Grinder estreia com “O Ódio Ainda Queima” e apresenta manifesto feroz do thrash metal nacional

Photo: Mauro Fy (@maurofyoficial)

Projeto liderado por Rodrigo ‘Grinder’ Ortiz transforma inquietações sociais e conflitos humanos em 14 faixas intensas.

O cenário do metal brasileiro recebe um novo e contundente capítulo com a chegada de “O Ódio Ainda Queima”, álbum de estreia do Grinder. O projeto paulista surge com personalidade marcante, discurso direto e uma sonoridade que canaliza fúria, crítica social e reflexão existencial em 14 faixas cantadas integralmente em português. O disco já está disponível em todas as plataformas digitais.

À frente do trabalho está Rodrigo ‘Grinder’ Ortiz, também vocalista da Attack Force, banda de Atibaia (SP). Com as atividades do grupo em pausa por tempo indeterminado, o músico decidiu dar vazão a novas composições, assim como consolidar uma identidade própria. Assim nasceu o Grinder, mantendo a espinha dorsal do thrash metal, mas incorporando elementos do death metal e nuances do heavy metal tradicional, o que amplia o alcance sonoro do projeto sem diluir sua agressividade.

Photo: Mauro Fy (@maurofyoficial)

Identidade autoral e discurso afiado

Mais do que um simples registro de estreia, “O Ódio Ainda Queima” funciona como um retrato crítico do presente. Rodrigo ‘Grinder’ Ortiz assina todas as letras e arranjos, desse modo imprimindo caráter profundamente autoral ao trabalho. Ao longo do álbum, o músico explora conflitos internos, tensões sociais, bem como as contradições do comportamento humano.

As composições abordam temas como distorções psicológicas, relações abusivas, luto, desigualdade, violência e polarização ideológica. Ao mesmo tempo, refletem sobre alienação tecnológica, manipulação da informação e os rumos incertos da humanidade diante de decisões coletivas cada vez mais complexas. Entre denúncia e introspecção, o disco constrói uma narrativa intensa, que dialoga diretamente com as inquietações do mundo contemporâneo.

Cada faixa reforça o caráter combativo do disco, alternando ataques diretos e momentos de reflexão sombria, sempre sustentados por riffs incisivos e bases rítmicas contundentes.

Produção colaborativa e raízes em Atibaia

A produção ocorreu em Atibaia, no estúdio NoQuarto, sob responsabilidade de Karlinhos Velásquez, que também gravou guitarras, baixo e backing vocals. A bateria ficou a cargo de Edson Ferreira, enquanto Eliseu Velásquez assinou a arte da capa e participou com backing vocals, fortalecendo o caráter colaborativo e até familiar do projeto.

Esse processo reforça a organicidade do álbum, que soa coeso e fiel à proposta artística idealizada por Rodrigo ‘Grinder’ Ortiz.

Herança do metal extremo brasileiro

Musicalmente, Grinder dialoga com a tradição do metal extremo nacional. A postura crítica e a agressividade sonora certamente evocam referências como Dorsal Atlântica, Korzus, Sepultura e Ratos de Porão — nomes que ajudaram a moldar o espírito contestador do gênero no Brasil. Ainda assim, o projeto não se limita à reverência: ele atualiza essa herança ao incorporar temáticas contemporâneas e uma abordagem lírica conectada ao presente.

Com “O Ódio Ainda Queima”, Grinder não apenas estreia em disco, mas também se posiciona de forma clara no cenário do metal nacional. O álbum combina intensidade, consciência crítica e identidade artística sólida, inclusive transformando inquietação em combustível criativo.

Em tempos marcados por tensões sociais, crises de informação e conflitos internos cada vez mais evidentes, o trabalho surge como um manifesto sonoro que confronta, questiona e provoca — mantendo viva a chama combativa do thrash metal brasileiro.

Ouça agora mesmo “O Ódio Ainda Queima”:

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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