Ian Hill explica saída do Judas Priest: “Realmente, não tive escolha”

Créditos: Christian Ballard

O baixista Ian Hill, integrante mais antigo do Judas Priest, explicou os motivos que o levaram a se aposentar das turnês com a banda após mais de cinco décadas de carreira. Em entrevista ao músico ucraniano Vladyslav Stadnyk, conhecido como Metal Pilgrim, o músico de 74 anos atribuiu a decisão ao agravamento da artrite e a uma lesão no tendão do ombro esquerdo, que comprometeram sua capacidade de tocar. Em comunicado publicado em 9 de outubro, Hill já havia anunciado sua saída das atividades ao vivo do grupo.

Ao explicar por que decidiu se afastar neste momento, Hill relatou que vinha enfrentando dificuldades nas últimas excursões devido a problemas no ombro e no polegar, afetado pela artrite.

“É engraçado, porque as últimas turnês foram um pouco difíceis, pois o problema está basicamente no meu ombro e no meu polegar — tenho um grande caroço no polegar, que é todo causado pela artrite. Venho lutando contra isso nas últimas duas turnês, mais ou menos. Infelizmente, não desaparece e é uma daquelas coisas que só pioram com o passar do tempo. Eu quase me aposentei no final da última turnê.”

O baixista contou que a agenda acabou se tornando mais extensa do que imaginava inicialmente. Depois que o Iron Maiden cancelou uma excursão de quatro semanas pelos Estados Unidos da qual o Judas Priest participaria, a banda acrescentou apresentações na Europa em torno do festival Bloodstock, no Reino Unido. A sequência de seis shows em oito dias agravou a lesão.

“Estávamos fazendo, em média, um dia de show, um dia de folga, e assim por diante, para que a equipe pudesse chegar ao próximo local. Naturalmente, eu me recuperava nos dias de descanso. Eu não fazia nada, então melhorava. Depois, você sobe ao palco e agrava tudo de novo. Mas, como eu disse, foram seis shows em oito dias, e eu nunca tive tempo para me recuperar.”

Ian Hill durante sua entrevista a Metal Pilgrim

Hill relatou que sentiu o tendão se romper pouco antes do bis da apresentação em Bruxelas.

“Senti um estalo e uma dor aguda, muito intensa, e pensei: ‘É isso. Acabou’. Durante o bis, precisei apoiar o cotovelo na barriga e puxar o baixo para trás para conseguir alcançar a parte inferior do braço do instrumento.”

Segundo ele, o ombro ficou praticamente imóvel, embora o restante do braço continuasse funcionando normalmente. A lesão também o impediu de tocar no show de Londres.

Davey Rimmer substituiu o baixista em Londres

Antes da apresentação de 21 de setembro no Eventim Apollo, em Londres, o Judas Priest chamou Davey Rimmer, baixista do Uriah Heep, para assumir temporariamente o instrumento. A banda já considerava essa possibilidade devido aos problemas físicos de Hill, que reconheceu o desempenho do colega mesmo com pouco tempo para se preparar.

“Havia algumas dúvidas sobre se eu conseguiria chegar até o fim, por causa dos problemas que tive no passado. Então, pedimos ao Davey que viesse, e ele foi até a casa do Andy [Sneap], em Derbyshire. Aprendeu o repertório e ensaiou com o restante dos caras. Eu fiquei sentado na cozinha, ouvindo. E ele fez um trabalho absolutamente incrível. Recebeu apenas dois dias de aviso e, de repente, estava no palco. Uau! Ele está voando. Precisou usar todo o meu equipamento. Trouxe apenas os próprios baixos e fez uma apresentação absolutamente incrível.”

Créditos: Andy ‘Elvis’ McGovern

Hill lamentou não ter participado daquele show, que poderia ter marcado sua despedida dos palcos com a banda. No entanto, após consultar especialistas, ele recebeu a notícia de que tentariam evitar uma cirurgia, já que o procedimento não garantiria a recuperação. O músico afirmou que ainda buscava tratamento para o problema.

“Realmente, não tive escolha a não ser encerrar isso. Eu não poderia colocar os outros caras em risco e sair para outra turnê, correndo o risco de acontecer tudo de novo no meio da excursão. Não é justo com ninguém — com os fãs, com os outros integrantes, com as pessoas que investiram dinheiro para nos levar a esses lugares — e, de repente, você precisa cancelar shows. Não é justo. Então, decidi encerrar minha trajetória, e foi o que fiz. Negligenciei a vida familiar. Isso me custou dois casamentos ao longo dos anos. Por isso, decidi passar um pouco mais de tempo com a família.”

Ian Hill ainda poderá tocar com o Judas Priest

Embora não pretenda voltar a cumprir uma agenda regular de turnês, Hill não descartou participações especiais em apresentações futuras. O baixista disse que está disposto a subir ao palco em ocasiões importantes, desde que os demais integrantes concordem.

“Se precisarem de mim para uma ocasião especial ou algo assim, ficarei mais do que feliz em subir lá e fazer o que puder.”

Hill também confirmou que gravou linhas de baixo para o próximo álbum do Judas Priest, previsto para 2027, embora ainda precise concluir algumas partes.

“Consegui gravar o baixo para o novo álbum, que será lançado no ano que vem. Ainda há um pouco de trabalho a fazer. Se eu mantiver o baixo na posição certa, conseguirei terminar. Pelo menos estarei no disco, se não for por mais nada.”

Ao falar sobre o futuro da banda, o músico demonstrou confiança no substituto e reconheceu que ele poderá enfrentar críticas dos fãs, assim como aconteceu com outros integrantes que assumiram posições anteriormente ocupadas por músicos históricos. Hill citou Richie Faulkner, que substituiu K.K. Downing, e Andy Sneap, que assumiu parte das funções de Glenn Tipton nos shows.

“Ele vai receber críticas durante o primeiro ano ou algo assim, até se estabelecer e ganhar confiança, se é que você me entende. É sempre angustiante fazer algo completamente diferente, como será o caso dele em relação ao Uriah Heep. Nós o conhecemos há muito tempo, e Richie o conhece muito bem há décadas. Sabemos que tipo de pessoa ele é, e ele não traz nenhuma bagagem consigo do ponto de vista humano. É um cara maravilhoso, de verdade. E um ótimo baixista, então não há motivo para não conseguir seguir em frente. Desejo a ele toda a sorte do mundo.”

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