Harrowed estreia com “The Eternal Hunger” e revitaliza o espírito do Death Metal sueco clássico

A cena do metal extremo ganha um novo nome poderoso com a chegada do Harrowed e seu aguardado álbum de estreia, The Eternal Hunger. Formado em Estocolmo, o duo reúne o baterista e vocalista Adam Lindmark (ex-Morbus Chron) e o multi-instrumentista Tobias Alpadie (VAK, ex-guitarrista ao vivo do Tribulation). Desde o início, a proposta ficou clara: resgatar a essência do Death Metal sueco old school sem cair na simples reprodução nostálgica. Assim, mesmo com apenas uma demo e um split no currículo, a dupla chega com identidade e fome criativa.
Logo de cara, o disco mostra que não depende apenas de recursos de estúdio para atingir seu peso característico. Em vez disso, Harrowed aposta em uma abordagem mais orgânica e agressiva, combinando riffs serrilhados e tremolos cortantes com uma bateria intensa e dinâmica. Faixas como “Blood Covenant” e “The Cold of A Thousand Snows” exemplificam essa força bruta, enquanto a produção equilibra perfeitamente a sujeira vintage com uma nitidez contemporânea. Além disso, a influência do Hardcore aparece com vigor em alguns momentos, adicionando ainda mais urgência ao repertório.
Outro destaque importante está na performance vocal de Adam Lindmark, que entrega uma interpretação visceral e quase primitiva. Seus vocais, carregados de agressividade, funcionam como um elemento adicional de caos controlado, elevando ainda mais o impacto das composições. Ao mesmo tempo, o trabalho instrumental de Tobias Alpadie impressiona pela precisão e criatividade, garantindo que cada faixa tenha personalidade própria sem perder a coesão do álbum.

Entre tradição e experimentação: o equilíbrio que define o disco
Embora o álbum dialogue diretamente com o legado de Entombed, especialmente da fase dos anos 90, Harrowed não se limita a esse molde. Pelo contrário, a dupla incorpora elementos de Thrash Metal, Black Metal e até das cenas americanas e alemãs clássicas. Em “Blood Covenant”, por exemplo, surgem nuances mais próximas do Thrash, enquanto “Ultra Terrene Phantasmagoria” e “The Cold of A Thousand Snows” exploram uma velocidade mais sombria e atmosférica. Já a faixa-título, “The Eternal Hunger”, evoca influências de nomes como Autopsy, Obituary e até Kreator do início, especialmente na construção de suas passagens mais melódicas e sombrias.
No fim das contas, The Eternal Hunger se consolida como uma estreia extremamente sólida e promissora. Harrowed demonstra respeito pelas raízes do Death Metal sueco, mas também ousa expandir seus limites com inteligência e personalidade. Com apenas dois integrantes, Adam Lindmark e Tobias Alpadie entregam um trabalho coeso, agressivo e memorável. Para os fãs do estilo — especialmente aqueles que valorizam o som clássico com uma abordagem atual — este álbum é uma recomendação obrigatória e um forte indicativo de que uma nova geração do gênero está pronta para deixar sua marca.