Indicação: Metallica – “Hardwired…To Self-Destruct” (2016)

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Devo iniciar esta resenha deixando claro que não escrevo para satisfazer fãs fanáticos e muito menos haters de plantão, portanto se resolver seguir adiante, tenha em mente que o que vai ler é uma análise que tenta fazer o máximo de justiça possível com relação ao disco, ponderando prós e contras, enaltecendo os bons momentos e também tecendo críticas quando necessário.

Reprodução / Facebook / METALLICA

O Metallica desde os anos 90 divide opiniões e é praticamente impossível um novo álbum da banda não gerar sentimentos de amor e ódio. Isso é perfeitamente entendível, já que o quarteto de Los Angeles nunca se preocupou em seguir uma mesma fórmula para executar sua música. Depois de conquistar uma base sólida de fãs com seus quatro primeiros discos e chegar ao estrelato com o quinto, o grupo resolveu fazer uma série de experimentações em seus trabalhos subsequentes e como não poderia deixar de ser, causou muita polêmica.

Os fãs antigos se distanciaram e em contrapartida, a banda arrebatou uma nova geração de seguidores. Essa divisão é a grande responsável pela guerra de opiniões que temos hoje e enquanto muitos dos headbangers que acompanharam o Metallica em seu início, não medem palavras para criticar os registros mais recentes, a maioria dos fãs que foram arrebatados nos anos 90 possuem uma visão totalmente diferente, defendendo a ideia de que a banda sempre se transmutou e, sendo assim, não pode ser condenada pelas mudanças e pelo distanciamento do Thrash Metal.

Sempre que um disco do Metallica é lançado, o mundo da música pesada entra em ebulição e o que mais podemos ver são análises de fãs apaixonados, onde independentemente da qualidade do material, vão dizer que se trata de uma obra prima inconteste. É bem comum também a postura radical dos fãs que odeiam odiar a banda e mesmo que o álbum seja muito bom, como é o caso de “Hardwired…To Self-Destruct”, irão desmerecer, taxar, fazer acusações e tentar impor a “má qualidade” do disco.

Acredito que pela diversidade musical encontrada em toda a discografia do grupo, é um erro primal e imperdoável ouvir o novo registro esperando uma sequência de “Master Of Puppets” ou de algum outro clássico do passado. O Metallica não é uma banda de Thrash Metal há muito tempo e o primeiro passo para uma audição satisfatória de “Hardwired…To Self-Destruct” é ter em mente que você irá ouvir um disco de Heavy Metal e apenas isso, sem demais classificações e principalmente, sem comparações descabidas. Obviamente que em algumas composições o disco irá lembrar uma passagem ou outra de algum momento do passado, porém isso não é uma regra.

Como sabemos, James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammet e Robert Trujillo nos apresentam 12 novas músicas divididas em 2 CD’s, o resultado disso são cerca de 77 minutos de Heavy Metal cru e simples, uma espécie de viagem por todo o acervo musical da banda. Se você escutar o álbum à procura apenas de boa música, irá encontrar todo o tipo de variação já feita pelo grupo, canções rápidas e viscerais como “Hardwired” e a avassaladora “Spit Out The Bone”, canções cadenciadas, mas de extremo bom gosto como “Confusion” e “Now That We’re Dead”, canções com forte apelo midiático e refrãos grudentos, caso de “Moth Into Flame”, disparado o melhor refrão do disco e além disso, pérolas do porte de “Atlas Rise” e “ManUnkind”.

É claro que nem tudo são rosas e temos alguns momentos em que a audição cai consideravelmente, particularmente não gostei de “Am I Savage” e “Halo On Fire”, faixas arrastadas demais e sem aqueles momentos diferenciados que as outras composições apresentam. Ainda classifico “Here Comes The Revenge” e “Murder One” como músicas extremamente comuns e dispensáveis, não que sejam ruins, mas contrastam com o restante do registro e dão uma esfriada na audição.

Após ouvir cuidadosamente por diversas vezes, a impressão que “Hardwired…To Self-Destruct” deixa é a de que o Metallica acertou a mão novamente e lançou um trabalho muito bom, despojado e principalmente sincero. Apesar de ter gostado de “Death Magnetic”, foi inevitável a sensação de que estavam forçando a barra e tentando desesperadamente soar como nos velhos tempos, já nesta nova empreitada não há nem sinal desse tipo de postura e tudo soa de maneira natural, o que parece é que os músicos finalmente chegaram a um consenso e deixaram com que a música simplesmente fluísse. O resultado não poderia ser outro:

satisfatório!

Talvez essa forçada de barra em fazer a banda soar Thrash novamente tenha vindo do produtor Rick Rubin e creio que seja até por esse motivo, que optaram por escolher Greg Fidelman dessa vez. James e Lars também participaram de produção e o novo trabalho soa como tem que soar, em qualquer uma das músicas o que você escuta é o Metallica sendo Metallica, como a muito tempo não se via. Poderia ser melhor? Poderia! Se descartássemos alguns exageros e diminuíssemos o número de canções, dando uma “enxugada” no material, ele certamente soaria mais dinâmico e aí sim, provavelmente teríamos uma obra realmente marcante e candidata a se tornar um clássico. Acredito que um tracklist de 8 faixas seria o ideal, porém é perfeitamente entendível as 12 canções, afinal a banda estava há 8 anos sem gravar, o que convenhamos, é totalmente desnecessário para uma banda do tamanho do Metallica.

Reprodução / Facebook / METALLICA

Em suma, os fãs mais fervorosos podem e devem ficar extremamente contentes com o resultado final de “Hardwired…To Self-Destruct”, pois ele supre todas as expectativas. É claro que discursos movidos apenas pela paixão, onde classificam o disco como algo épico e arrebatador devem ser descartados, mas temos enfim, um trabalho do Metallica que realmente não merece passar por toda essa explosão de críticas e discursos de ódio. Em minha humilde opinião, o disco não entra em uma lista de melhores do ano, porém passa a quilômetros de distância dos piores momentos do grupo e pode ser facilmente considerado como o melhor registro do Metallica desde “Black Album” (1991). Somente por este fato, já merece receber muitas ressalvas positivas.

Integrantes:

  • Lars Ulrich (bateria)
  • James Hetfield (guitarra e vocal)
  • Kirk Hammet (guitarra)
  • Robert Trujillo (baixo)

Faixas:

CD 01

  1. Hardwired
  2. Atlas, Rise!
  3. Now That We’re Dead
  4. Moth into Flame
  5. Dream No More
  6. Halo on Fire

CD 02

  1. Confusion
  2. ManUNkind
  3. Here Comes Revenge
  4. Am I Savage?
  5. Murder One
  6. Spit Out the Bone

Redigido por: Fábio Reis

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