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[ Indicação Extrema ]: Morbid Angel – “Kingdoms Disdained” (2017)

Quando falamos sobre a primeira leva do Death Metal, são inúmeros nomes que vêm em nossa mente em questão de milésimos de segundo. Pensamos no saudoso Chuck Schuldiner e no Death, no polêmico Glen Benton com o Deicide, no guerreiro Jeff Becerra e o incessante Possessed. A cena de Metal extremo nos Estados Unidos serviu de inspiração para tudo que veio depois dela, principalmente, a da década de 90. Vocais guturais somados à guitarras rápidas e ao uso incansável da técnica blast beat são algumas das principais características do gênero que estamos abordando hoje.

No entanto, existe outro nome extremamente importante para o estilo: Morbid Angel. Fundado no ano de 1983, pelo líder e guitarrista Trey Azagthoth, o Morbid Angel é um dos pilares do Death Metal, e seu ex-baterista, Pete Sandoval, é citado por muitos como o responsável por popularizar a técnica conhecida como blast beat ou bateria “metranca”, se preferir.

   

Muitos anos se passaram, e com eles vieram as inevitáveis mudanças na formação. No ano de 2011, o Morbid Angel lançou o seu primeiro álbum em 8 anos, e como David Vincent estava de volta aos vocais, as expectativas para o registro eram altas. Se você conhece um pouco da história e da discografia do Morbid Angel, já sabe o que está por vir, né? “Illud Divinus Insanus” foi extremamente mal recebido pelos fãs e pela crítica, pois se trata de um álbum cheio de, digamos, “experimentalismos”, algo totalmente fora da proposta do Morbid Angel.

Após outro hiato, dessa vez de “apenas” 6 anos, e outra saída de David Vincent, eles anunciam um novo full lenght, porém com uma mudança total de formação, exceto, claro, pelo guitarrista Trey Azagthoth. Eles trariam novamente Steve Tucker ao posto de vocalista e baixista. Tucker já havia feito parte do line up entre 1997 e 2003, gravando três discos. Além dele, Scott Fuller passou a comandar as baquetas, substituindo Tim Yeung. Isso fez com que os fãs da banda ficassem sem saber ao certo o que esperar, pois o lançamento mais recente até aquele momento era trágico aos olhos da maioria, porém Steve Tucker, por exemplo, dificilmente assinaria seu nome em um trabalho ruim, ou mesmo mediano.

E então, no dia 1 de dezembro de 2017, “Kingdoms Disdained” vem ao mundo. Com uma capa demoníaca e apocalíptica, o álbum é composto por um total de 11 faixas, todas elas inéditas. Apertando o botão de play na obra, inicia-se “Piles Of Little Arms”, uma canção consistente e direta, mostrando que o velho estilo Death Metal que consagrou o Morbid Angel, estava de volta. A segunda, “D.E.A.D”, é um pouco mais cadenciada, mas ainda assim mantém todas as características típicas do som da banda, já anteriormente mencionadas. A título de curiosidade, a sigla usada no nome, na verdade, significa “Department Of Eradication And Disposal”. “Garden Of Disdain” é mais uma ótima música, porém ela pode não agradar alguns fãs mais “radicais”, uma vez que também se trata de algo mais cadenciado que o normal da banda. Ainda assim, uma ótima composição de Trey Azagthoth.

Em seguida, iremos para “The Righteous Voice”, que, sem dúvidas, é uma das mais pesadas do repertório, aqui não há nenhum tipo de cadência sonora e muito menos misericórdia ao ouvinte. “The Righteous Voice” é a única faixa do álbum que não foi composta por Trey Azagthoth. Apesar disso, temos aqui uma canção típica do Morbid Angel. “Architect And Iconoclast”, que vem na sequência, começa com um ritmo “quebrado” que causa um certo estranhamento nas primeiras audições, mas com o tempo, ela também soa muito bem. Aqui temos linhas extremamente rápidas, precisas e complexas de bateria; mas talvez esse comentário seja redundante, já que estamos dissecando um álbum de Death Metal, né?

A sexta canção, “Paradigms Warped”, foi a primeira música do disco que foi apresentada. Ela foi tocada ao vivo em algumas ocasiões, e seu título era somente “Warped”. Nela há, novamente, uma queda na velocidade, porém não no peso ou na agressividade. Não há blast beats aqui e, sem dúvidas, é a canção mais “lenta” do “Kingdoms Disdained”. Tediosa? Jamais.

Cadência, peso, bons riffs e técnica de sobra. Esses são os elementos facilmente identificados em “The Pillars Crumbling”, a sétima faixa do “Kingdoms Disdained”. É mais um exemplo de canção que consegue ser extremamente pesada e direta sem o uso de blast beats.

Se você, caro leitor, está com saudades da tão amada “bateria metranca” e o andamento tradicional das músicas do Morbid Angel, eis aqui um motivo pra você ficar feliz: “For No Master”. Uma canção que prega contra reis, deuses e religiosidade (aliás, boa parte das letras possui essa temática) da forma mais violenta que você pode imaginar. Técnica, muito peso e muita velocidade aliados ao vocal grave de Steve Tucker fazem essa música ser um dos destaques.

Nos aproximando do final do mais recente registro do Morbid Angel, somos introduzidos à mais uma música que soa estranha (ou “diferente”) nas primeiras audições, mas logo acostumamos com seu andamento. Estamos falando de “Declaring New Law (Secret Hell)”, uma música cadenciada mas muito agressiva, mais uma vez. A penúltima, “From The Hand Of Kings”, traz de volta o ritmo acelerado que tanto gostamos. Pedais duplos, palhetadas alucinadas e tudo que tem direito. Novamente, as linhas de bateria possuem um grande destaque aqui.

Para a felicidade da maioria, essa pegada bruta se estende até “The Fall Of Idols”, faixa de encerramento. Muita velocidade, muito peso, muita técnica e uma letra apocalíptica são as características que encerram o disco.

É possível dizer que “Kingdoms Disdained” se aproxima muito com a sonoridade que o Morbid Angel absorveu em “Gateways To Annihilation” (2000): a produção de ambos soa relativamente parecida, assim como as construções e o andamento das faixas presentes. Para quem é fã de Metal extremo, as chances de haver uma decepção com o disco são praticamente nulas, aqui o Morbid Angel provou que mesmo com altos e baixos, continua vivo e entregando o mais puro Death Metal para aqueles que aguentam ouvir. Proibido para ouvidos sensíveis.

Nota: 8,00

Integrantes:

  • Trey Azagthoth (guitarras)
  • Steve Tucker (vocal, baixo)
  • Scott Fuller (bateria)

Faixas:

  1. Piles of Little Arms
  2. D.E.A.D.
  3. Garden of Disdain
  4. The Righteous Voice
  5. Architect and Iconoclast
  6. Paradigms Warped
  7. The Pillars Crumbling
  8. For No Master
  9. Declaring New Law (Secret Hell)
  10. From the Hand of Kings
  11. The Fall of Idols
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