Frank Ferrer revela como buscou equilibrar estilos de Steven Adler e Matt Sorum no Guns N’ Roses

O baterista Frank Ferrer, que integrou o Guns N’ Roses por 19 anos, explicou como procurou equilibrar as características de seus antecessores Steven Adler e Matt Sorum durante sua passagem pela banda. Em entrevista ao podcast Drum For The Song, apresentado por Dane Campbell, filho do falecido guitarrista do Motörhead, Phil Campbell, o músico também destacou a contribuição de cada um para a identidade sonora do grupo.
“Já me fizeram essa pergunta antes. Tentei muito encontrar um ponto intermediário, porque os dois bateristas representam eras diferentes do Guns N’ Roses. Tivemos a era do Adler, a era do Sorum e, depois, a era do Brain (Bryan Mantia). A fase do Brain ficou mais definida, porque foi gravada com metrônomo, e a bateria tinha uma abordagem mais progressiva, um pouco mais do que aquilo que Adler e Sorum faziam.”

A influência de Adler e Sorum na bateria de Ferrer
O baterista continuou comparando as abordagens dos dois músicos:
“Adler tinha aquela sensação descontrolada no primeiro disco, que faz você querer levantar e jogar alguma coisa contra a parede. Já Sorum trazia uma base firme e constante. Então, eu tentava ficar em algum lugar entre os dois. Não sei se consegui isso muitas vezes, mas queria aquela sensação funkeada, punk rock, com uma energia no limite, como se tudo estivesse prestes a desmoronar, mas sem perder a sustentação”.
Para Ferrer, “You Could Be Mine” representa o melhor exemplo dessa combinação. Segundo ele, a música já fazia parte do repertório quando Adler estava na banda, mas chegou à gravação com Sorum na bateria.
“Acho que essa música representa a melhor versão dos dois estilos, porque você tem aquela pegada solta, mas também a firmeza ao mesmo tempo. Eu adorava tentar dominar essa combinação. Aquele primeiro álbum do Guns N’ Roses, “Appetite For Destruction”, de 1987… quero dizer, Adler está completamente solto, cara. Aquele disco é arrasador. É muito punk. E então Sorum chega e faz algo como “Locomotive”, que também é arrasadora. A bateria nessa música é absurda: muito firme, funkeada e com uma atitude agressiva”.
Saída do Guns N’ Roses e trajetória na banda
Em julho deste ano, durante uma entrevista à revista Rolling Stone, conduzida por Brian Hiatt, Ferrer comentou sua saída inesperada do Guns N’ Roses, em março de 2025. Na ocasião, afirmou que sabia que sua passagem pelo grupo não duraria para sempre. Ademais, demonstrou gratidão pela oportunidade, acrescentando que agora estava envolvido em outros projetos.
O músico entrou na banda em junho de 2006, inicialmente como substituto temporário de Bryan Mantia. No entanto, acabou se tornando integrante oficial e o baterista com a passagem mais longa pela história do grupo. Sua última apresentação aconteceu em 5 de novembro de 2023, no México. Durante esse período, gravou bateria em cinco faixas de “Chinese Democracy” (2008), último álbum de estúdio do Guns N’ Roses, e participou da parte ao vivo do EP “Hard Skool” (2022). Nas gravações de estúdio desse lançamento, Mantia ficou responsável pelas faixas, assim como nos singles “Perhaps” e “The General”, lançados em 2023.
