Gene Simmons no Senado americano: “Ficamos atrás da Rússia, um suposto país liderado por um déspota”

Gene Simmons, icônico baixista, cofundador e vocalista do Kiss, participou na última terça-feira, 9 de dezembro, de uma sessão no Subcomitê de Propriedade Intelectual do Comitê Judiciário do Senado dos Estados Unidos. A audiência tratava do American Music Fairness Act (S.326/HR861), proposta criada para fechar a brecha que ainda permite que rádios toquem músicas sem pagar nada aos artistas.
No depoimento de cerca de sete minutos, Gene Simmons reforçou que a aprovação da lei é fundamental. De acordo com o músico, está mais do que na hora de exigir que as rádios AM/FM paguem royalties a quem realmente detém os direitos das músicas que colocam no ar.
“Obrigado, Sr. Presidente. Fiquei feliz em ver muitos de vocês neste domingo, quando o Kiss, nossa pequena banda, foi homenageado no Kennedy Center pelo Presidente Trump. Tenho orgulho de dizer que conheci o Presidente Trump anos antes de ele entrar para a política. E fico feliz em lembrar a todos aqui nesta sala que o nosso Presidente Trump sancionou a Lei de Modernização da Música em 2018. Esta lei atualizou a proteção dos direitos autorais para a era digital.
O mundo está mudando. Precisamos nos manter à frente das tendências e os legisladores precisam estar informados sobre tudo isso porque, sejamos francos, vocês representam o povo. Nós os elegemos e esperamos que vocês façam a vontade do povo.
Sou grato ao Presidente Trump por sua liderança em questões importantes para nossos artistas, do passado, do presente e do futuro.
Estou aqui para pedir gentilmente a todos vocês, republicanos e democratas, que nos ajudem a remediar uma situação — uma injustiça, vamos chamá-la pelo seu nome, uma injustiça que vem ocorrendo há muitas e muitas décadas. Vou explicar o que quero dizer.
Bing Crosby gravou talvez uma das maiores canções de todos os tempos, ‘White Christmas’. O que poderia ser mais americano do que isso? Composta por Irving Berlin, a música tocou milhões de vezes no rádio, AM e FM — mais tarde em FM; originalmente em AM. Todo Natal, nós, e pessoas ao redor do mundo, ouvimos ‘I’m dreaming of a white Christmas’. Essa é a canção da América. Todos receberam dinheiro — a estação de rádio vendeu anúncios, o encanador que consertou o encanamento recebeu, o DJ recebeu. A única pessoa que nunca recebeu nada pela execução da música foi Bing Crosby, o que é surpreendente.
Quero falar sobre por que isso se chama Lei da Música Americana — você tem que parar por aí — Lei da Equidade na Música Americana. Sim, é uma lei justa porque não há justiça acontecendo agora, mas é música americana. América. Da última vez que verifiquei, o Zimbábue não deu música nenhuma ao mundo. Eu não posso cantar uma música francesa para você, e ninguém mais. É a música americana que domina este planeta. Elvis [Presley], meu bem, o rei. Elvis, que cantou centenas e centenas de músicas, e eu conheci o cavalheiro quando ele estava vivo, e infelizmente Elvis nunca recebeu um centavo por todas as vezes, milhões de vezes que sua música foi tocada ao redor do mundo. Se você for à África… você ouve essa música. Esse é o nosso emissário. É maior, mais legal e melhor do que qualquer ministro das Relações Exteriores que vá para lá. A cultura americana se espalha com a nossa música, com a nossa cultura pop. Elvis nunca recebeu um centavo.
Este projeto de lei, quando for aprovado, porque a palavra ‘se’ é para perdedores… Nós vamos aprovar este projeto de lei. Ele é bipartidário. Vocês farão a vontade do povo porque 70% dos Estados Unidos da América, em uma pesquisa recente, disseram: ‘Queremos que essa injustiça seja corrigida agora e de uma vez por todas’. Chegar perto da linha de chegada não funciona… Estamos falando apenas de rádio AM e FM e de pagar nossos Frank Sinatra, Elvis Presley, Whitney Houston, Celine Dion, até mesmo meu mais novo melhor amigo, George Strait, que é um dos vencedores, um orgulhoso vencedor da Medalha Kennedy. Eu me aproximei de George e começamos a conversar sobre família e ‘de onde você é?’ ‘Sou do Texas’, e eu disse: ‘Sou de Israel. É a mesma coisa, planeta Terra.’ E começamos a conversar e trocar ideias, e eu disse a ele: ‘George, você sabia que uma das suas maiores músicas, ‘Amarillo [By Morning]’, que foi tocada centenas de milhares de vezes em rádios AM e FM, você nunca recebeu um centavo por nenhuma dessas transmissões?’ Ele olhou em volta e disse: ‘Como assim?’ Porque ele canta músicas de outras pessoas. ‘Como assim?’ Ele se virou para seus assessores. ‘Não, é verdade.’ Como você defende isso?
Como ousamos ficar em segundo lugar para a Rússia, um suposto país liderado por um déspota, quando eles pagam melhor o nosso rei do rock and roll, e nós vamos ficar de braços cruzados sem pagar os artistas de hoje e os artistas do futuro? Porque, sejamos francos, nossos filhos são as estrelas de amanhã. Eles vão lutar e batalhar para chegar ao topo, e é muito difícil. E quando você chega ao topo do Monte Olimpo, que fica no centro da América, meu bem — não se iluda; não é na Grécia. Esta é a terra das oportunidades, onde a grandeza é possível… Quando você trabalha duro e chega ao topo, o que você ganha? Dinheiro fácil. Esse não é o jeito americano. Se você é contra este projeto de lei, você não é americano. Você não pode deixar essa injustiça continuar.
Parece um problema pequeno. Há guerras acontecendo e tudo mais, mas nossos emissários para o mundo são Elvis e Frank Sinatra. E aí, quando eles descobrem que não estamos tratando nossas estrelas direito, ou seja, pior do que escravos… Escravos recebem comida e água. Elvis, Bing Crosby e Sinatra não receberam nada por suas apresentações. Vocês precisam mudar isso agora, pelos nossos filhos e pelos filhos dos nossos filhos, e eu sei que vocês vão. O presidente vai assinar isso assim que todos vocês, respeitosamente, se unirem e implementarem isso em todos os setores. Vamos fazer a coisa certa. Deus abençoe a América.”
Michael Huppe, presidente e CEO da SoundExchange também testemunhou. A SoundExchange, é uma entidade sem fins lucrativos escolhida pelo Congresso para administrar e repassar aos artistas os royalties do streaming digital.
Dessa forma, Huppe tem sido uma das vozes mais insistentes, nos últimos anos, na campanha pelo American Music Fairness Act, um projeto de lei apoiado por ambos os partidos que busca colocar as rádios sob as mesmas regras já seguidas por outras plataformas de música que remuneram os artistas.
O paradoxo das rádios americanas: lucros bilionários sem pagar quem faz a música acontecer
Enquanto isso, as emissoras de rádio AM/FM seguem como o último grande canal de difusão musical nos EUA que ainda não paga um centavo aos artistas pelo uso de suas obras. Serviços como Apple Music, Spotify, Pandora, SiriusXM, YouTube e TikTok cumprem sua parte, mas o rádio corporativo continua lucrando bilhões sem dividir o retorno com quem produz a música que toca. Hoje, os Estados Unidos são a única democracia que ainda sustenta essa prática — alinhando-se, nesse ponto específico, a países como Coreia do Norte, Irã e Cuba. Até Rússia e China, que enfrentam críticas constantes por outras razões, remuneram seus artistas com direitos autorais.
Em seguida, assista a sessão na íntegra transmitida pela Fox: