Guns N’ Roses: Duff McKagan conta quando quase morreu e como isso mudou sua vida para sempre

Photo: Marc S Canter, Getty Images

A história do Guns N’ Roses, principalmente, nos primeiros anos da banda, foi marcada por excessos de todos os tipos. Tudo era uma enorme festa regada a álcool, drogas e mulheres. Um dos músicos que mais viveu este tipo de vida absolutamente desregrada foi o baixista Duff McKagan.

Em algumas entrevistas, o músico chegou a dizer que não se lembra muito de nada que aconteceu com ele do final da década de 80 até 1993. Duff era aquele tipo de cara inconsequente que viveu tudo da forma mais intensa possível.

Em uma nova entrevista ao vocalista Sammy Hagar, na AXS TV, Duff McKagan contou que isso tudo cobrou um preço quase alto demais. Quando falava de seu primeiro disco solo gravado em 1993, o baixista iniciou dizendo:

“Nos anos 90 eu fiz esse disco. Eu estava chapado, como você pode ouvir na minha voz neste disco, ‘Believe In Me’ (1993). Você pode ouvir a cocaína em mim. Você pode ouvir o álcool em mim.”

Sammy Hagar interrompe neste momento e diz:

“Não se pode cantar sob efeito de cocaína. Qualquer um que tente cantar sob efeito de cocaína não deveria estar cantando, certo?”

Duff então prossegue:

“Você consegue ouvir tudo na minha voz, e é um ótimo retrato da minha vida naquela época.”

Photo: Larry Busacca/Wireimage

Questionado sobre o que fez ficar sóbrio, Duff inicia um relato de congelar os ossos. Ele disse:

“Minha família tentou uma intervenção em mim um dia depois de tocarmos no Kingdom. Mas minha família, eles bebem, então essa intervenção… eu corri. Mas apesar de ter corrido, meu corpo estava falhando, meu cabelo estava caindo. Eu não bebia água. Eu só bebia álcool. Eu literalmente não bebi um copo de água por 12 anos. E não estou brincando.

Eu não queria acabar assim. Cheguei em um ponto, tipo, com 28 anos e meio, e pensei, ‘bem, acho que vou até os 30 e pronto’. E eu ainda estava bem com esse estado de espírito, é assim que as coisas são, ‘viva rápido, morra jovem’…

E eu acordei uma manhã… eu tive uma espécie de… pensei que fossem apenas dores agudas de gases. Então, rolei na cama e a dor se espalhou para os meus quadríceps e para as minhas costas. Eu não conseguia me mexer para pegar o telefone e ligar para o 911. Era tão forte que eu mal conseguia respirar. E meu amigo, meu melhor amigo, ele ainda é meu melhor amigo até hoje, eu ouvi ele subindo as escadas. Eu não conseguia gritar, eu não conseguia fazer nada.

E ele me viu na cama e disse, eu o ouvia claramente e me lembro até hoje, ‘oh merda, finalmente aconteceu!’ Então ele me pegou no colo. E o que aconteceu é que me pâncreas estourou. Então, tudo aquilo, são enzimas que digerem a comida, não deveriam estar lá fora dançando em cima dos meus órgãos. É ácido. Então ele me levou para o pronto socorro. Eu simplesmente deitei no chão e eles me deram morfina. Não adiantou nada. E foi aí que eu

soube… Eu estava em apuros porque sabia o que a morfina deveria fazer, mas não adiantou para a dor.

Fizeram um ultrassom em mim. Vi meu médico branco porque ele estava olhando para a coisa, que tinha crescido do tamanho de uma bola de futebol americano e estourado. O que se costuma fazer com pessoas assim é que você morre disso. Eles te abrem para deixar o vapor sair e aliviar um pouco da dor, na melhor das hipóteses.

Este foi o meu fundo do poço. E eu sobrevivi. Meu médico disse no segundo dia que eles iam fazer uma cirurgia e eu fiquei, tipo, eu queria que eles me matassem porque eu não aguentava mais a dor. Minha mãe tinha Parkinson nessa época e eu sou o filho mais novo. Ela vem em uma cadeira de rodas. Ela está chorando. Eu tenho tubos saindo de mim e eu meio que me vi de cima da cama e pensei: ‘a ordem das coisas está errada aqui, cara. Eu deveria estar cuidando dela e ela está vindo aqui’. Eu sou o filho mais novo, estou doente e sinto muito, sabe, mas eu vou melhorar.

Então, quando eles me liberaram, eles disseram: ‘temos uma clínica de reabilitação para você ir’. E eu disse: ‘vocês não entenderam, eu terminei’. ‘Isso acabou’. E minha vida mudou 180 graus daquele momento até agora. E tudo ficou muito melhor. Sou uma daquelas pessoas que não consegue beber… nem um pouco.”

Apesar da experiência de quase morte, Duff seguiu em seu novo propósito e, hoje, com 61 anos, está muito bem.

Reprodução/Facebook
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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