muito confortável ao assistir. Mas, isso não retira nada do que eu disse até aqui e é um exemplo para as bandas que estão dispostas a investir com seriedade no seu material audiovisual e todo o seu merchandising. Coisa que Edu Lane leva muito a sério e no próximo ano já entrariam em estúdio novamente para gravar mais um full length. Informação adquirida no canal Kazagastão em que o grande Gastão Moreira entrevista o próprio Edu (à época).

Como o adepto da boa música extrema pode ver, o álbum em questão apresenta um Nervochaos mais maduro e sem medo de seguir seu próprio rumo, apostando em composições diretas e afiadas, com o tempero de boas introduções que percorrem o disco. Tais introduções ao redor da bolacha trazem à mente álbuns como “Dante XXI” (2006) do Sepultura e também a fórmula de composição do Pestilence. Ao término do papiro musical, vemos que o Nervochaos está mais do que pronto para continuar devastando vilarejos e lares ortodoxos com seu grande arsenal sonoro. E que venha o novo disco em 2021!… E vieram vários e ótimos álbuns desde então.

Nota: 9,0

Integrantes:

  • Eduardo “Edu” Lane (bateria)
  • Guilheme “Guiller” Cruz (vocal, guitarra)
  • Diego “D. Arawn” Mercadante (vocal, guitarra)
  • Pedro Lemes (baixo)

Faixas:

1. Necroccult
2. Demonic Juggernaut
3. Feast Of Cain
4. Whisperer In Darkness
5. Death Rites
6. Shamanic Possession
7. Into Nightside
8. Cave Bestiam
9. Dawn Of War
10. Mors Indecepta
11. Stalker
12. My Dues
13. Downfall
14. A World Between Worlds
15. Walk Away
16. Of Evil And Men

Redigido por Stephan Giuliano

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Comentários

  1. Bons tempos de Okotô e Cherry Taketani no Nervochaos, acredito que Pato Fu também teve influência de Cherry!!!! Gosto muito do som de nervochaos, em alguns momentos me lembra algo dos caras do Claustrofobia…gosto muito da música e do vídeo Of Evil And Men, o timbre da bateira me faz lembrar do Igor Cavalera nos tempos do Against, valeu!!!!

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