Geoff Tate critica fãs que filmam shows inteiros: “A experiência ao vivo é tão única que é uma pena perdê-la”

O debate sobre o uso de celulares em shows segue cada vez mais intenso dentro da comunidade do Rock e do Heavy Metal. Afinal, a experiência ao vivo sempre ocupou um lugar quase sagrado para fãs do estilo, mas a popularização dos smartphones com câmeras cada vez mais avançadas mudou completamente a dinâmica das apresentações. Hoje, tornou-se comum encontrar plateias inteiras assistindo aos concertos através das telas de seus aparelhos.
Algumas bandas já decidiram agir de forma mais rígida diante desse cenário. O Ghost, por exemplo, adotou uma política totalmente livre de celulares em suas turnês de 2025 e 2026, utilizando bolsas especiais da empresa Yondr. Já o Iron Maiden não chegou ao ponto de proibir os dispositivos, mas orienta os fãs a não gravarem a turnê “Run For Your Lives”. Recentemente, o guitarrista Teemu Mäntysaari, do Megadeth, também declarou apoio a esse tipo de iniciativa, defendendo uma conexão mais genuína entre artista e público.
Geoff Tate entra no debate sobre celulares em shows
Agora foi a vez do lendário ex-vocalista do Queensrÿche, Geoff Tate, comentar o assunto. Em entrevista ao canal This Day In Metal, o cantor criticou o hábito de fãs que passam apresentações inteiras filmando em vez de aproveitarem o momento. Ao mesmo tempo, deixou claro que não concorda com proibições impostas pelas bandas.
Segundo ele:
“A experiência ao vivo é tão única e tão diferente que é uma pena perdê-la olhando para algo que você pode olhar pelo resto do dia. Vá a um show e mergulhe nele. Mas, ao mesmo tempo, isso depende de cada pessoa. Você não pode simplesmente ditar para todo mundo da plateia: ‘Ok, pessoal, vamos pensar essas coisas. Vamos ouvir desse jeito. Vamos largar o celular. Vamos…’ Não dá pra fazer isso. As pessoas querem vivenciar o que elas querem vivenciar, e também vivenciam aquilo que conseguem vivenciar. Algumas pessoas não querem mergulhar na experiência. Elas querem manter uma certa distância. Paz. Eu, particularmente, gosto de me jogar naquilo, pular, gritar e suar. [Risos]”
A fala do cantor reacende uma discussão que já vem dividindo músicos e fãs há alguns anos. Enquanto parte dos artistas acredita que os celulares prejudicam a atmosfera dos concertos, outros preferem defender a liberdade individual do público.
O episódio polêmico envolvendo Geoff Tate em 2013
Curiosamente, essa não é a primeira vez que Geoff Tate se envolve em uma polêmica relacionada ao uso de celulares em apresentações. Em maio de 2013, durante um show em St. Charles, Illinois, o vocalista pegou o telefone de um fã na primeira fila e o arremessou de volta para a plateia.
Na época, o episódio gerou forte repercussão entre admiradores e veículos especializados. Posteriormente, em entrevista ao programa The Classic Metal Show, o músico minimizou a situação e afirmou que tudo não passou de um mal-entendido.
Segundo ele, o fã em questão participou normalmente do meet & greet após o show e levou a situação na esportiva. Tate ainda afirmou que o caso acabou amplificado por pessoas interessadas em criar conflitos durante o turbulento período de batalhas judiciais envolvendo o Queensrÿche. Assista ao vídeo clicando AQUI.
Bandas apostam em experiências sem celulares
O modelo adotado pelo Ghost se tornou um dos exemplos mais comentados atualmente. A banda sueca passou a utilizar as bolsas da Yondr após realizar dois shows sem celulares em Los Angeles, gravados para o filme-concerto “Rite Here Rite Now”.
A tecnologia funciona de maneira relativamente simples: os fãs mantêm seus aparelhos consigo, mas os dispositivos permanecem lacrados dentro de bolsas magnéticas especiais que só podem ser abertas em áreas autorizadas do local do evento.
Além do Ghost, bandas como Tool também passaram a incentivar experiências semelhantes, pedindo que o público deixe os celulares guardados ao menos até os momentos finais da apresentação.
De acordo com Graham Dugoni, fundador da Yondr, a proposta surgiu para criar “espaços livres de celulares”, permitindo que criatividade, concentração e conexão humana floresçam sem interferências tecnológicas.
“Operation: Mindcrime III” marca novo capítulo da clássica saga
Enquanto comenta temas ligados ao comportamento do público nos shows, Geoff Tate também vive um momento importante de sua carreira solo. O cantor acaba de lançar o álbum “Operation: Mindcrime III”, disponibilizado oficialmente em 3 de maio sob seu próprio nome, sem o selo do Queensrÿche.
O disco funciona como a continuação direta da clássica saga iniciada em “Operation: Mindcrime” (1988) e expandida em “Operation: Mindcrime II” (2006), dois dos trabalhos conceituais mais celebrados da história do Progressive Metal.
Mais uma vez, a trama acompanha Nikki, personagem central da narrativa, um dependente químico transformado em assassino manipulado pelo misterioso Dr. X. Entretanto, desta vez, a história muda completamente de perspectiva. Segundo o próprio Geoff Tate, o novo álbum apresenta os acontecimentos sob o ponto de vista de Dr. X, mostrando “como tudo aconteceu a partir da visão dele”.
Musicalmente, “Operation: Mindcrime III” mantém elementos clássicos do Progressive Metal, combinando passagens atmosféricas, estruturas narrativas complexas, riffs densos e forte apelo cinematográfico.