Geoff Tate prepara despedida de “Operation: Mindcrime” após quatro décadas

O ex-vocalista do Queensrÿche, Geoff Tate, explicou por que decidiu encerrar as apresentações completas de “Operation: Mindcrime”, clássico lançado originalmente em 1988. Em entrevista ao Trust In Rock, canal criado pela ex-apresentadora do Headbangers Ball, Vanessa Warwick, o cantor de 67 anos falou sobre a atual etapa da turnê “Operation: Mindcrime – The Final Chapter”, que trata-se, inegavelmente, como as últimas oportunidades para os fãs ouvirem o álbum na íntegra ao vivo.
Questionado sobre por que este seria o momento adequado para começar a encerrar esse capítulo, Tate foi direto:
“Porque estou velho agora. [risos] Honestamente. Sim, não sei se consigo continuar fazendo turnês desse jeito. É bastante difícil. Não quero tentar subir ao palco para tocar isso se estiver mancando e debilitado. Não quero chegar a essa situação. Então, enquanto me sinto forte, enquanto me sinto bem, é um bom momento para apresentá-lo e fazê-lo bem.”
Um álbum que ainda cobra seu preço
O vocalista também reconheceu, sobretudo, o desgaste provocado pelo repertório. Principalmente por exigir bastante dele tanto fisicamente quanto emocionalmente.
“Sim. [risos] É como você se sente no dia seguinte depois de apresentá-lo. Você se sente abalado. [risos] É um álbum bastante físico. Quer dizer, ele tem apenas uma hora, na verdade, mas há muita coisa acontecendo nessa hora que, de certa maneira, leva você a uma montanha-russa emocional como intérprete, e tenho certeza de que também para o público. Mas, para mim, é um exercício — mentalmente, fisicamente. Eu meio que me sinto emocionalmente esgotado depois de cada show.”
Embora o desgate exigido, o cantor continua orgulhoso do trabalho que realizou com o Queensrÿche.
“Acho que é um disco forte. É realmente interessante. Tenho muito orgulho dele. Tenho muito orgulho do que fizemos juntos como banda com aquele disco. E, sim, na época eu não pensei além de talvez cinco anos, sem imaginar que 40 anos depois estaria apresentando as músicas. Nem mesmo pensei que fosse chegar a apresentar isso — não achei que fosse viver tanto. Mas agora sinto que talvez chegue aos 100.”
Uma história que continua atual
Por fim, para Geoff Tate, parte da força de “Operation: Mindcrime” está justamente na permanência dos temas abordados pelo conceito. Manipulação política, extremismo e desilusão social continuam presentes no mundo contemporâneo, algo que o vocalista considera responsável pela longevidade da narrativa.
“Bem, acho que é uma daquelas histórias que continuam acontecendo. Nada realmente muda no mundo. Na verdade, podemos ver isso agora. Temos tanta informação para processar e, todos os dias, existem exatamente as coisas que você descreveu acontecendo diariamente. Isso nunca termina. Então acho que a história parece realmente relevante porque é uma história sem fim.”
Lançado em maio de 1988, “Operation: Mindcrime” acompanhava Nikki, um ex-dependente químico desiludido com uma sociedade corrupta que acaba manipulado por Dr. X para assassinar líderes políticos. Considerado um dos grandes álbuns conceituais da história do Metal, o trabalho ganhou certificação de platina nos Estados Unidos em 1991 e permaneceu relevante ao longo das décadas. Paralelamente à turnê de despedida, Tate também lançou “Operation: Mindcrime III”, terceiro e último capítulo de sua própria série, desta vez narrado sob a perspectiva de Dr. X.