PUBLICIDADE

Grandes Vozes – Episódio 2: Geoff Tate

Continuando a lista de “Grandes Vozes”, falemos de um vocalista que tornou-se não apenas o frontman de uma das bandas mais conceituadas do Heavy Metal Mundial, mas também uma das grandes influências para uma geração de novos cantores.

   

Nascido em Stuttgart, na Alemanha, Geofrey Wayne Tate, conhecido mundialmente como Geoff Tate, tornou-se uma das maiores vozes do Heavy Metal ao integrar o Queensrÿche, banda onde permaneceu por longos anos, lançando oficialmente doze álbuns de estúdio, cinco discos ao vivo, dois EP’s e inúmeros singles, antes de deixar o posto de vocalista em 2011.

A importância de Geoff Tate na história da música, vai além de sua voz e seu talento. Evidente que não é tão simples falar dessa lenda viva, pois é necessário fazer uma retrospectiva de sua história, rebuscando no passado seu legado musical ao lado do Queensryche, onde permaneceu até 2011, encantando os fãs com sua voz poderosa, seus agudos incríveis e seu vibrato marcante.

A história tem início em 1981 quando o The Mob, banda formada pelos amigos Chris DeGarmo, Michael Wilton, Scott Rockenfield e Randy Jackson, tocou no festival americano chamado Metalfest ’81. Oficialmente o The Mob, não tinha um vocalista e Geoff Tate que integrava o Babylon, foi convidado para ocupar tal função naquela ocasião. Obviamente a resposta foi um sonoro Sim.Apesar de sua brilhante performance, Tate, não permaneceu na banda, que continuou sem vocalista.

No ano seguinte (1982) o The Mob trocaria de nome e Tate, que agora integrava o The Myth, assumiria finalmente as vozes tornando-se oficialmente o vocalista do Queensryche (ex, The Mob). Oficialmente a banda debutou em setembro de 1983 com “Queensryche”, EP auto intitulado contendo 04 excelentes faixas e um dos melhores trabalhos lançados naquele ano. O primeiro contrato oficial veio no mesmo ano através da Gravadora EMI, que regravou o EP com uma produção mais polida, rendendo à banda alguns shows ao lado de nomes como Quiet Riot, Twisted Sister e Dio.

O ano é 1984 e o disco em questão é “The Warning”, segundo e genial trabalho. Para muitos, este é o primeiro álbum oficial da banda que chegou arrasando quarteirão, garantindo ao grupo turnês pelo Japão, Estados Unidos e Europa. Bem recebido, o disco alcançou excelentes posições no Canadá, Estados Unidos, Suécia e Reino Unido. É preciso salientar a qualidade musical desses discos, bem como suas produções, composições e divulgação, porém, é preciso apontar principalmente a presença importante de Geoff Tate, que surpreendia não apenas em estúdio, mas principalmente em suas performances ao vivo, destacando-se por seus vocais perfeitos e seus agudos incríveis.

Com o sucesso estrondoso e merecido de The Warning, o grupo lança em 1986 o excelente “Rage For Order”, segundo trabalho e mais um capítulo na história de sucesso do quinteto. Desta vez as turnês acontecem ao lado de AC/DC, Bon Jovi e Ozzy Osbourne. Como era de se esperar, o disco foi muito bem recebido, arrancando elogios de fãs, críticos e mais uma vez os vocais excepcionais de Tate, fizeram a grande diferença.

Em maio de 1988 o mundo conhece Operation Mindcrime, novo e quarto trabalho do quinteto e sem dúvidas, o disco mais impactante na carreira da banda. Conceitual e incluso na lista de melhores discos de metal daquele ano pelas revistas Kerrang, New Musical Express e Rolling Stones, o álbum conta a história de Nikki, um jovem dependente químico que quer fazer algo para ajudar a sociedade, porém, o mesmo acaba envolvido em um plano criminoso, arquitetado pelo maléfico Dr. X, médico que sabendo de sua toxicodependência usava suas terríveis habilidades a fim de controlar Nikki. Na época, rumores davam conta de que a história descrita no disco pudesse virar um longa-metragem (o que não aconteceu, infelizmente).

Com a exibição em alta escala do videoclipe “Eyes Of Stranger”, nas programações da MTV, o grupo presenciou as vendagens do disco tomarem um rumo astronômico, lançando-os literalmente ao estrelato. Aqui, a banda já era gigante, figurando inclusive no alto escalão do Heavy Metal ao lado de nomes como Saxon, Judas Priest, Black Sabbath, Accept, AC/DC, Queen, Rush e tantos outros.

Os números expressivos (e gritantes) de vendas, renderam a banda Disco de Ouro, Disco de Platina e atingiu importantíssimas posições nas paradas musicais de países como Suíça, Japão, Alemanha, Suécia e Reino Unido. Pegando carona na onda de “Eyes Of Stranger”, a faixa “I Don’t Believe In Love” atingiu a 41a posição no Hot Mainstream Rock Tracks, ranking de canções da Billboard mais tocadas nas rádios conceituadas.

O ano era 1990 e o quinteto lançava mais uma pérola musical batizada de Empire, quinto trabalho da carreira lançado em agosto daquele ano, contendo 11 faixas inéditas e mais um trabalho impecável do Queensrÿche, que definitivamente era um grupo musical em ascensão. “Empire”, foi o álbum de maior sucesso do quinteto que catapultado pela canção “Silent Lucidity”, tornou-se uma máquina de ganhar dinheiro e a esta altura do campeonato a banda já figurava definitivamente no Hall dos grandes nomes do Heavy/Rock Mundial.

   

Mais uma vez as vendas garantiram à banda, Disco de Platina, Disco de Platina Triplo, 1o lugar no Mainstream Rock Tracks, 9a posição na Billboard Hot 100, indicação ao Grammy Awards de 1992 e sucesso absoluto em países como Suécia, Alemanha, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Suíça e Reino Unido.

Quatro anos depois o grupo lança “Promised Land”, novo trabalho de inéditas e aqui é perceptível o caminho perigoso e arriscado que a banda pretendia tomar (e o fez). Apesar de tentar ser algo bacana, temos um disco chato, sem sal, sem açúcar e totalmente fora de órbita, salvando-se duas ou três músicas, o que honestamente é muito pouco para um CD que traz onze faixas, de uma banda que já havia conquistado o mundo (ou parte dele). Adotando uma sonoridade que em nada lembrava os primórdios, o grupo embarca numa viagem musical equivocada e quase sem volta, comprovada nos discos subsequentes.

Numa tentativa de soar moderno, o grupo mergulhava de cabeça rumo à maior desgraça acontecida na música mundial, o Grunge. Não se sabe ao certo se este direcionamento musical partiu dos integrantes, ou se a gravadora estava ditando as regras do jogo. A verdade é que Promised Land (1994) e Hear In The New Frontier (1997), marcaram a mudança drástica de sonoridade do grupo, que em nada lembrava aquela banda genial de outrora. Pra piorar ainda mais a situação, Chris DeGarmo, deixava o posto de guitarrista. Consequentemente e por conta do seu vício em cigarros, Tate. começou a perder sua potência vocal ao ponto de não conseguir cantar algumas músicas, que foram limadas dos shows. Na tentativa de atingir as notas mais altas, simplesmente desafinava.

Esta perda aconteceu gradualmente e ouvindo atentamente a discografia do grupo, notamos que disco após disco, Tate, vagarosamente perdia sua voz potente. Isso ficou mais nítido após o lançamento do álbum “Empire”. Tempos depois, sua voz soava anasalada, cansada e prejudicada. Notando que seus rendimentos já não eram os mesmos, resolve largar o cigarro e retomar os cuidados com sua voz que milagrosamente dava sinais de recuperação.

Notando que estava voltando a sua boa fase, o vocalista começa a melhorar em suas apresentações ao vivo, incluindo no setlist canções que havia deixado de lado. Contudo, algo não estava indo bem entre ele e os demais membros. Rumores, davam conta de que sua relação com seus companheiros de banda estava desgastada.

Em 2012, eis que a situação chega ao extremo e a notícia fatídica de que Geoff Tate, não era mais o vocalista do Queensryche. Segundo algumas publicações da época, Tatet, perdeu o controle após perceber uma trama dos demais membros para afastá-lo, agrediu violentamente o guitarrista Michael Wilton e armando com uma faca, partiu em direção do baterista Scott Rockenfield. Felizmente os seguranças fizeram seus papéis, evitando que o pior acontecesse (felizmente). Na ocasião a banda estava em São Paulo, em uma turnê que celebrava os trinta anos de vida do Queensrÿche.

Como nas outras vezes em que estiveram no Brasil, ofereceram ao público um show grandioso, apresentando um repertório repleto de clássicos e apesar de arredio, Tate, cantou e encantou a todos ali presentes em mais uma performance magistral, tal qual seu talento. Vale ressaltar que nesta apresentação, tiveram como banda de apoio os americanos do Fates Warning, tocando pela primeira vez em terras tupiniquins. O mal estar entre o vocalista e a banda não parou por aí. Após uma batalha que envolvia o uso do nome “Queensrÿche”, perdeu a causa e judicialmente estava proibido de usar o nome. Com isso, sua nova banda passou a se chamar, Operation: Mindcrime.

Com o Operation: Mindcrime, lançou três discos medianos (na verdade, bem ruins) trazendo exatamente aquela sonoridade horrenda feita por sua ex-banda nos discos que sucederam “Empire”. Vale lembrar que paralelo ao Queensryche, foram lançados dois discos solos que definitivamente não fizeram a menor diferença em sua carreira. Totalmente carentes de melodias e com uma musicalidade fraca, “Geoff Tate”(2002) e “Kings & Thieves”(2012), são trabalhos que não empolgam e não acrescentam absolutamente nada em seu histórico musical.

Enquanto isso Todd LaTorre (ex, Crimson Glory) era oficialmente confirmado como o novo vocalista do Queensryche, estreando no álbum “Queensrÿche”, lançado em junho de 2013. Com disco novo na praça e também um novo vocalista, o Queensryche começou a ter de volta seu prestígio musical já que Todd La Torre, além de cantar muito bem as novas músicas, trouxe para as apresentações ao vivo, clássicos que não eram tocados a muito tempo. Por outro lado, críticas e farpas foram jogadas contra Geoff Tate, acusado de ser o responsável pela sonoridade pífia e decadente da banda, quando sua voz já não era mais o grande atrativo.

No entanto é necessário fazer uma observação quanto às comparações entre Todd La Torre e Geoff Tate: Levando em consideração que o primeiro tem apenas 46 anos e o segundo já está beirando os 62 anos, evidentemente que temos um ponto que de cara favorece bastante Todd La Torre. No entanto, é bom lembrar que estamos falando de Geoff Tate, uma das mais importantes vozes de todos os tempos que permaneceu mais de trinta anos a frente de uma banda de renome, gravando discos geniais e explorando sua voz em canções como: Nightrider, Queen Of The Reich, Take Hold Of The Flame, Road To Madness, Walking In The Shadows, I Dream In Infrared, The Needle Lies, Silent Lucidity, Another Rainy Night, Eyes Of Stranger, Empire, etc. Músicas que exigiram um alcance vocal estupendo, onde poucos conseguiriam e/ou conseguem alcançar.

   

Não bastante isso, as apresentações ao vivo da banda eram tão perfeitas quanto seus discos de estúdio. Evidentemente que isso era possível graças aos vocais perfeitos de Geoff Tate. Com todas as arestas se acertando, os fãs começaram a sonhar com um trabalho digno, honesto e a altura do que Tate, fizera no passado. Milagrosamente, isso aconteceu (para nossa alegria). Idealizado pelo guitarrista e produtor Simone Mularoni (DGM, Lione/Conti, Empyrius, Sunstorm, etc), nascia em 2018 o Sweet Oblivion, projeto que trazia nos vocais Geoff Tate, aquele monstro (musicalmente falando) que lançou discos fenomenais no início de sua carreira e que aparentemente renasceu tal qual uma fênix.

Lançado oficialmente em 14 de junho de 2019, o disco apresenta 10 faixas belíssimas, totalmente influenciadas pelo Queensrÿche e estas influências não estão apenas na voz. O álbum traz riffs e solos que nos remetem ao genial Chris DeGarmo. A propósito, difícil acreditar que de fato DeGarmo não está empunhando sua guitarra, tamanha a semelhança nos riffs e solos de cada uma das faixas apresentadas no disco.


Sobre o álbum: Temos aqui um registro genial, rico em melodias, sonoridade e composições. A genialidade de “Sweet Oblivion” (o álbum) é de uma grandiosidade tamanha que fica difícil apontar uma faixa de destaque. Da abertura com “True Colors” até o encerramento com “Seek The Light”, o ouvinte dá de cara com uma espécie de compilação dos álbuns áureos do Queensrÿche, distribuídos em pouco mais de 45 minutos. Mais que um retorno ao passado, Geoff Tate conseguiu mostrar ao mundo (como se fosse preciso) que ainda possui uma voz privilegiada, poderosa, absurdamente bela e que seu nome ainda permanece na lista de grandes vocalistas de todos os tempos.

Sweet Oblivion, traz de volta o talento incontestável de um vocalista massacrado por uns e amado por outros, numa espécie de recomeço. Como diria um certo dito popular: “Quem é rei, nunca perde a majestade”.

Bem vindo de volta, Mr. Geoffrey Wayne Tate.

PS: Enquanto o Operation: Mindcrime, segue em silêncio e não dá pistas de um provável 4o álbum, o Sweet Oblivion, anunciou o lançamento do segundo disco de inéditas previsto para o próximo ano. O novo álbum contará mais uma vez com os vocais brilhantes de Geoff Tate. Enquanto isso, Tate, segue ao lado de Tobias Sammet, dando um show de elegância e voz no projeto AVANTASIA.

Ouça uma playlist com alguns dos melhores momentos de toda a carreira de Geoff Tate:

Redigido por Geovani Vieira

PUBLICIDADE

Comentários

  1. Indiscutivelmente, uma das melhores e maiores vozes do Rock/Metal de todos os tempos m(Opinião pessoal).
    Vida longa ao Sr. Jeffrey Wayne Tate, e que num futuro não tão distante volte ao Queensryche e lance discos impactantes como fez na época dos maravilhosos “The Warning”, “Rage For Order”, “Operation Mindcrime” e “Empire”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.

Veja também

PUBLICIDADE

Redes Sociais

30,849FãsCurtir
8,583SeguidoresSeguir
197SeguidoresSeguir
261SeguidoresSeguir
1,151InscritosInscrever

Últimas Publicações

- PUBLICIDADE -