Gary Holt detona o Rock Hall Of Fame: “O Judas Priest entrou pela porta dos fundos. O Motörhead deveria estar lá. É um concurso de popularidade”

O Rock And Roll Hall Of Fame voltou ao centro das discussões no universo do Rock e do Heavy Metal. Nos últimos anos, a instituição acumulou críticas de artistas e fãs, principalmente por suas escolhas consideradas controversas. Agora, com o anúncio da indução do Iron Maiden na classe de 2026, o tema ganhou ainda mais força e voltou a dividir opiniões dentro da cena.

Ao mesmo tempo, a polêmica se intensificou quando a própria banda britânica confirmou que não comparecerá à cerimônia, já que estará em turnê pela Austrália. Esse detalhe não passou despercebido e acabou alimentando o debate. Nomes como Gene Simmons, James Hetfield e Bruce Dickinson já haviam se posicionado contra o Hall, questionando critérios e prioridades da instituição.

Nesse contexto, o guitarrista do Exodus e do Slayer, Gary Holt, resolveu entrar na discussão e não economizou palavras ao comentar o assunto durante participação no The Mistress Carrie Podcast.

Críticas diretas e sem filtro

Durante a entrevista, Gary Holt deixou claro que não atribui qualquer importância ao Rock And Roll Hall Of Fame. Com seu estilo direto, o músico afirmou que considera a instituição irrelevante, além de classificá-la como um “concurso de popularidade”.

Além disso, ele criticou a inclusão de artistas de outros gêneros como Rap, Pop e Country, argumentando que muitos deles não possuem ligação direta com o universo do Rock. Para Holt, isso evidencia uma incoerência nos critérios de seleção, especialmente quando bandas fundamentais do Heavy Metal continuam de fora.

O guitarrista também destacou casos emblemáticos, como a ausência de Thin Lizzy, grupo pioneiro nas harmonias de guitarras, enquanto nomes como Missy Elliott e N.W.A. já foram incluídos. Para ele, esse contraste reforça a sensação de injustiça e desvalorização do legado do Metal.

A ausência de gigantes do Metal

Outro ponto levantado por Gary Holt foi a demora em reconhecer bandas essenciais. Ele citou nomes como Motörhead e Judas Priest, ressaltando que muitos artistas influentes só foram introduzidos após anos de espera — e, em alguns casos, por caminhos considerados “alternativos”.

Enquanto isso, bandas como o próprio Iron Maiden seguem lotando estádios ao redor do mundo, mesmo sem o reconhecimento formal da instituição. Esse cenário reforça a crítica de que o Hall falha em acompanhar a relevância real dos artistas dentro do gênero.

Repercussão dentro do Slayer

As declarações de Holt também dialogam com opiniões anteriores de seu colega de banda, Kerry King, do Slayer. Em entrevistas passadas, King demonstrou certo ceticismo em relação ao processo de seleção, embora reconheça que uma eventual inclusão teria valor simbólico.

Ainda assim, ele destacou que a ausência do Slayer na lista de indicados levanta questionamentos sobre os critérios adotados. Afinal, a banda ajudou a moldar o Thrash Metal ao lado de nomes como Metallica, influenciando gerações inteiras.

Diante de tudo isso, fica evidente que o Rock And Roll Hall Of Fame continua sendo uma instituição polarizadora. Enquanto alguns artistas valorizam o reconhecimento, outros — como Gary Holt — enxergam o Hall como algo distante da realidade do Rock e do Heavy Metal.

Com o anúncio envolvendo o Iron Maiden e a ausência da banda na cerimônia, o debate ganha novos capítulos. E, ao que tudo indica, a discussão sobre relevância, critérios e representatividade dentro do Hall está longe de chegar ao fim.

Confira a fala completa:

“Eu, pessoalmente, não estou nem aí, porque o Rock And Roll Hall Of Fame é uma porcaria. Os óbvios entram, e se você teve, sei lá, três sucessos da Motown, praticamente já garante sua vaga. O Iron Maiden ainda lota estádios e não está lá dentro. O Thin Lizzy teve hits. Eles foram pioneiros nas harmonias de guitarras duplas no rock e lançaram álbuns simplesmente lendários. Venderam muitos discos. E provavelmente nunca vão entrar. A Missy Elliott está lá. A porra do N.W.A. está lá, e eles escreveram letras anti-polícia bem pesadas. E acho que eles tinham, o quê? Dois discos? Como diabos eles entram? E o Thin Lizzy não está lá. O Judas Priest entrou pela porta dos fundos. O Motörhead deveria estar lá. É um concurso de popularidade. Eles tiveram que engolir e colocar o Kiss, que deveria ter sido incluído logo de cara.

Eu nunca fui ao museu do Rock And Roll Hall Of Fame em Cleveland. Não tenho nenhuma vontade de ir. É uma merda… Quer dizer, tenho certeza de que há memorabilia incrível para ver lá, mas eu simplesmente — não ligo. É tipo aquela pessoa que vai a Hollywood e fica andando procurando estrelas específicas na Calçada da Fama. Eu não poderia me importar menos.”

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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