Fernando Ribeiro revela crise criativa, inspiração em Nosferatu e o caminho que levou ao novo álbum do Moonspell

Fernando Ribeiro por Silvio Colombo

Fernando Ribeiro, vocalista do Moonspell, abriu o coração ao falar sobre o processo criativo que resultou em Far From God, próximo álbum da banda portuguesa, que chegará às lojas em 3 de julho pela Napalm Records. Em uma nova entrevista ao canal Metal Nation, por Neeka Rogers, o músico revelou que precisou, a princípio, redescobrir sua paixão pela música e pelos temas que sempre marcaram a identidade do grupo antes de conseguir escrever o sucessor de Hermitage, lançado em 2021.

Processo criativo fora do habitual marcou novo lançamento do Moonspell

Segundo Fernando Ribeiro, o processo de criação do disco começou de maneira muito diferente do habitual. O cantor explicou que as grandes inspirações nem sempre surgem quando são procuradas.

“Bem, eu acho que os grandes temas e as grandes transformações nos encontram. Não é uma questão de ‘procure e encontrará’. Às vezes passamos a vida inteira procurando inspiração, e esse foi um momento realmente importante para o Moonspell.”

Em seguida, o músico admitiu que enfrentou um período de dúvidas após o lançamento de Hermitage.

“Depois de Hermitage, para ser honesto, eu não sentia mais que aquilo existia dentro de mim. Eu até queria me dedicar mais à escrita de livros aqui em Portugal. Tenho minha própria editora, Alma Mater Books & Records, que uso para ajudar outras bandas. Também comecei um pequeno negócio de consultoria musical, que é um pouco mais chato, mas também muito necessário. Então precisei me apaixonar novamente por esses temas, porque para mim eles são temas essenciais.”

Embora tenha conseguido reencontrar essa conexão, Fernando afirmou que o processo exigiu paciência.

“Isso foi fácil de certa forma, mas ao mesmo tempo dolorosamente demorado. Levou algum tempo. E as coisas simplesmente começaram a cair no meu colo.”

Importância do clássico “Nosferatu” e profunda reflexão sobre identidade de “Far From God”

Uma das principais fontes de inspiração surgiu através do cinema. O vocalista logo destacou o impacto causado pelo filme Nosferatu, dirigido por Robert Eggers.

“Uma dessas coisas foi o filme Nosferatu, de Robert Eggers. Acho que durante muitos anos as pessoas entenderam mal o que o livro original de Bram Stoker realmente representava. Passamos a ver vampiros de Hollywood, séries adolescentes sobre vampiros e coisas do tipo. Tudo era muito brilhante, divertido e leve, mas a tragédia de Drácula ou Nosferatu simplesmente não estava mais lá. Quando assisti ao filme, pensei: ‘Uau, a estética, a trilha sonora’. Eggers é um grande diretor com The Northman e The Lighthouse, mas acredito que este foi seu melhor filme.”

Além disso, o frontman explicou que a verdadeira essência dessas histórias está muito mais ligada à condição humana do que ao sobrenatural.

“Se você se posiciona como artista, ou músico no meu caso, precisa manter os sentidos abertos para esse tipo de beleza. Foi assim que eu entendi aquilo. Finalmente alguém compreendeu novamente que Drácula ou Nosferatu são apenas um homem e uma mulher. Eles poderiam até fazer um filme sobre uma versão feminina de Drácula. Acho que seria fantástico. Trata-se simplesmente de alguém cuidando da própria vida, cuidando de seu reino ou de sua casa, até que algo trágico acontece e lhe roubam o amor. Então todo o inferno se instala. Isso não é algo sobrenatural nem monstruoso. É algo muito humano. É a necessidade de corrigir as coisas, a necessidade de se sacrificar por amor.”

O cantor também revelou que essa redescoberta influenciou diretamente a direção musical do novo trabalho.

“Fiquei totalmente inspirado por isso, por algumas leituras que fiz e também musicalmente. Voltei a me aproximar dessa mistura entre o Gothic Metal e o metal porque acredito que esse é o caminho.”

De acordo com Fernando Ribeiro, o grupo precisou refletir profundamente antes de definir a identidade de Far From God.

“Houve muita busca interior para este álbum, porque o Moonspell já fez muita coisa apocalíptica, muito Industrial Rock, muita música extrema. Então nos perguntávamos: ‘Para onde vamos agora?’. Acho que foi nesse momento que realmente começamos a escrever, há cerca de um ano e meio. Depois disso, todos os dias encontrávamos um pouco mais do nosso caminho.”

Para ilustrar esse processo, o vocalista utilizou uma metáfora inspirada na escritora canadense Margaret Atwood.

“É como Margaret Atwood diz. Quando ela escreve, é como dirigir um carro à noite usando apenas os faróis. Você não consegue ver o fim da estrada. Mas a cada poucos metros, a cada poucos quilômetros, você passa a enxergar um pouco mais. Acho que essa é uma bela metáfora para descrever também o nosso processo em Far From God.”

“Far From God” já com dois singles disponíveis

O aguardado Far From God chegará ao público em 3 de julho pela Napalm Records. Até o momento, o Moonspell já apresentou duas faixas do trabalho: a música-título Far From God e o single Cross Your Heart, que logo oferecem uma prévia da sonoridade que a banda desenvolveu após anos de reflexão, renovação criativa e redescoberta de suas raízes no Gothic Metal. Confira arte de capa (Eliran Kantor) e tracklist logo abaixo.

  • 01 Cross Your Heart
  • 02 Far from God
  • 03 Biblical
  • 04 The Great Wolf in the Sky
  • 05 Your Promise of Light
  • 06 For the Love of Mortals
  • 07 Our Freedom to Fall
  • 08 Reconquista
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