Helloween recupera afinações originais dos clássicos e Andi Deris explica vantagem dos três vocalistas

O Helloween voltou a executar seu repertório clássico nas afinações originais graças às facilidades oferecidas pela tecnologia atual. Em entrevista ao podcast “Meet My Guest”, de Mr. Music, o vocalista Andi Deris explicou como a banda precisou adaptar diversas músicas quando assumiu o posto deixado por Michael Kiske e revelou que, atualmente, o grupo consegue alternar as afinações de forma muito mais prática.
Segundo Deris, a banda passou anos tocando grande parte do material meio tom abaixo. A mudança começou a se tornar mais comum a partir de “The Dark Ride”, de 2000, período em que o Helloween também utilizou afinações ainda mais graves em algumas composições.
“A maioria das músicas decidimos baixar meio tom. Acho que, a partir de ‘The Dark Ride’, de 2000, tínhamos essas afinações mais baixas, como meio tom ou até um tom inteiro abaixo. Naquela época, tecnicamente não era tão fácil. Você tinha que trocar as guitarras de novo e de novo.”
Tecnologia permite retorno às afinações originais
Andi Deris explicou que o grupo precisou encontrar um meio-termo para o repertório ao vivo, já que determinadas músicas utilizavam afinações diferentes.
“Então dissemos: ‘Ok, o compromisso é que não tocamos ‘The Dark Ride’ em Drop D, mas encontramos um meio-termo’, e simplesmente baixamos tudo meio tom e tocamos tudo meio tom abaixo. Assim, a própria ‘The Dark Ride’ era tocada ao vivo em uma afinação mais alta.”
Com os recursos disponíveis hoje, entretanto, a situação mudou completamente de figura.
“Hoje em dia é muito mais fácil. Com a tecnologia, voltamos novamente às afinações normais. Porque basta apertar um botão e você está meio tom abaixo ou meio tom acima. Então agora somos capazes de tocar tudo novamente na afinação original.”

O cantor também descartou a possibilidade de simplesmente baixar a tonalidade de uma música durante uma turnê caso não esteja se sentindo bem vocalmente.
“Ah, não. Você não deveria fazer isso. Porque, durante uma turnê, você se acostuma completamente a mudar sua técnica entre as músicas. Então, se de repente você baixa tudo meio tom, a transição também fica mais baixa, então você não está fazendo um favor a si mesmo. Na verdade, é ainda pior, porque toda a sua rotina fica completamente ferrada.”
Deris acrescentou que uma alteração desse tipo precisaria ser planejada antes do início da excursão.
“Se você percebesse, digamos, algumas semanas antes da turnê, que algo não está bem comigo ou com Michael, então poderia decidir baixar tudo um tom e ensaiar dessa maneira para adquirir a rotina necessária. Mas, graças a Deus, até agora nunca tivemos que fazer isso.”
Dois vocalistas e Kai Hansen ajudam a preservar as vozes
Atualmente, Andi Deris divide os vocais do Helloween com Michael Kiske, enquanto o guitarrista e vocalista Kai Hansen também participa das performances. Para Deris, essa configuração oferece uma importante vantagem durante apresentações extensas.
“Ter mais de um cantor ajuda muito, porque dividir significa mais luxo. Dividir significa um pouco mais de descanso para se recuperar. Deixe Michael cantar a música dele e, depois de cinco minutos, estou bem novamente e posso cantar muito melhor do que se tivesse que continuar sem uma pausa.”
Ele ainda brincou com a definição de Kiske de que o grupo conta com “dois vocalistas e meio”.
“Mas isso é puro luxo, na verdade. É puro luxo. E isso provavelmente nos dá um passe livre para continuar por mais 10 ou 15 anos sem irritar as pessoas, porque podemos dividir.”
Por fim, Andi Deris explicou a possibilidade da própria ordem do repertório mudar para preservar as vozes dos integrantes.
“Na sala de ensaio, você testa isso e diz: ‘Talvez a ordem das músicas não esteja funcionando porque preciso de uma pausa aqui. Caso contrário, minha voz fica ferrada’, e assim por diante. Você pode fazer todas essas coisas porque tem dois cantores — ou três.”
O álbum mais recente do Helloween, “Giants & Monsters”, chegou em agosto de 2025 pela Reigning Phoenix Music (RPM), sendo destaque do ano na categoria do Power Metal.
