Ian Gillan rejeita rótulo de Heavy Metal para o Deep Purple, mas já integrou álbum cultuado do Black Sabbath

Créditos: Site oficial da banda

Em entrevista à revista The Chap, o vocalista Ian Gillan, do Deep Purple, explicou por que prefere classificar sua banda como Hard Rock, em vez de Heavy Metal. Curiosamente, apesar de rejeitar essa última denominação para seu grupo, o cantor integrou o Black Sabbath entre 1982 e 1984, período em que gravou “Born Again” (1983), um dos álbuns mais controversos e frequentemente subestimados da história do Heavy Metal.

Ao ser questionado sobre a diferença entre Heavy Rock e Hard Rock, Gillan explicou que prefere a segunda definição por considerar o primeiro termo uma etapa que levou ao desenvolvimento do Heavy Metal.

“Se você quer escolher um gênero, então eu preferiria Hard Rock. Só porque Heavy Rock foi o próximo passo em direção ao Heavy Metal.”

O vocalista também revelou que já recusou prêmios destinados ao gênero, embora mantenha amizades com integrantes de bandas como Black Sabbath e Metallica.

Influências vão além do Heavy Metal

Para justificar sua posição, Ian Gillan destacou suas raízes no Rock ‘n’ Roll, citando nomes como Elvis Presley, Little Richard e Jerry Lee Lewis. Ian mencionou igualmente Roy Orbison, Buddy Holly, The Everly Brothers e Chuck Berry. Segundo ele, a divisão atual da música em categorias rígidas dificulta o reconhecimento de artistas que transitam naturalmente entre diferentes sonoridades.

“Somos grandes amigos, mas isso não é realmente a nossa praia.”

Créditos: Marko Syrjälä’s Media and Photography

A importância do Black Sabbath e de “Born Again”

A declaração não significa, porém, que o cantor desconsidere a importância do estilo. Em entrevista ao jornal The Sun, há dois anos, Gillan reconheceu o impacto fundamental do Black Sabbath na história do gênero. E principalmente na formação da cena grunge de Seattle.

“Até certo ponto, o Sabbath foi o mais importante, porque, sem eles, não teria existido Seattle [a cena grunge] nem Heavy Metal. O que Tony Iommi estava entregando naqueles primeiros dias era simplesmente incrível. Era muito poderoso.”

A ligação entre Gillan e o Black Sabbath começou no fim de 1982, quando ele assumiu os vocais após a saída de Ronnie James Dio. O resultado dessa união foi “Born Again”, lançado em agosto de 1983 e único álbum de estúdio do grupo com Gillan. O disco também marcou a última participação do baterista Bill Ward em um álbum de estúdio da banda. Apesar da recepção controversa na época, o trabalho conquistou status cult entre admiradores do Heavy Metal, especialmente por sua combinação peculiar dos vocais de Gillan com os riffs sombrios de Iommi.

“Smoke On The Water” não é Heavy Metal, segundo Gillan

Outro exemplo usado pelo cantor para explicar sua visão é “Smoke On The Water”, um dos maiores clássicos do Deep Purple. Em entrevista à Planet Rock, em maio deste ano, Gillan destacou que a bateria de Ian Paice apresenta uma sutileza que muitos músicos deixam passar ao interpretar a canção.

“Todo mundo pensa que é uma pancadaria, uma música de Heavy Metal. Não é. Basta ouvir a bateria em ‘Smoke’. Lars Ulrich, do Metallica, subiu ao palco e tocou comigo em San Francisco, e detonou a música. Trabalhei com muitos outros bateristas que fizeram o mesmo. E nenhum deles realmente percebeu que é preciso tocar com delicadeza.”

Enquanto mantém sua preferência pelo Hard Rock, o Deep Purple também vem explorando sonoridades mais pesadas. O álbum mais recente da banda, “Splat!”, chegou em 3 de julho pela earMUSIC, com produção de Bob Ezrin. Produtor este muito conhecido por trabalhos com Kiss, Pink Floyd, Lou Reed e Alice Cooper. O disco foi apresentado como o lançamento mais pesado do grupo em muitos anos, mostrando que, independentemente dos rótulos, a banda continua disposta a experimentar os limites de sua própria sonoridade.

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