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Indicação: Green Lung  – “Woodland Rites” (2019)

O Reino Unido atualmente vive o dilema entre deixar o bloco europeu ou não. E em meio a isso trago um lançamento oriundo da famosa terra da rainha, mais precisamente de Londres. Os ingleses do Green Lung acabaram de lançar seu debut intitulado “Woodland Rites” no dia 20 de março via Kozmik Artifactz. A banda que diz tocar algo como “Earth Rock / Natural Metal”, traz consigo influências voltadas para o final da década de 60, fortemente passando pela década de 70 e início de 80 calcado nos moldes psicodélicos e obscuros da época com grande parte de seu leque inspirado glorioso Black Sabbath da fase Ozzy Osbourne. Tudo isso somado umas pitadas generosas de órgão, teclados e até saxofone, sendo estes adereços ficando mais como pano de fundo funcionando como o contorno da obra tornando-a ainda mais emblemática e nostálgica. “Woodland Rites” foi produzido e mixado por Wayne Adams, e masterizado por Brad Boatright. Completam a recente discografia o EP “Free The Witch” (2018) e a demo “Green Man Rising” de 2017.

   
photography by Courtney Brooke

A viagem sonora dá início com a instigante instrumental “Initiation” sob o canto dos pássaros meio ao longe dando um ar de mistério até que distorções imitando violões abrem as cortinas do teatro musical. Eis que a banda entra em cena com todos seus artefatos afiados e prontos para dar seguimento a essa jornada. Já na emenda temos a faixa-título “Woodland Rites” com o vocalista Templar mostrando toda sua versatilidade e poderio adquiridos na escola do Madman e que também lembram Scott Eric Reagers (Saint Vitus) graças à sua timbragem vocálica forte e melancólica. “Mulher cristã, você não resistiu / Então você chegou mais perto, só para ter um vislumbre / O que você viu você nunca irá esquecer / Na fumaça preta a forma de Baphomet / Oh, yeah!” – trecho dos ritos da floresta com direito ao famoso “Oh, yeah!” do mestre da escuridão. Em “Let The Devil In” sob uma breve narração dedilhados mais entrelaçados abrem espaço para mais uma passagem “ozzística” recheados por doses controladas de backing vocals muito bem encaixados. “Venha para a última casa à esquerda da rua / Na sala vermelha nosso círculo se encontrará / Não use nada mais do que um longo capuz preto / E um pingente de raiz de tannis” – tal passagem é um convite para abrir o coração e deixar o Diabo entrar.

“The Ritual Tree” é um verdadeiro ritual com uma alta dose de psicodelia na parte central da canção, sendo que em sua abertura temos Wright colocando todo o clima de convento característico. É uma grande viagem sem sair do lugar com versos como: “Se você vier para o velho Hagley Wood / Quem sabe o que você pode encontrar? / Veja as velas negras iluminando o caminho /Através dos galhos entrelaçados”. Passamos da metade do disco repleto de histórias sobre rituais sombrios e “Templar Dawn” chega com o intuito de prosseguir com o alto nível da obra macabra e vislumbrante devido também por suas breves narrações iniciais. As guitarras apontam ao norte e o baixo de Cave pulsa forte para o encontro entre os dois mundos. “Uma vez fomos cavaleiros / A serviço de Cristo / Agora a Satanás jurou / Nesta noite profana / Sob o pálido luar / Nós seremos renascidos / Madrugada Templária.”

Green Lung – “Woodland Rites” alternative cover/Divulgação

Mais uma breve narração abrindo para “Call Of The Coven” que chega levantando as almas penadas e devastando o horizonte com acordes hipnóticos trazendo a lembrança de um chamado. “No fundo da medula / Aquela melodia despertou algo em mim / Um antigo mal / De uma vez eu soube que tinha que libertá-lo.” A faixa “May Queen” traz consigo uma balada envolvente, maquiavélica e mórbida contando a história do sacrifício da rainha de maio na qual destaco uma pequena parte deste flagelo: “Quando o crepúsculo desce, subimos a colina negra até as pedras / O sol se põe vermelho sangue enquanto ela pega seu trono de vime / Chamas cintilam quando nossas tochas são colocadas na pira / Seu reinado terminará, enquanto seu corpo é alimentado ao fogo”. Os ritos e rituais movidos a uma viagem desconcertantemente incrível se encerram com “Into The Wild” que de cara me fez lembrar a clássica “Into The Void” (Master Of Reality, 1971) do bom e velho Sabbath. Tal canção ganha bastante força nos refrãos e traz a mensagem de quem decidiu abandonar a humanidade e se isolar nas florestas e montanhas com o mínimo de contato com essa sociedade enlatada e perdida. “Nenhuma esperança para a humanidade / Não, eles nunca aprenderão / Sim, eu vou me sentar / E veja o mundo queimar.”

Green Lung/Divulgação

É bem verdade que o Green Lung além de carregar em seu leque inspirações que remetem ao Black Sabbath, também podemos apontar bandas como Witchfinder General, Saint Vitus, e Pentagram, por exemplo. E tudo isso unido regado a um tempero proveniente do Stoner Metal. Indicado para apreciadores da boa música e que não se prendem a simples rótulos costumeiros e, por muitas vezes sem alma. Passeando pelo divino e pelo macabro o Green Lung definitivamente mostrou a que veio e cravou seu nome nos grandes lançamentos deste ano, e que consigam manter esse nível já altíssimo para um próximo disco sempre em busca de se superarem. Talento para isso eu posso dizer que estes adoradores de contos lúgubres e soturnos possuem de sobra e se Wiseman, o senhor das baquetas, colocar mais em evidência o seu kit ninguém os segurará musicalmente falando.

Nota: 9,0

Integrantes:

  • Tom Templar (vocal)
  • Scott Black (guitarra)
  • Andrew Cave (baixo)
  • Matt Wiseman (bateria)
  • John Wright (órgão)

Músicos convidados:

  • Joe Murgatroyd (vocal de apoio e saxofone)
  • Oscar Foxley (teclados)

Faixas:

1. Initiation
2. Woodland Rites
3. Let The Devil In
4. The Ritual Tree
5. Templar Dawn
6. Call Of The Coven
7. May Queen
8. Into The Wild

Redigido por Stephan Giuliano

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