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Indicação: Darkthrone – “Astral Fortress” (2022)

Darkthrone, Immortal, Mayhem e Burzum fazem parte da lista de bandas bastante conhecidas no bueiro do Metal e com relação aos memes na internet, principalmente por conta de suas principais figuras, seja por conta de atitudes, frases ditas ou algum feito bizarro/engraçado, ou até mesmo por conta de um assassinato. Não é mesmo?!…

   

Quem conhece o duo formado por Gylve “Fenriz” Nagell e Ted “Nocturno Culto” Skjellu, sabe do que eles são capazes de aprontar em seus discos. O Darkthrone já passou por determinadas fases ao longo de seu percurso sonoro sombrio e macabro, tendo até mesmo um disco que costumeiramente é colocado como o álbum de Death Metal da banda. Acertou se citou o consagrado “Soulside Journey”, debut dos blackmetallers noruegueses. Trazendo a linha do tempo da discografia da banda para tempos mais próximos do atual, temos discos que passeiam por diversos subgêneros do Metal, como por exemplo, o Speed e o Doom Metal. A veia Black Metal segue de vento em polpa desde o princípio, mantendo a bússola musical apontada sempre para o sul do céu.

photograph by Jørn Steen

São sete pilares musicais que o destemido guerreiro e ouvinte terá de encontrar e partilhar de suas características e riquezas, caso o mesmo aprecie tal obra. Coloque seus patins de gelo e vamos comtemplar a neve em meio à cadeia montanhosa da Noruega.

…Contemple a neve…

De maneira vagarosa e misteriosa, “Caravan Of Broken Ghosts” inicia a jornada com todos os recursos voltados à podridão gélida disponíveis. A caravana dos fantasmas dilacerados por seus próprios medos apresenta em seu primeiros acordes um violão de notas congelantes, que em sua carruagem imperial, traz consigo uma linha de guitarra rouca e baixa. Este plano se torna crescente e envolve a canção ao passar dos segundos, até que esta mesma toma o lado principal da trama juntos ao alicerce forjado pela bateria. A segunda parte mostra um ritmo mais acelerado, alternando para um caminho mais cadenciado. Essa fórmula serve para evidenciar mais adiante um solo de guitarra ao melhor estilo “deslizando e contornando o vale congelado”. Outros diferenciais são colocados à tona e tiram a canção da zona comum, dando mais elementos ao Black Metal característico da banda. Sim, os pedais duplos tomam o local de assalto próximo ao final dessa primeira jornada. “Então havia vidas inteiras para alugar / Segure-os como éons brilhantes / Pintando seu mundo com escalpos sangrentos / Elegância é o que você é feito” – a caravana dos fantasmas despedaçados está passando para te lembrar como a vida é um sopro empoeirado, podendo ser jogada ao nada sem qualquer remorso, pois a dinastia de quem realmente comanda está apenas concentrando seus passos evolutivos através dos éons, na qual a pele de Satanás está completamente enraizada. Neste instante, adentraremos até as “Impeccable Caverns Of Satan”. O ritmo é semelhante ao que fora proposto inicialmente por sua antecessora, mas com o tempero mais forte em se tratando de sonoridade cavernosa e horripilante. Os famosos tremolos aparecem de forma breve, contribuindo para uma emenda interessante ao que vem na sequência. Podem ser notadas influências de várias das principais ramificações do Metal e do Rock, dizendo de forma simplificada ao observar a nítida variação no percorrer dos versos de vocais cavernosos e notas que ecoam por toda a extensão da caverna. “Mas a estrada lá pode ser feia / Você quer experimentar um impulso interno honesto / De certa forma, somos todos criminosos / Vagando por corredores cheios de gestos vazios” – você vira as costas e simplesmente sai sem haver reflexos de cada passo feito em vão… Se todo crime imaginado, pensando e sonhado viesse à tona, dificilmente haveria vida humana para contar história…

…Contemple a neve…

Darkthrone/Divulgação

Ao contrário das estalactites, vamos observar a parte inversa e alta das galerias subterrâneas através de “Stalagmite Necklace”. O mesmo plano inicial dá segmento com linhas marcadas e serenas de bateria somadas ao comboio de cordas que entoam de forma contida até se revelarem parceiras do mellotron analógico tocado por Nocturno Culto e dos sintetizadores comandados por Fenriz. A trama toma um formato peculiar e propenso a exalar o enxofre concentrado nas estalagmites da caverna de Satanás e repleto de lamúria. “Crédulo e sem criatividade / Mesmo que as chances fossem iguais / Descubra a terra da incerteza, comporte-se! / Outro inverno mais perto do túmulo” – o colar de estalagmite representa a passagem do tempo como se não fosse nada, o nada habitual que orbita a imagem branca da neve, refletindo o horizonte com suas surpresas e fatos que são notados como se já tivessem acontecido outrora. A incerteza é plena, mas ainda sim você pode aproveitar sua estadia e desfrutar de todos os riscos que a vida proporciona. A poesia abaixo de zero se estende pela costa juntos aos mares que contornam a ilha de pensamentos mórbidos com “The Sea Beneath The Seas Of The Sea”, apoiada por linhas de guitarra distorcida adicional, ganhando um formato dramático inicial. O segmento da trama coloca em evidência o timbre tradicional da obra com acordes cada vez mais afiados e “sabbathicos”. Os solos são breves e coroam o bom trabalho do duo norueguês, que por sua vez, se aprofundam cada vez mais na parte mais densa já sem o alcance da luz. As linhas de bateria seguem um padrão mais contido até que versos são ditos em tom de reza e profecia, abrindo caminho para os efeitos de sintetizador. Estes acabam por tornar a canção mais robusta e climatizada a ponto de você querer ouvir a canção novamente para refletir sobre as profundezas dos mares da vida. “Enquanto sua alma se arrasta por leitos de rios rasos / Bem-vindo às mãos fechadas de bancos estéreis / Secando nas cavernas da apatia / Enquanto eu sou o mar, sob o mar do mar” – o fundo da profundeza do precipício propicia o ápice da escuridão e é quando você percebe o quanto é nada dentro de lugar algum. Filosófico demais? Também acho. Mas, é a vida… E a vida sempre trará essa linguagem diante de seus percalços sóbrios e ébrios.

…Contemple a neve…

photograph by Jørn Steen

O quinto aviso de trombeta possui um nome bem sugestivo para quem conhece sua origem e história envolvida, e que é muito ligada ao subgênero mais nefasto do Metal. Trata-se de “Kevorkian Times”, faixa que apresenta o médico estadunidense Jack Kevorkian. O assunto ligado à área atuante do médico é bastante polêmica ao lidar com vida e morte de forma bem direta. Kevorkian ficou mundialmente conhecido por sua luta para fazer do suicídio assistido um direito de todos. O quinto hino submundano oferece ao deplorável público uma introdução bem parelha à ideia do disco. A jornada prossegue e o riffs ganham em agressividade e notas características do Black Metal e mais adiante do Speed Metal. Nocturno Culto adapta seus vocais ao quadro do Rock Veloz sem perder a pose de guerreiro da noite macabra e indigesta. Eis que chega o momento de homenagear e relembrar as raízes com “Kolbotn, West Of The Vast Forests”, ponto de partida para o primeiro arranque dos motores de Nocturno Culto e Fenriz em meados de 1986. Kolbotn é o centro de Oppegård, Noruega. O local é bem pequeno em número populacional com  cerca 6000 habitantes. Outra banda local, porém menos conhecida, é o Obliteration, banda conterrânea de Death Metal. Quanto ao som, este se apresenta em formato mais breve que suas antecessoras e de forma instrumental. Esse é talvez o momento mais satânico do álbum, embora seja algo bastante breve.

…Contemple a neve…

photograph by Jørn Steen

Ao passear pelos elementos terrestres com seus desafios e sua fotografia magnífica, é chegado o final desta mais nova jornada através daquela que detém a nomenclatura daquele que supera as eras. Seu nome? Eon 2. O número 2 significa um novo período iniciado em tempos atuais. O ritmo cavalgado traz um pouco de Iron Maiden no semblante maléfico e fervilhante do Darkthrone. As variações enriquecem a figura sonora e lembram o ouvinte de que existe solo, mesmo que breve e simplório, fechando de maneira tradicional o circuito com as sete pilastras do destino. “Malabarista de luas / Dobrador de eras / Obstrutor de ramos / Minerador de núcleos” – é o mesmo que desmorona o tempo, dissolve os vazios, protege a gravidade e derrete os planetas. A nova subdivisão de tempo mostra o quão simples pode ser o fim de tudo e o recomeço de forma não esperada.

   

…Contemple a neve… E siga as marcas das lâminas dos patins do auspicioso e macabro Darkthrone…

…Contemple a neve… Em algum momento durante o adeus, estarás junto a ela…

photograph by Ester Segarra

Informações gélidas adicionais:

Gravado e mixado no Chaka Khan Studio, em Oslo, Noruega, entre outubro e dezembro de 2021. O álbum foi masterizado no Enormous Door Mastering. Tal álbum marca uma nova experiência que te conduz a vários horizontes dentro de um mesmo plano. A essência sombria e o espírito macabro tradicional prevalecem na obra e mantém o timão direcionado para o Black Metal característico e primitivo dos noruegueses. As experimentações adicionam um toque especial ao disco e o diferenciam de seu antecessor por conta da construção e concepção de grande parte das estrofes.

Sobre o éon:

Os geólogos se referem a um éon como a maior subdivisão de tempo na escala de tempo geológico. Só é menor que um superéon (o único superéon é o Pré-Cambriano). A categoria imediatamente inferior é a era, sendo que essa categoria é a mais mencionada em pontos históricos e contos de fadas, porém com intuitos distintos. Vale destacar o origem de Cambria, que vem a ser nome o clássico para o País de Gales, onde as rochas desse período foram estudadas pela primeira vez.

Curiosidade sobre o éon:

Apesar da proposta feita em 1957 de se definir éon como sendo uma unidade de tempo igual a um bilhão de anos (1 Ga), a ideia não foi aceita como sendo uma unidade de medida científica, sendo preferido o uso de éon como uma unidade de tempo arbitrariamente grande.

“What is the inner nature
Of someone forest-scared?”

Nota: 8,7

Integrantes:

  • Gylve “Fenriz” Nagell (bateria, vocal adicional, baixo adicional, guitarra adicional, sintetizadores – faixas 3 e 4)
  • Ted “Nocturno Culto” Skjellum (vocal, guitarra, baixo, mellotron analógico – faixa 3)

Faixas:

1. Caravan Of Broken Ghosts
2. Impeccable Caverns Of Satan
3. Stalagmite Necklace
4. The Sea Beneath The Seas Of The Sea
5. Kevorkian Times
6. Kolbotn, West Of The Vast Forests
7. Eon 2

Redigido por Stephan Giuliano

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