Fernanda Lira diz ter profissionalizado as redes após polêmica do pix e atribui hate a ser mulher: “Já recebi ameaça de morte.”

A vocalista e baixista da Crypta, Fernanda Lira, concedeu uma longa entrevista ao Tenho Mais Discos Que Amigos!, publicada em 19 de agosto, na qual falou sobre carreira, bastidores da banda, redes sociais e a relação cada vez mais turbulenta que mantém com parte do público. Entre os assuntos abordados, a musicista relembrou o famoso “cancelamento” de 2023, afirmou que aquele episódio a fez perceber a verdadeira dimensão alcançada por sua figura pública e revelou que, desde então, iniciou um processo de profissionalização de seus perfis.

A entrevista apresenta reflexões interessantes, mas algumas explicações merecem um olhar mais crítico. Afinal, existe uma diferença considerável entre sofrer ataques injustificáveis — algo que evidentemente acontece e deve ser condenado — e transformar praticamente toda reação negativa em consequência da exposição, da incompreensão alheia ou, como Fernanda também argumentou, do fato de ser uma mulher que “desafia a norma”. Quando observamos o histórico recente de suas próprias publicações e das polêmicas em que decidiu entrar, essa explicação começa a encontrar alguns problemas.

Fernanda Lira diz que só percebeu o tamanho de sua figura pública após 2023

Ao falar sobre redes sociais, Fernanda afirmou que nunca teve grande afinidade com esse universo e que o crescimento de sua página aconteceu organicamente, até alcançar mais de 320 mil seguidores. Segundo ela, durante muito tempo foi difícil compreender que já não conversava apenas com amigos e pessoas próximas, mas com uma audiência gigantesca.

A vocalista explicou:

“Eu não sou a maior fã das redes sociais, vou ser bem sincera. Não é uma coisa que eu tenho afinidade, eu sou bem podre até de responder mensagem, mas a minha rede cresceu. Aquelas mais de 320 mil pessoas que estão aqui, eu não me dou conta que existem – eu fiquei pensando, eu falei, sei lá, ‘Quantos Morumbis são isso, cara?’. É um monte de gente! Isso me deixou um pouco preocupada, e tudo foi construído organicamente só por eu dividir minha vida.

Por conta disso, eu falei, ‘Bom, as pessoas se interessam, então deixa eu compartilhar um pouco mais’. Eu costumo dizer que a minha página, a ‘Fefe Metal’… eu sou um universo com muitas Fernandas dentro de mim. Tem muitas coisas que eu quero falar, que eu vivo, que eu sou. E a minha página é um reflexo do meu universo. Por isso que eu não falo só de música. Eu falo de veganismo, eu falo de tarô, eu falo do que é o meu mundo. E se você não gosta daquele conteúdo, calma que uma hora vai chegar o conteúdo que você gosta!

Quando eu fui ‘cancelada’ ali em 2023, uma coisa que é muito importante que as pessoas entendam é que eu tenho uma dificuldade – e meus amigos sabem – de entender a minha proporção como figura pública, do que é a ‘Fefe Metal’ nas redes sociais. Pra mim, eu sou a mesma moleca headbanger de 15, 20 anos atrás, real mesmo. Então, quando eu fui ‘cancelada’, que eu fui linchada publicamente, ali eu entendi. Eu falei, ‘Gente, olha onde chega, olha onde as pessoas estão falando de mim’. Eu não tinha noção.

Pra mim, eu estava me comunicando com os meus amigos – inclusive, daí a minha ingenuidade, da causa do cancelamento, foi por conta disso. Pra mim era uma rede de apoio. Foi uma ingenuidade desse lugar e eu não conseguia enxergar o peso daquilo ali. Depois disso, eu falei, ‘Ah, entendi o tamanho da minha figura pública, não sabia disso’. E a partir dali eu comecei um trabalho para profissionalizar.

Eu sempre fui uma pessoa responsável nas minhas redes sociais, eu acho. Mas a partir dali, eu falei: ‘Eu acho que eu tenho uma responsabilidade maior ainda do que eu imagino’. Do que eu comunico, como eu comunico. Mesmo sem saber ou aceitar a proporção da minha figura pública, eu entendi que existe um impacto naquilo que eu falo, e eu decidi profissionalizar – e ainda tô nesse processo. Gente, eu sou ‘tecnolotia’. [risos] Meus amigos sabem! Eu tenho dificuldade.

Eu fiz um estudo das minhas redes sociais, e tenho agora uma pessoa que trabalha ali comigo pra gente equilibrar o que eu quero falar – que é importante pra mim, ou então eu nem teria rede social – com o que o público quer ouvir de mim.”

O episódio citado aconteceu em julho de 2023, quando Fernanda Lira divulgou uma chave Pix e pediu ajuda aos seguidores para mobiliar sua nova casa. A repercussão negativa cresceu rapidamente nas redes, a musicista voltou ao assunto, pediu desculpas e posteriormente informou ter destinado os R$ 6.817,52 arrecadados à Central Única das Favelas (CUFA).

É possível compreender alguém que subestima inicialmente o tamanho da própria audiência. O problema começa quando essa explicação precisa sobreviver ao tempo. Em 2023, falar em ingenuidade poderia até encontrar algum espaço no debate. Três anos depois, com mais de 320 mil seguidores, estudo das próprias métricas e uma profissional auxiliando na administração da página, o argumento evidentemente já não pode servir como explicação permanente para cada nova repercussão.

Além disso, o chamado “cancelamento” do Pix não surgiu porque uma grande estrutura de mídia resolveu perseguir Fernanda. A reação ganhou força diretamente entre o público, e acabou sendo minimamente repercutida por veículos de comunicação especializados (sim, teve aquela passada de pano descarada!). Na prática, o que houve foi uma relação bastante simples de causa e consequência: uma figura pública fez uma publicação controversa para uma audiência grande e boa parte dessa audiência reagiu negativamente.

Photo: Fred Kuhlman

Profissionalização não significou o fim das polêmicas

Ter alguém auxiliando na administração das redes é uma decisão perfeitamente compreensível — talvez até necessária diante do tamanho alcançado de Fernanda Lira. Entretanto, a profissionalização mencionada na entrevista não significou uma mudança significativa no tipo de assunto que a musicista escolheu abordar.

Depois do episódio do Pix, novas controvérsias continuaram aparecendo.

Em julho de 2025, por exemplo, Jairo Guedz, do The Troops Of Doom, relatou em entrevista uma experiência extremamente desagradável vivida durante um show com outra banda brasileira. Ele não citou a Crypta nominalmente, mas comentários relacionaram o relato ao grupo e a história ganhou repercussão. Fernanda respondeu publicamente, negou as acusações e afirmou que problemas relacionados ao evento decorreram de falhas da produção. Em outras respostas posteriores, porém, reconheceu que um roadie havia tomado uma atitude inadequada durante a apresentação do The Troops Of Doom e que o profissional já não fazia parte da equipe.

Em novembro do mesmo ano, outro debate surgiu quando a baixista publicou mensagens sobre comentários gordofóbicos que vinha recebendo. A questão produziu enorme repercussão porque Fernanda ampliou o assunto para discussões sobre padrões estéticos, sociedade, “patriarcado” e outras questões que fazem parte do tipo de conteúdo político e comportamental que costuma publicar. Pouco antes, em outubro de 2025, outro episódio havia levado seu nome novamente para fora do universo musical. Em meio à enorme discussão provocada pela megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro, Fernanda compartilhou um vídeo de MC Oruam no qual o funkeiro condenava a ação da polícia e aliviava o discurso para os criminosos. Mais uma vez, a publicação gerou forte reação negativa e, com a quantidade enorme de comentários desaprovando, desapareceu dos stories da musicista.

Nenhum desses assuntos caiu acidentalmente no colo de Fernanda Lira. Foram discussões nas quais ela decidiu entrar. E não existe qualquer problema em fazer isso. Mas existe uma contrapartida elementar: quem entra voluntariamente em temas controversos também abre espaço para contestação.

O curioso silêncio durante a turnê com o Slaughter To Prevail

Talvez o contraste mais interessante tenha surgido em 2026.

Em março, a Crypta apareceu entre as bandas escaladas para diversas apresentações europeias ao lado do Slaughter To Prevail, grupo de Deathcore liderado por Alex Terrible. A confirmação provocou cobranças de parte do próprio público da banda brasileira, principalmente porque Fernanda Lira construiu durante anos uma presença digital marcada por manifestações políticas e críticas bastante contundentes a determinados grupos e ideologias.

O histórico de Alex Terrible possui controvérsias reais e documentadas. O vocalista já exibiu no corpo símbolos como o Black Sun e a runa Othala, ambos utilizados historicamente em contextos ligados ao nazismo e posteriormente apropriados por grupos supremacistas. Também reconheceu ter convivido no passado com pessoas ligadas à tal ideologia. Traduzindo: o histórico controverso existe e o próprio músico atualmente precisa respondê-lo.

É justamente aí que surge uma questão de coerência.

Quando a participação da Crypta nesses shows foi divulgada, houve cobranças para que a banda explicasse como conciliava aquela oportunidade profissional com os posicionamentos políticos frequentemente apresentados por sua vocalista. Em março, quando a discussão começou, não havia um posicionamento público detalhado de Fernanda sobre o assunto, e o próprio flyer da excursão não aparecia no perfil oficial da banda naquele momento.

As apresentações aconteceram. Durante esse período, não localizamos uma manifestação pública de Fernanda Lira enfrentando diretamente a questão que havia sido levantada meses antes. E aqui está um contraste difícil de ignorar: para falar de uma operação policial no Rio de Janeiro, compartilhar MC Oruam, comentar política, veganismo, padrões de beleza ou entrar em outros assuntos espinhosos, as redes funcionam como espaço de manifestação pessoal. Quando a controvérsia envolve uma oportunidade profissional importante para a própria banda, o silêncio aparentemente também se torna uma opção.

Isso não significa que tocar com Slaughter To Prevail torne a Crypta responsável pelas opiniões ou pelo passado de Alex Terrible. Não torna. Bandas dividem turnês e festivais sem necessariamente compartilhar valores, ideias ou visões políticas. Mas justamente por isso seria interessante ouvir essa explicação de alguém que frequentemente cobra posicionamento e coerência em questões envolvendo terceiros.

Nesse caso, a profissionalização das redes parece ter funcionado muito bem.

Reprodução/Facebook

“Quando essa pessoa é uma mulher, o hate dobra”

Outro trecho da entrevista merece ainda mais atenção. Segundo Fernanda Lira, parte considerável da hostilidade direcionada a ela decorre do fato de ser uma mulher em posição de destaque dentro de um ambiente majoritariamente masculino.

Ela afirmou:

“É preciso entender que qualquer pessoa que estiver em destaque vai receber hate. Quando essa pessoa é uma mulher, o hate dobra. Ainda mais quando é uma figura pública que é uma mulher em um meio historicamente predominantemente masculino, e ainda mais quando é uma pessoa que, além de tudo isso, ainda dá uma desafiada na norma. E eu não faço de propósito! Eu uso rosa, eu sou de esquerda… é quem eu sou, gente, o que eu posso fazer? Eu nasci assim, cresci assim. Só que é isso: é vegana, não bebe… isso é diferente do estereótipo, da norma ‘não-oficializada’ mas muito vigente do Metal.

Ainda estou no processo de separar quem eu sou, a Fernanda Lira que está aqui com meus amigos, e quem sou como Fernanda Lira que as pessoas criaram no imaginário delas. Aí eu entendi que o hate que eu recebo é por conta dessas várias camadas de exposição e de personalidade, de transparência. Não é fácil. Não vou falar que é fácil. Não é facil. Você vê muita gente que não te conhece, que você nunca fez nada, que você nunca viu, criando teorias sobre você, te xingando, ofendendo, criando material pornográfico com você nas redes – porque isso existe, e é uma coisa que eu vou falar mais com o tempo.

É difícil porque você fala, ‘Poxa, cara, você nunca trocou uma ideia comigo’. Eu não sou esse monstro, sabe? Acho que qualquer pessoa que recebesse esses comentários… poxa, os meus amigos, familiares, companheiros, veem ali o que falam e todo mundo fica mal junto comigo porque é complicado, é pesado. Não é só tipo, ‘Ela é chata, feia e boba’; eu já recebi ameaça de morte. Não é fácil. Mas eu aprendi a separar, entender por que existe esse hate, entender que a pessoa com um destaque vai estar ali e, quando é mulher, é pior ainda. Mulher que se posiciona, então, pior ainda.”

Aqui precisamos fazer uma separação que frequentemente desaparece nesse tipo de discussão: hate e crítica não são sinônimos. Se alguém ameaça Fernanda Lira de morte, cria material pornográfico envolvendo sua imagem, profere ataques sexistas ou a ofende simplesmente pelo fato de ser mulher, é ataque pessoal, ponto.

Mas reconhecer isso não obriga ninguém a aceitar a explicação de que ser mulher seja o principal motivo para a enorme quantidade de críticas que ela recebe. São coisas completamente diferentes.

Ser mulher não explica, por si só, a rejeição

A própria realidade da cena enfraquece esse argumento.

Mulheres ocupam posições de enorme destaque no Rock e no Metal há décadas e muitas delas construíram relações extremamente positivas com públicos majoritariamente masculinos. Doro Pesch, Girlschool, Leather Leone, Lita Ford, Angela Gossow, Tarja Turunen, Floor Jansen, Alissa White-Gluz, Lzzy Hale, Nita Strauss, Simone Simons, Cristina Scabbia e inúmeras outras não se tornaram figuras respeitadas por acaso. Tornaram-se respeitadas porque apresentaram trabalhos que conquistaram seus respectivos públicos.

No Brasil, basta observar nomes como Mayara Puertas, Prika Amaral, Tainá Bergamaschi, Luana Dametto, Mizuho Lin, Adriana Tavares, Angelica Burns, Dani Nolden e Marina LaTorraca. Nenhuma dessas musicistas, incluindo as companheiras de banda de Fernanda, recebem o mesmo tratamento que ela recebe,

Isso significa que nenhuma dessas mulheres jamais recebeu um comentário machista? Evidentemente não. O que significa é algo muito mais simples: ser mulher não determina necessariamente uma recepção negativa dentro da comunidade Metal.

Quando alguém recebe críticas depois de compartilhar um vídeo de MC Oruam em meio a uma discussão nacional sobre segurança pública, por exemplo, o motivo imediato da reação está diante dos olhos: a publicação.

Em uma discussão envolvendo Jairo Guedz, existe um episódio específico sendo debatido.

Quando aparece a controvérsia do Pix, existe uma atitude concreta que provocou a repercussão.

Se fãs questionam a coerência de excursionar com Slaughter To Prevail, existe novamente uma decisão concreta sendo discutida.

Reduzir esse histórico a “sou mulher, estou em destaque e desafio a norma” não responde às críticas. É apenas uma explicação conveniente.

O problema não é usar rosa, ser vegana ou não beber

Há outro ponto curioso na declaração. Ao explicar por que acredita incomodar determinados setores, Fernanda cita características como usar rosa, ser vegana, não beber e ser de esquerda, como se esse conjunto representasse uma espécie de afronta ao estereótipo vigente no Metal.

Mas será realmente isso que provoca a maior parte das reações?

É difícil encontrar qualquer grande controvérsia envolvendo Fernanda Lira simplesmente porque ela apareceu usando rosa. Também não parece existir uma onda permanente de indignação porque a musicista não bebe álcool. E dificilmente centenas de milhares de pessoas acompanham suas redes preocupadas em fiscalizar se ela come carne. O que frequentemente gera repercussão são publicações muito mais específicas e incisivas.

Existe uma diferença enorme entre “eu sou de esquerda” e utilizar uma plataforma com centenas de milhares de seguidores para publicar opiniões políticas constantemente. Assim como existe diferença entre “sou vegana” e transformar determinadas questões relacionadas ao tema em militância. A pessoa possui direito absoluto de fazer ambas as coisas. Entretanto, quanto mais contundente for o discurso, maior será também a quantidade de pessoas dispostas a contestá-lo. Isso não é perseguição. É a dinâmica básica de qualquer debate público.

Reprodução/Divulgação

O combo perfeito para uma página permanentemente polarizada

Talvez a explicação para a quantidade de conflitos em torno de Fernanda Lira seja muito menos complexa do que aquela apresentada na entrevista.

Sua página mistura música, política, veganismo, comportamento, espiritualidade, questões sociais, debates sobre segurança pública e opiniões pessoais bastante incisivas. Tudo isso diante de mais de 320 mil seguidores, dentro de uma internet cada vez mais dividida e movida por conteúdos que despertam reações emocionais. É um combo explosivo para engajamento.

Quando uma pessoa escolhe abordar repetidamente temas de grande polarização, cria uma audiência igualmente polarizada. Alguns concordam, outros discordam, uma parcela reage de maneira racional e outra desce para o ataque pessoal. Depois de anos repetindo essa dinâmica, torna-se difícil explicar cada nova controvérsia como uma surpresa ou simplesmente como resultado de intolerância contra aquilo que Fernanda representa.

Existe também aquilo que ela própria publica. E talvez seja justamente essa parcela de responsabilidade que esteja faltando em algumas das explicações apresentadas na entrevista.

Criticar não significa defender hate

Também é importante não cair na armadilha inversa.

Explicar por que uma figura pública recebe tantas críticas não significa legitimar ameaças, ataques, montagens pornográficas, perseguição ou qualquer outro comportamento criminoso ou degradante.

Quem ameaça Fernanda Lira está errado. Se alguém a ataca simplesmente por ser mulher, isso também está errado. Quem transforma discordância política em ofensa pessoal está igualmente errado.

Mas alguém pode reconhecer tudo isso e, simultaneamente, questionar seus posicionamentos, apontar contradições, criticar publicações e cobrar coerência.

Uma coisa não anula a outra.

Na verdade, misturar deliberadamente essas categorias beneficia apenas quem deseja escapar do debate. Se toda crítica começa a ser colocada no mesmo pacote de uma ameaça de morte ou de um ataque pessoal, torna-se praticamente impossível contestar qualquer coisa que uma figura pública faça sem ser automaticamente classificado como “hater”. E esse raciocínio também precisa ser rejeitado.

Profissionalizar as redes também significa assumir causa e consequência

A parte mais interessante da fala de Fernanda Lira talvez seja justamente quando ela reconhece que finalmente percebeu possuir uma responsabilidade maior sobre aquilo que comunica. Esse é um ponto bastante razoável.

Uma página com 320 mil seguidores deixou há muito tempo de funcionar como uma conversa entre amigos. Existe alcance, influência, repercussão e, consequentemente, responsabilidade. Mas responsabilidade não significa apenas escolher melhor as palavras ou contratar alguém para ajudar a administrar publicações. Também significa assumir que determinadas escolhas provocam determinadas respostas.

Se você publica sobre política, será contestado politicamente.

Ao entrar em uma discussão sobre segurança pública, encontrará pessoas com interpretações completamente opostas.

Se acusa comportamentos, será cobrado sobre os próprios.

Ao transformar coerência ideológica em critério para analisar outras pessoas, mais cedo ou mais tarde alguém utilizará exatamente o mesmo critério para analisar você.

Talvez esse seja o ponto que a entrevista ainda não consiga resolver. A profissionalização das redes pode ajudar a administrar crises. Mas nenhuma estratégia de comunicação altera uma regra bastante antiga e muito anterior aos algoritmos: quem escolhe entrar constantemente no debate público também precisa estar preparado para ter suas próprias ideias, decisões e contradições colocadas em debate.

Photo: Juan Barreto, Getty Images
Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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