Fernanda Lira posta vídeo onde MC Oruam afirma que “bandido portando pistola e fuzil é reflexo da sociedade”

Fernanda Lira, vocalista e baixista da banda Crypta, mais uma vez se tornou motivo de polêmica nas redes socias por conta de posicionamentos controversos.

Lira publicou em seus storys no Instagram um vídeo do funkeiro MC Oruam, filho de Marcinho VP, chefe do Comando Vermelho e condenado a 36 anos de prisão em regime fechado por homicídio, mas ainda respondendo por outras condenações — por crimes como associação criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Oruam, o funkeiro filho do traficante, foi inclusive preso este ano e, atualmente, responde pelos seguintes crimes:

  • Tráfico de drogas e associação para o tráfico.
  • Resistência qualificada (oposição à execução de ato de autoridade), desacato a funcionário público, ameaça e dano ao patrimônio público.
  • Lesão corporal contra agente público, ao atirar pedras ou fazer ataques físicos durante uma ação policial.
  • Favorecimento pessoal: abrigar criminoso foragido da Justiça em sua casa.
  • Manobra perigosa em via pública com carteira de habilitação suspensa e corrupção ativa (oferecer vantagem indevida a policial).

As publicações de Fernanda Lira

O vídeo que Fernanda Lira postou de Oruam é este abaixo:

A transcrição é a seguinte:

“28 de outubro de 2025 aconteceu a maior chacina da história do Rio de Janeiro.

Meu nome é Mauro David do Santos Pomoceno, mais conhecido como Oruan. Eu sou filho do Márcio do Santos de Pomceno, mais conhecido como Marcinho VP. Eu sou reflexo da sociedade. Meu pai é reflexo da sociedade e o bandido que tá portando pistola e fuzil também é reflexo da sociedade.

A mídia descobriu que matar bandido vende muito. E essa política é a que mais vende no Rio de Janeiro, no Brasil a política que mais vende é de matar bandido.

Eh, a sociedade ela gosta do banho de sangue. A sociedade gosta de ver o sangue e ela usa o bandido como maior vilão para esconder os verdadeiros bandidos que estão em grandes mansões, que paga o governo todo para não ser visto.

O crime, cara, ele não tá só na favela, não. O crime tá no governo, o crime tá nas câmaras, o crime tá em Brasília.

E o favelado é só o reflexo da sociedade.”

Oruam foi classificado com grau de periculosidade alto ao ingressar no sistema prisional em julho deste ano. A Polícia Civil do Rio de Janeiro concluiu que o cantor é avaliado dessa maneira porque é “declaradamente associado ao Comando Vermelho (CV)”. Segundo a PCERJ, Oruam confirmou sua associação ao CV, faz uso do imóvel onde mora para receber foragidos da Justiça, bem como atentou contra a vida de policiais.

Já era esperado que Oruam tivesse esse tipo de posicionamento, mas não era esperado que Fernanda Lira, de alguma forma, compartilhasse com o funkeiro alguma destas convicções. Por fim, após uma enxurrada de comentários em desaprovação, Lira apagou o post.

Foto: République/@republiqueBRA/X

A megaoperação da última terça feira

Na terça-feira, 28 de outubro de 2025, o estado do Rio de Janeiro desencadeou uma megaoperação de segurança nas regiões do Complexo da Penha e do Complexo do Alemão, com cerca de 2.500 agentes mobilizados para dar cumprimento a mandados contra a facção Comando Vermelho, em mais de 25 comunidades da Zona Norte.

O confronto foi intenso: barricadas adicionais foram erguidas, criminosos lançaram explosivos por drones e áreas inteiras ficaram sob cerco.

Mais de 120 pessoas morreram — a maioria criminosos, além de quatro policiais — segundo o governo estadual. A ação gerou aprovação para muitos, mas também sofreu algumas críticas por sua letalidade e pelo alto impacto sobre moradores locais.

Estado paralelo: o domínio do Comando Vermelho e a resposta policial

As recentes operações policiais em regiões dominadas pelo Comando Vermelho expõem uma realidade complexa e dolorosa: a ausência do Estado abriu espaço para que o crime organizado instaurasse um verdadeiro regime de poder paralelo. Nessas comunidades, os moradores estão submetidos a regras impostas pela facção, que vai muito além do tráfico de drogas. O grupo controla o comércio local, obrigando a população a consumir seus produtos — desde botijões de gás e pacotes de internet até cigarros, carvão e gelo — e ainda impõe “taxas de arrego” aos comerciantes que desejam manter seus estabelecimentos abertos. O domínio sustentado pela força e pelo medo, conta com “tribunais do crime” que decidem o destino de quem desafia suas normas.

Embora as ações policiais despertem críticas e preocupações legítimas sobre abusos e violência, é impossível ignorar o avanço de um projeto criminoso com características claramente expansionistas. O Comando Vermelho atua de maneira organizada, estruturada e com foco em conquistar territórios, substituindo o Estado onde ele é mais ausente. Essa dinâmica cria uma rede de poder que aprisiona a população e dificulta qualquer tentativa de retomada institucional. A omissão, nesse contexto, pode ser ainda mais perigosa do que a ação.

O que antes parecia restrito ao Rio de Janeiro agora ultrapassa suas fronteiras. O Comando Vermelho consolidou células em diversos outros estados, ampliando influência e desafiando as forças de segurança em diversas regiões do país. Se nada for feito, a tendência é que esse domínio continue se expandindo, subjugando comunidades inteiras, assim como corroendo as estruturas estatais. O enfrentamento ao crime organizado, portanto, precisa ir além das operações pontuais: exige políticas públicas consistentes, presença permanente do Estado e uma estratégia nacional coordenada para evitar que o poder paralelo se torne, de fato, o único poder real em muitas partes do Brasil.

Crédito: Mauro Pimentel / AFP
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
5 comentários
  • Roqueiros reaças cobrando de uma roqueira raiz posicionamento politico. O Metal Brasileiro virou um lixo!

    • Reaças? Cobrando? Raiz?
      Rapaz, você pode até saber ler, mas cognição e capacidade de entendimento já não existem mais, né?

    • Os metal brasileiro está um lixo graças a pessoas com titica de galinha na cabeça como vc e essa “careteira”. Faz mais careta do que canta.
      Me poupe!!!
      Roqueira raiz onde? 🤣🤣🤣🤣🤣🤣
      Vai ouvir Anitta cara!

  • Jornalzinjo “metaleiro” reaça espalhando desinformação e opinião travestidos de notícia. Vai arrumar o que fazer, irmão. Mexer um feijão, virar um cimento, uma parada útil!

  • Garanto que ela nunca entrou numa favela do Rio para poder entender o que é

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