Geoff Tate explica por que não precisa mais gravar discos para ganhar dinheiro: “Prefiro fazer uma trilha”

O mercado da música costuma ser bastante cruel para artistas iniciantes e bandas que jamais conseguiram alcançar o tão sonhado mainstream. Para a maioria, gravar um novo álbum, sair em turnê e manter uma agenda ativa é uma necessidade financeira. No entanto, existe um grupo seleto de músicos que, graças ao sucesso conquistado ao longo de décadas e a boas decisões ao administrar seus rendimentos, pode se dar ao luxo de trabalhar apenas quando realmente sente vontade. O ex-vocalista do Queensrÿche, Geoff Tate, deu a entender que hoje vive exatamente essa realidade.

Em entrevista ao Metal-Rules.com, o cantor falou sobre seu recém-lançado “Operation: Mindcrime III” e revelou que sua motivação para compor e gravar já não passa pela necessidade de gerar receita. Segundo o músico, o prazer de criar música é certamente o único fator que pesa em sua decisão de entrar em estúdio.

“Eu não preciso fazer um disco”

Questionado se continua cada vez menos interessado no lado comercial da indústria musical, Geoff Tate respondeu de forma bastante direta:

“Sim. Eu não faço música por razões econômicas. Eu não preciso fazer um disco. Eu quis fazer este álbum porque amo a música que está nele. Essa é a minha principal motivação: criar coisas de que eu realmente gosto, em vez de fazê-las apenas para ganhar dinheiro. Eu não preciso mais pensar dessa forma.”

Na sequência, o ex-integrante do Queensrÿche reconheceu que essa postura pode soar estranha para algumas pessoas. Ele garantiu que não sente mais necessidade de perseguir vendas ou resultados comerciais a qualquer custo.

“Talvez isso deixe algumas pessoas malucas. Elas se perguntam por que eu não estaria motivado a vender mais discos. Mas a quantidade de trabalho necessária para vender um álbum é enorme. Nossa… eu prefiro fazer uma trilha. Quero viajar mais. Quero fazer outras coisas além de trabalhar o tempo todo.”

A história de Mindcrime pode não ter terminado

Durante a conversa, Geoff Tate também foi perguntado se considera que a saga “Operation: Mindcrime” chegou ao fim com o novo lançamento. O vocalista preferiu não bater o martelo e deixou a porta aberta para futuras continuações.

“Pode ser. Também pode não ser. Ainda existem diferentes maneiras de explorar a história de Mindcrime, mas, sinceramente, não pensei muito nisso. Tenho estado ocupado vivendo a vida.”

Lançado neste ano, “Operation: Mindcrime III” encerra — ao menos por enquanto — a trilogia iniciada pelo clássico “Operation: Mindcrime”, de 1988, um dos álbuns conceituais mais influentes da história do Heavy Metal. O novo trabalho foi desenvolvido em parceria com os guitarristas Kieran Robertson e Alex Hart. Além disso, conta com a coprodução de John Moyer, do Disturbed, retomando o universo narrativo que marcou a fase mais celebrada de Tate no Queensrÿche.

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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