Geezer Butler aposta na IA para compor seu futuro álbum solo

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Enquanto parte da indústria musical reage com desconfiança à tecnologia, alguns artistas preferem explorar caminhos práticos. Geezer Butler, lendário baixista do Black Sabbath, entrou no debate de forma direta ao revelar que vem usando vocais gerados por Inteligência Artificial como ferramenta criativa em seu processo de composição. Em vez de enxergar a IA como ameaça, o músico a trata como aliada para organizar ideias e acelerar o trabalho.

Ao revisitar composições escritas desde os anos 1980, Geezer encontrou na tecnologia uma solução para um problema antigo: a ausência de um cantor durante o estágio inicial das músicas. Com a ajuda de vocais de IA, ele consegue dar forma às melodias e letras antes mesmo de levá-las a intérpretes humanos. Assim, o baixista apresenta um direcionamento mais claro aos colaboradores, reduz ruídos criativos e ganha objetividade no estúdio.

Essa abordagem ilustra uma postura cada vez mais comum entre músicos experientes, que preferem compreender a ferramenta antes de julgá-la. Para Geezer, a IA não substitui artistas, mas cumpre um papel intermediário, semelhante a um rascunho sonoro. O resultado, segundo ele, é um processo mais fluido, no qual a tecnologia organiza ideias iniciais e os músicos “de carne e osso” assumem o controle criativo nas etapas do processo.

Criatividade, limites e colaboração

A discussão sobre regulamentação segue necessária, especialmente para evitar abusos e crimes digitais. Ainda assim, exemplos como o de Geezer Butler reforçam que a IA pode coexistir com a criação artística quando usada com propósito. Em vez de eliminar empregos ou identidades musicais, a tecnologia pode apoiar tarefas do cotidiano, como pré-produção, testes de arranjos e comunicação de ideias.

O contraste com o método clássico do Black Sabbath também chama atenção. Na banda, a criação nascia de longas jams coletivas, até que um riff se destacasse. Só então Ozzy Osbourne improvisava linhas vocais para que Geezer escrevesse as letras. Hoje, o baixista mantém o espírito criativo, mas adapta o caminho, combinando experiência analógica com recursos digitais.

Esse movimento não apaga o legado do passado nem diminui a força de estilos como heavy metal. Pelo contrário, mostra como artistas veteranos continuam relevantes ao dialogar com o presente. Ao transformar a IA em ferramenta, e não em fim, Geezer Butler sinaliza que a inovação veio mesmo para ficar e aqueles que não souberem o mínimo à respeito ficarão para trás.

Abaixo, a declaração de Geezer Butler sobre o uso de IA numa sessão de perguntas e respostas do Steel City Con:

“O que me segurava antes era não ter um cantor quando estou em casa, mas a IA apareceu. Então, todas as minhas músicas agora estão atualizadas e eu uso um cantor de IA para trazer todas as letras à tona. Assim, posso levar isso aos cantores com quem vou trabalhar e dizer: ‘É isso que eu quero no álbum’. Antes, eu só mostrava um riff de baixo e perguntava se conseguiam cantar em cima. Agora é muito melhor, porque você pode sentar no estúdio, fazer tudo com IA e depois levar para músicos de verdade deixarem a música tomar forma. Isso realmente me ajudou. Muita gente acha que é trapaça.”

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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