Incantation: “Mesmo sendo uma banda blasfema e odiando Cristo, se tiver que trabalhar com entidades religiosas, não me importo”

Incantation: "Mesmo sendo uma banda blasfema, odiando religião e Cristo, se tiver que trabalhar com entidades religiosas, não me importo"
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John McEntee e Luke Shively, do Incantation, participaram do novo episódio do Garza Podcast, onde foram questionados sobre a recente arrecadação de alimentos promovida pela banda para doar às pessoas que estão passando por dificuldades. John novamente explicou como surgiu essa iniciativa e como ficou chateado pela forma como a imprensa tratou a situação:

“Como isso começou? Improvisando, sabe? Totalmente. Começou por que a gente estsva… olha, eu fiquei frustrado no início da turnê [“Praise The Beast North American Tour”] porque os orçamentos estavam super apertados nos primeiros shows. É como se a gente nem tivesse recebido água engarrafada, sabe? Nem conseguimos encontrar no local. Eu fiquei tipo, nossa, isso é… Não é que eu não consiga, mas eu parei para pensar e vi que duas coisas me incomodaram.

Primeiro, o fato de que… vamos lá, vocês tem dinheiro para comprar água. Se não têm, talvez o show não devesse acontecer. Mas também tinha o fato de que eu tinha que voltar lá porque eu também cuido das coisas da banda. Eu tinha que falar com os caras da banda e dizer: ‘desculpem, a gente recebe o cachê e tal, mas eles querem descontar a água do nosso cachê’. Não o preço que a gente paga no mercado, no Walmart, eles querem cobrar um preço maior, sabe? Eu fiquei, tipo… E a gente só ganhava uns 20 dólares por dia para comer. Eu não podia simplesmente pagar a água do meu bolso e pensar:’Ok, agora você tem menos de 20 dólares’. Eu me sentia um completo idiota. Então, um dia, eu simplesmente pensei: ‘Que se dane tudo isso’, e desabafei.”

Ele continuou:

“E, provalmente, eu não deveria ter desabafado daquele jeito, mas eu tinha chegado ao meu limite. Eu não podia simplesmente chegar para os caras da banda e dizer: ‘Cara, a gente nem tem água engarrafada’. Era uma situação ridícula. Mas aí recebemos muito apoio de pessoas dizendo: ‘Ah, a gente manda dinheiro para vocês, e podemos mandar dinheiro para ajudar com as despesas?’ E eu só pensava: ‘Não, não, não. Não é isso. Não é que estejamos na miséria ou algo do tipo, Não estamos totalmente ferrados. É que eu senti que não seria respeitoso com eles, sabe, porque eu sou gentil com as pessoas. Conheço essas pessoas em vários lugares e tal, e eu fico tipo, vamos, lá pessoal. Basicamente. E começamos nos sentir muito sem jeito porque as pessoas começaram a mandar mensagens dizendo: ‘A gente traz isso para você e traz aquilo para você’. E nós pensamos: ‘Não, não, não. Não estamos pedindo caridade.’ Foi mais uma questão de respeito ou algo assim, pelos locais dos shows.”

John McEntee contou como conheceu a Organização Sem Fins Lucrativos chamada Musically Fed, que os ajudou com a arrecadação de alimentos e para fazer com que a comida arrecadada chegasse até os que precisavam situação. Ele também disse que se irritopi com alguns sites de notícias que veicularam aaquela situação de uma forma deturpada:

“Então, eu estava conversando com um amigo meu, eu estava tentando lidar com a situação, e aí surgiu a ideia de talvez pegar as coisas que eles estão nos dando e doar para banco de alimentos locais. E isso poderia ser uma coisa boa. Além disso, eu estava ficando irritado porque é triste a forma como alguns desses sites de notícias e as redes sociais estão interpretando tudo de forma totalmente errada, tentando nos fazer parecer… Eles estavam pegando a situação e distorcendo-a para criar algo diferente só para conseguir mais curtidas, e coisas do tipo. Quer dizer, houve até algumas dessas postagens em que eles retratram o Max Cavalera como se fosse eu, e diziam ‘Incantation’. Quando eu vi aquilo, pensei: ‘Isso está totalmente ferrado.’ Tipo, se você é um veículo sobre Metal, de notícias sobre Metal e você não sabe a diferença entre mim e Max Cavalera… Eu entendo se for uma criança pequena, mas quero dizer, as coisas saíram completamente do controle.

Então eu pensei: ‘Ok, vamos fazer essa campanha de arrecadação de alimentos.’ E aí eu tenho um amigo que trabalha como merchandiser para artistas realmente grandes que tocam em arenas e anfiteatros e coisas do tipo. E ele tinha contato com uma organização sem fins lucrativos chamada Musicaly Fed e entramos em contato com eles. Eles trabalham com bandas realmente grandes como o Metallica, e coisas assim, organizando campanhas de arrecadação de alimentos e levando os ítens até lá. Dissemos que não tínhamos a menor ideia do que estávamos fazendo. Como fazemos isso?

Tipo, a gente ia recolher a comida e pensamos em pedir para alguém levar até o banco de alimentos local, mas aí falamos com a Musically Fed e eles [resolveram]. Olha, todos nós na banda temos algum tipo de problema difícil que enfrentamos na vida. É quase por isso que estamos aqui, tocando essa música extrema porque é uma forma de extravasar esse tipo de coisa, ou algo assim.

John não se importa de unir forças com grupos religiosos se for em prol de ajudar quem precisa. Ele acredita que as pessoas deveriam olhar mais para os pontos comuns que têm umas com outras:

“Sabe, especialmente nos anos 90, houve momentos em que eu voltava de turnê e não tinha onde morar, e tinha que ficar no sofá de amigos por um tempo ou dormir no meu carro até conseguir juntar dinheiro para o depósito de um novo lugar para morar, então, eu já passei por esse tipo de merda. Então é como eu penso sobre isso. Essa coisa de doar para os banco de alimentos locais é boa maneira de retribuir. Não é como se estivéssemos indo muito bem. Não somos ricos de forma alguma, estamos nos virando como podemos, mas ainda assim é bom poder fazer algo positivo. Para ser justo, dá muito trabalho, mas o que mais me recompensa é saber que estou fazendo algo bom para pessoas que nem conheço. Espero que algumas delas possam seguir em frente e fazer coisas incríveis, ou simplesmente saber que você contribuiu um pouquinho para inspirar outras pessoas a fazerem coisas positivas.

Mesmo sendo uma banda de Death Metal blasfema, e odiando religião, odiando Cristo e tudo o mais. Mas, se tiver que trabalhar com outras entidades, mesmo que sejam religiosas ou algo do tipo, não me importo, contanto que a comida chegue às pessoas que estão com fome. E mesmo que eu discorde de algumas ideologias de certos grupos, o que quer que seja, se eles estiverem dispostos a trabalhar comigo para me ajudar ou ajudar a banda para levar comida para quem precisa, então esse é um ponto comum sobre o qual podemos concordar. E eu acho que se mais pessoas na vida olhassem para os pontos em comum que temos, o mundo seria um lugar melhor. Não precisamos concordar em tudo, mas há certas coisas que a maioria das pessoas concordaria, como o fato de que não deveria haver pessoas passando fome.”

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