Fantom lança “Breathtaking…” e nos brinda com um Thrash ousado, criativo e cheio de identidade

A novata Fantom segue consolidando seu nome dentro do underground europeu com o lançamento de “Breathtaking…”, primeiro álbum completo da banda polonesa. Formado em 2023 na cidade de Toruń, o quarteto rapidamente chamou atenção no EP “Regime Of Chaos”, trabalho que apresentou o chamado “Toroonyan Style”. Trata-se de uma proposta que mistura Thrash Metal clássico, intensidade crua e uma postura marcada pela energia juvenil. Agora, pouco mais de um ano depois, o grupo dá um passo importante ao apresentar um disco mais elaborado e ousado.
Lançado em 1º de maio pela Defense Records, o novo trabalho reúne 11 faixas distribuídas em cerca de 58 minutos. Diferente da abordagem direta e acelerada do material anterior, “Breathtaking…” aposta em construções mais extensas, mudanças de andamento e composições carregadas de detalhes. Em vez de permanecer preso à fórmula tradicional do gênero, a banda amplia suas possibilidades sonoras e demonstra maturidade logo em seu primeiro registro de longa duração.

Um debut que vai além da velocidade
Ao longo do álbum, o Fantom evidencia uma identidade cada vez mais própria. Faixas como “Breathtaking Aggression” revelam o peso e a agressividade característicos do grupo, enquanto “Wooded Weapons” explora caminhos mais técnicos e dinâmicos. Já “58 Megatons” chama atenção pela complexidade estrutural, riffs inspirados na escola clássica do Thrash Metal e referências que remetem ao trabalho técnico de bandas como Megadeth, especialmente na fase do clássico “Rust In Peace”, com um riff que lembra bastante “Take No Prisioners”.
A segunda metade do disco mantém o nível elevado e ainda reserva momentos bastante expressivos. “Blackout Protocol” reforça o lado mais imprevisível da banda ao combinar peso, mudanças de andamento e atmosferas densas. Na reta final, “Heavy Chest” adiciona ainda mais intensidade ao repertório, preparando terreno para “Final Breath”, encerramento forte e energético que evidencia a ambição criativa do quarteto. Esses momentos ajudam a consolidar a proposta dinâmica do álbum e demonstram que a Fantom procura ir além das convenções mais tradicionais do gênero.
Além do direcionamento musical mais ambicioso, o disco também destaca a evolução individual de seus integrantes. Kacper “Catsper” Śmigielski assume vocais e guitarra com segurança, enquanto Filip “Sadus” Sadurski contribui com linhas afiadas e grande variedade de riffs. A cozinha formada por Jakub “Kalisz” Kaliszewski e Karol “Karv” Szarszewski sustenta o álbum com intensidade e dinamismo, permitindo que as músicas transitem entre momentos velozes, passagens técnicas e atmosferas mais imprevisíveis.
Um futuro promissor pela frente
No geral, “Breathtaking…” apresenta um jovem talento emergindo do underground polonês com um potencial extremamente promissor. Em alguns momentos, o quarteto ainda exagera em determinadas ideias e demonstra que possui espaço para amadurecimento, algo absolutamente natural quando falamos de um primeiro álbum completo.
Ainda assim, o saldo permanece bastante positivo. Com criatividade, ambição e disposição para fugir de fórmulas engessadas, a Fantom surge como uma das bandas mais capazes de trazer novas possibilidades ao Thrash Metal, estilo que muitos consideram já saturado em termos de inovação.

