Gene Simmons irá ao senado dos EUA para defender que rádios sejam obrigadas a pagar os artistas para tocar suas músicas

O vocalista e baixista Gene Simmons, figura central do KISS, voltará ao centro do debate público no próximo dia 9 de dezembro, quando prestará depoimento ao Senado americano para defender a remuneração de artistas pela execução de músicas em rádios AM/FM. Ele pretende levar aos senadores um alerta direto: enquanto serviços digitais remuneram criadores, o rádio tradicional continua isento — e isso, segundo ele, coloca em risco a sustentabilidade da indústria musical nos Estados Unidos.

Em conversas recentes, Simmons ressaltou que sua trajetória na música o convenceu de que o atual modelo está certamente ultrapassado. Ele argumenta que grandes conglomerados de rádio acumulam lucros anuais bilionários sem repassar um centavo aos intérpretes, algo que considera indefensável em um mercado que se transformou profundamente desde a ascensão do rock e, mais tarde, do streaming. Para ele, o American Music Fairness Act representa um passo urgente para equilibrar as regras do jogo.

O músico também destacou que a legislação aproxima os EUA do padrão adotado pela maioria das democracias. Países como Reino Unido, Canadá, Alemanha e até economias que os norte-americanos frequentemente criticam, bem como Rússia e China, já remuneram os artistas por execuções no rádio. A ausência dessa prática nos Estados Unidos, segundo Simmons, inclusive enfraquece a competitividade internacional da indústria fonográfica.

A pressão aumenta: artistas e executivos querem virar a chave

Ao lado de Gene Simmons, o Senado ouvirá o presidente da SoundExchange, Michael Huppe, que reforçará como a desigualdade entre plataformas digitais e rádios tradicionais prejudica especialmente artistas em início de carreira. Huppe costuma lembrar que Spotify, Apple Music, YouTube, Pandora, SiriusXM e TikTok repassam royalties, enquanto emissoras terrestres seguem operando sem qualquer obrigação nesse sentido. A lacuna, afirma ele, cria um descompasso evidente entre quem cria e quem lucra.

Outro ponto que deve ganhar força no depoimento de Simmons é a relação histórica entre artistas e o rádio. Durante décadas, a exposição em FM e AM foi vista como investimento promocional, mas, segundo o baixista, esse argumento perdeu validade. Com o avanço das plataformas digitais, as rádios continuam se beneficiando do repertório artístico. Só que elas fazem isso sem contribuir financeiramente para a cadeia que mantém viva a produção musical.

Além disso, Simmons pretende lembrar aos senadores que mais de 300 artistas — incluindo nomes de country, rock, pop e outros gêneros — já assinaram cartas cobrando que o Congresso finalmente feche a “brecha do rádio”. Ele próprio afirma ter vivido o impacto da falta de remuneração desde os tempos em que tocava em bares até a consagração do KISS. Para o músico, ignorar essa desigualdade apenas prolonga um modelo injusto e desalinhado com a evolução do setor.

O American Music Fairness Act, patrocinado por Marsha Blackburn e Darrell Issa, busca obrigar grandes conglomerados a pagar royalties. Simmons enxerga nessa combinação uma solução equilibrada: responsabiliza quem lucra mais e preserva quem realmente depende do rádio como ferramenta local de comunicação.

À medida que o dia do depoimento se aproxima, a pressão aumenta dentro e fora do Congresso. A expectativa é de que Gene Simmons reacenda um debate que dura décadas e empurre o Senado a alinhar o país às práticas internacionais. Para muitos artistas, essa pode ser a oportunidade histórica de corrigir um desequilíbrio que, segundo eles, nunca deveria ter existido.

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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