Gruesome: “Sempre pretendemos fazer coisas que lembrassem o Death. Pode não ser considerada original ou inovadora, mas é boa música”, diz Matt Harvey

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Matt Harvey, vocalista/guitarrista do Gruesome, foi entrevistado por Jorge Botas, do Metal Global, e falou sobre o novo álbum “Silent Echoes”, lançado em 6 de junho, sete anos após o segundo disco “Twisted Prayers”, de 2018. Indagado se o novo álbum poderia soar diferente se não tivesse demorado tanto tempo para ser lançado, Matt respondeu:

“É sempre difícil pensar em hipóteses. Acho que estou muito feliz com o disco. Então eu acho que isso faz tudo valer a pena. Eu preferiria que isso não tivesse levado sete anos e não ter passado por todos os fatores que o atrasaram. Você sabe, é como entre o disco do Possessed [‘Revelations of Oblivion’, de 2019] que o Dan [Gonzales, guitarrista] fez; e eu fiz alguns discos com Exhumed; e então o Gus e eu acabamos trabalhando nesse negócio do Left To Die, e houve uma pandemia. Nós íamos trabalhar com Sean Reinert para produzir o disco, e ele faleceu. Muitas coisas diferentes contribuíram para fazer deste álbum o que ele é. E, no final das contas, estou realmente feliz com o que ele é. Eu não gostaria que mais que três anos se passassem entre os álbuns, mas… aqui estamos.”

“Silent Echoes”, conforme a banda já havia declarado antes mesmo do lançamento do 1° single, é uma homenagem ao falecido baterista do Cynic, Sean Reinert (que também tocou bateria no álbum “Human” do Death), e do saudoso Chuck Schuldiner.

Matt explicou que o intuito do Gruesome sempre foi ser uma banda de homenagem ao Death, algo que eles deixaram bem claro desde o começo:

“A questão é que nós sempre pretendemos ser uma banda de homenagem, ser uma banda cover. Sempre pretendemos fazer coisas que lembrassem o Death. E então rapidamente percebemos que teríamos que nos concentrar em certos álbuns para cada projeto, porque cada álbum que a banda fez, que o Death fez, era muito original. Mas, ao mesmo tempo, também percebemos que o mais importante é escrever coisas boas que se sustentem por si mesmas. Talvez possa não ser considerada original ou inovadora, mas pode ser considerada boa música. E não foi algo do tipo: ‘As pessoas vão gostar só porque soa como outra coisa [Death]’. Bem, não. Tem que ser bom! E acho também que o fato de termos sido honestos e diretos desde o começo com as pessoas, algo como: ‘Estamos fazendo isso porque somos fãs do Death, e é isso que queremos fazer. Quermos fazer músicas nesse estilo e estamos nos divertindo muito fazendo isso.’ Acho que isso fez com que as pessoas entendessem a dissessem: ‘Ah, isso soa assim.’ Sim, essa é a ideia. Mas agora a questão é se você gosta ou não, o que é uma questão mais importante porque, especialmente à medida que envelheço, eu me vejo cada vez menos interessado em novos estilos de metal, sabe? Estou sempre encontrando coisas novas para ouvir, dentro e fora do metal. E eu adoro várias bandas de metal atuais, mas a maioria delas toca no estilo mais antigo. E no final das contas, se eu estou ouvindo Bewitcher, é tipo: ‘Sim, algumas coisas deles me lembram o Venom, outras me lembram o Tank.’, ou algo assim. Eu amo Venom e Tank, então isso é ótimo [risos]. Tipo, por mim tudo bem. Eu não tenho essa coisa de: ‘Ah, o mais importante é a originalidade.’ Sabe? E, como eu disse, estamos tentando dissipar tudo isso desde o início. É como olhar para o logotipo, olhar para a arte, o layout do álbum, as fontes que usamos. Você sabe o que quero dizer? Como se realmente… Eu não sei. Nós tentamos analisar cada aspecto para que as pessoas pudessem julgar com base em algo como: ‘Ei, eu gosto material de origem. Então eu também gosto disso?’ E se a resposta for sim, ótimo. Compre o disco, venha ao show e vamos festejar. E se a resposta for não, ótimo também.”

Jorge Botas observou que há uma diferença entre banda cover que apenas toca as músicas da banda original, e uma banda que se inspira muito em outra, mas faz músicas originais. Matt Harvey comentou:

“Certo. Não estou aqui para reiventar a roda. Estou aqui para dizer: ‘A roda não é incrível? Eu adoro a roda.’ Mas quando começamos a fazer isso, obviamente, o Death To All já estava acontecendo. Gus fez algumas turnês dando aulas para Shawn quando Shawn estava tocando bateria com o Death To All, e eu fiz a primeira turnê cantando algumas músicas e tocando guitarra em algumas delas. Nós sentimos que a era posterior desta banda está sendo muito bem representada, e pensamos: ‘Mas ninguém realmente dá o mesmo respeito ao material antigo.’ Mas não fazia sentido apenas fazer uma banda cover porque já havia os caras que estavam no Death To All e que estavam fora, eu senti que eles se concentraram nas coisas mais recentes, mas eles ainda tocavam Zombie Ritual, Pull the Plug e algumas dessas outras músicas. Então minha primeira reação foi: ‘Ninguém, está prestando atenção nesses três primeiros discos, que são meus favoritos.’ Então deveríamos, sabe, se começássemos a tocar essas músicas, seríamos vistos como alguém que está pisando nos calos deles, e eu poderia ser desrespeitoso, já que somos todos apenas fãs. Mas se escrevêssemos nossas próprias músicas, ainda estaríamos alcançando a mesma coisa que uma banda cover, sabe? E, na verdade, eu não achava que nada disso iria muito longe. A princípio, sugeri isso como uma brincadeira, mas depois, quando fizemos o primeiro álbum, lembro de dizer à minha esposa: ‘Isso é só uma brincadeira. Ninguém vai levar isso à sério. Não vamos tocar ao vivo, nada vai sair disso.’ E eu acabei estando muito errado, porque dez anos depois, aqui estamos nós, escrevendo essa merda realmente difícil [risos] e falando sobre essas coisas.”

No canal do Mundo Metal, fizemos a resenha em vídeo de “Silent Echoes”, exclusiva para membros. Se inscreve lá para ficar por dentro de tudo o que rola no mundo do metal.

Assista a entrevista completa abaixo:

Faixas:

1. Condemned Identity
2. A Darkened Window
3. Frailty
4. Shards
5. Silent Echoes
6. Voice Within The Void
7. Fragments of Psyche
8. Reason Denied

Line-up:

Matt Harvey (vocal, guitarra)
Robin Mazen (bass)
Gus Ríos (bateria)
Daniel Gonzalez (guitarra)

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