Indicação Hard: Joshua – “Intense Defense” (1988)

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O ano era 1987, o Hard Rock continuava sendo um estilo predominante e influente, principalmente, para as gravadoras que viram bandas como Kiss, Guns ‘N Roses, Great White, Bonfire, Motley Crue, Keel, White Lion, Warrant, The Cult, Def Leppard, Dokken, Aerosmith, Whitesnake, entre outras, se darem muito bem com seus respectivos novos trabalhos.

Em 1988, a história não foi diferente e enquanto os americanos do Bon Jovi lançavam o multiplatinado “New Jersey”, disco que figurou na 1a posição da Billboard, grupos como Poison, Cinderella, Kix, Guns ‘N Roses, Ratt, Vixen, Winger, Black ‘N Blue, Europe, Van Halen, Scorpions seguiram à risca a cartilha, gravando álbuns relevantes e obrigatórios na discografia dos apreciadores do estilo (por acaso, sou um desses).

Seguindo por uma estrada paralela e totalmente ignorados pelos mesmos holofotes dos grupos supracitados, estavam os americanos do Joshua, banda de Hard Rock que lançou em setembro do mesmo ano (1988) o excelente “Intense Defense”, terceiro disco de sua carreira e um dos melhores trabalhos do estilo editados no referido ano.

Antes de mergulhar na sonoridade de “Intense Defense”, uma pergunta precisa ser feita: Por que esse disco não tornou-se um fenômeno de vendas assim como os das bandas supracitadas? A explicação talvez esteja ligada ao fato do Joshua ser uma daquelas bandas do chamado “Rock Cristão”. Sim, a banda defende ideologias cristãs em suas letras e talvez este tenha sido um dos empecilhos que os impediram de atingir o topo.

A verdade é que, independente das taxações e a forma como fora ignorado, o disco foi eleito na época de seu lançamento o “Melhor Álbum de Hard Rock/AOR” de todos os anos”. Título este, concebido pelas revistas Kerrang, Metal Forces e Aardschok.

Apesar do aparente exagero por conta das referidas publicações e ao título mencionado, esta verdade se confirma quando Rob Rock (vocais), Greg Shultz (teclados, backing vocals), Emil Lech (baixo), Tim Gehrt (bateria), além do guitarrista, líder e dono da “bagaça”, Joshua Periah (guitarras, backing vocals), presenteiam nossos ouvidos com um registro contendo 10 faixas inéditas distribuídas em 43 minutos de duração, trazendo na produção o experiente Eddie Kramer, responsável por trabalhos ao lado de nomes como Kiss, Led Zeppelin, Triumph, April Wine, Icon, Loudness, Fastway, Jimi Hendrix, entre outros.

Transitando entre o Hard Rock, AOR e em dado momento um flerte com o Heavy Metal, “Intense Defense” é acima de tudo um disco excepcional em sua essência, passando por cima da estupidez e das visões deturpadas de quem julga o livro pela capa.

Sem delongas, é hora de mergulhar nas harmonias grudentas de um disco onde, ao final, a tecla “Repeat” será necessária.

Vem comigo!

As boas vindas começam com “Reach Up”, faixa de abertura que tem os vocais iniciais a la “Let It Go” dos ingleses do Def Leppard, embora aqui a pegada seja totalmente voltada ao Hard Rock, enquanto os ingleses soam mais Heavy, mergulhamos nas melodias excelentes de uma música que traz consigo a fórmula perfeita do estilo.


Destaque para os backings vocals (perfeitos) auxiliando as vozes principais, bem como os riffs de guitarras com suas “alavancadas” intercaladas com solos bem construídos.

JOSHUA / Reprodução / Facebook

Em resumo: Excelente ( e grudenta) faixa de abertura!

O encontro entre o Hard e o AOR é a tônica perfeita para “I’ve Been Waiting”, canção onde os teclados soas mais melódicos, lembrando as linhas rítmicas de “She Don’t Know Me”, faixa presente no álbum de estreia dos americanos do Bon Jovi. Evidentemente estas similaridades musicais não incluem os vocais, visto que Rob Rock encontra-se em outra esfera quando o assunto é voz.

Os primeiros trinta segundos de “Only Yesterday” já são suficientes para que a tecla “repeat” urgentemente seja acionada. Duvida? Pois digo-lhes, aposto todas minhas fichas que após a última nota tocada, é certo que o amigo irá fazer uso da mesma.

Trazendo uma entrada triunfal onde as guitarras casam muito bem com os teclados, somos conduzidos por melodias grudentas, que aliadas aos vocais excepcionais de Bob Rock nos levam ao refrão pegajoso. Daqueles onde é impossível não cantar junto. Sei que soaria exagerado dizer que temos até aqui a melhor faixa do disco, porém minhas palavras iriam por água abaixo ao constatar que estamos ouvindo um trabalho excepcional, daqueles onde a palavra perfeito seria a melhor definição.

“…Only Yesterday, we were strong / Only Yesterday, Where has it gone…”

PS: Ouça atentamente “The Celestial Sphere”, faixa presente no álbum “Siren Of The Styx: Re-Styxed” dos australianos do Ilium e me digam se as guitarras iniciais (riffs) e teclados não são exatamente os mesmos presentes em “Only Yesterday”.

Em mais um momento AOR, “Crying Of Love” invade o terreno e assim como suas antecessoras mantém o disco no patamar de grandioso. Ou seja, até aqui tudo soa perfeito e nenhuma canção “mediana” por assim dizer.

Particularmente, vejo em “Crying Of Love” sonoridades que nos remetem a nomes como King Kobra, Survivor, Signal e Journey.

Tente esquecer deste refrão:

“…Crying out for love / It is an endless struggle / Crying out for love / Salve my life tonight / I am crying out for love…”

Em mais um momento Hard/AOR, “Living On The Edge” nos oferece belas melodias, harmonias flertando com o Heavy Metal em dado momento, guitarras dominantes (com direito as alavancadas), além dos vocais extraordinários de Bob Rock. Sem dúvidas, a cereja do bolo.

Aqui cabe uma observação quanto aos backing vocals: Apesar da essência Hard/AOR de suas melodias, é possível notar referências de grupos como Fleetwood Mac, Electric Light Orchestra, Boston e Petra do álbum “On Fire”.

Em síntese: Mais um grande momento do disco.

Um dos momentos belíssimos do disco está em “Tearing At My Heart”. Ele acontece justamente em sua abertura onde mais uma vez o encontro das guitarras com os teclados formam uma simbiose perfeita de riffs e melodias. Enquanto seus riffs transitam entre o Hard ‘n Heavy, suas melodias nos remetem a “I’ll See The Light Tonight”, faixa presente no álbum “Marching Out” do Yngwie Malmsteen’s Rising Force.

Numa audição mais atenta, é possível traçar paralelos entre as linhas de vozes de Bob Rock e Jeff Scott Soto. Deixando claro que tais referências visam apenas as melodias e não as entonações.

Como bem manda o figurino, um disco de Hard Rock jamais soará “Hard” se não tiver uma canção mais suave, chamada de “balada”. A bola da vez é “Remembering You”, faixa tranquila, amena e cheia de referências e influências de grupos como House of Lords, Stryper, Petra, Giant, Jimi Jamison, Giuffria, Talisman, Takara e outros.

Dona de melodias e harmonias belíssimas, temos aqui uma daquelas canções que poderiam muito bem integrar a programação de algumas FM’s da vida.

*Honestamente não consigo entender o por quê isto não aconteceu.

De volta ao Hard Rock, “Look To The Sky” dá início a trinca final do disco. Apresentando a mesma fórmula de suas antecessoras e dona de backing vocals grudentos, temos aqui uma canção que se mantém fidedigna ao álbum, mantendo-o coeso na sua missão de manter-se grandioso (consegue).

Destaques para os licks e solos de guitarras, trilhando a mesma estrada de nomes como Michael Schenker, Misha Calvin e Chris Impellitteri.

Próximo de sua reta final, “Don’t You Know” é mais um momento Hard’N’Heavy do disco, oferecendo ao ouvinte belos riffs, solos geniais, linhas de teclados precisas e vocais que variam do grave ao agudo, ao mesmo tempo em que seu refrão nos remete a encontro de grupos como Y & T, Toto, Reo Speedwagon e Heartland.

Joshua / Divulgação line-up

Após nove ótimas composições, a missão de fechar o disco em alto nível recaiu sobre “Stand Alone”. E se por acaso alguém duvidasse de que esta seria a faixa perfeita para o encerramento de “Intense Defense”, é preciso dizer que a missão foi executada com êxito.

Após a belíssima introdução de teclados em seu início, mergulhamos nas ondas sonoras de mais uma composição Hard ‘n Heavy onde as guitarras reinam em absoluto, numa canção muito bem construída, riffs encorpados, vocais espetaculares e melodias pegajosas. Ao final, recomenda-se que a tecla “repeat” seja usada sem moderação.

Não destacar os trabalhos de Joshua Perahia nas parte de solos seria um verdadeiro pecado, já que o mesmo mostra no decorrer do álbum sua grandiosidade em liderar uma banda perfeita que sabiamente foi batizada com seu nome, se abstendo dos exageros e virtuoses, comum em alguns casos onde bandas são batizadas com nomes de seus líderes. Felizmente, Joshua se preocupa e investe na música propriamente dita, em excelentes composições, se desprendendo totalmente do egocentrismo, arrogância e megalomania que infestam alguns artistas.

Apesar de carregar o rótulo de banda cristã, o que provavelmente soa negativo para alguns radicais de plantão, a verdade é que estamos diante uma banda cujos discos são excepcionais e que não devem absolutamente nada a nenhum grupo de renome. Ao contrário, seus álbuns (este em especial) soam perfeitos e em alguns casos, melhores do que alguns trabalhos de bandas que investem em nome, capa e esquece do importante, a música!

Ao longo de sua carreira e algumas mudanças de nome e formação, Joshua mantém-se ativo e seu trabalho mais recente foi “Ressurection”, lançado em 2012, sob o nome Joshua Perahia. Para assumir os vocais, o músico recrutou Mark Boals (Ring Of Fire, Yngwie Malmsteen’s Rising Force, Shining Black, Vindictiv, The Codex, etc).

Mantendo-se fiéis às suas crenças e praticando música de excelente qualidade, grupos como Joshua, Petra, Stryper, Barren Cross, Bloodgood, Ken Tamplin, Shout, Whitecross, Holy Soldier, X-Sinner, Resurrection Band, Bride, Guardian, Whiteheart, Tourniquet, Mortification, Deliverance, Sacred Warrior, Nárnia, etc, são exemplos de que discutir o formato da roda, é perda de tempo e que tentar discutir “pré-conceitos” e ignorância, é como dar um passo pra trás.

Conhecendo um pouco sobre a sonoridade destas bandas, é provável que você reconheça que ideologias e temáticas à parte, estamos falando de grupos que lançaram discos excelentes com qualidade musical incontestável.

Isso não é utopia. É fato!

N do R: É preciso deixar claro que White Metal não é um estilo musical. Definitivamente nunca foi e nunca será. O termo que o difere dos demais estilos está ligado às suas temáticas, já que os integrantes das chamadas bandas cristãs retratam em suas composições, letras que refletem suas crenças e suas experiências religiosas.

Integrantes:

  • Rob Rock (vocal)
  • Joshua Perahia (guitarra, vocal)
  • Greg Shultz (teclado, vocal)
  • Emil Lech (baixo)
  • Tim Gehrt (bateria)

Faixas:

  1. Reach Up
  2. I’ve Been Waiting
  3. Only Yesterday
  4. Crying Out for Love
  5. Living on the Edge
  6. Tearing at My Heart
  7. Remembering You
  8. Look to the Sky
  9. Don’t You Know
  10. Stand Alone

Redigido por: Geovani “Sambão-Canção” Vieira

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