Europe explica por que se recusou a viver apenas de nostalgia após retorno: “Precisávamos criar música nova”

Foto de May Carrion

Poucas músicas representam tão claramente os anos 1980 quanto The Final Countdown. O sucesso transformou o Europe em uma banda conhecida mundialmente, mas também criou um problema que acompanha muitos artistas veteranos: como seguir em frente quando uma parte gigantesca do público está interessada principalmente naquilo que você fez décadas atrás?

Quando o Europe retomou suas atividades em 2004, seus integrantes tomaram uma decisão consciente. A banda não voltaria simplesmente para reproduzir os grandes sucessos dos anos 1980 indefinidamente.

Em entrevista ao We Go To 11, o baterista Ian Haugland explicou que o grupo precisava de uma razão artística para continuar existindo.

“Decidimos que não nos tornaríamos uma atração nostálgica, dependendo apenas do material dos anos 80 e dos grandes hits.”

A solução foi simples no conceito, embora muito mais difícil na prática: o Europe precisaria continuar compondo, experimentando e permitindo que sua música evoluísse.

Europe não queria virar uma banda de nostalgia

A reunião aconteceu depois de mais de uma década afastados dos palcos.

Em vez de retomar exatamente do ponto em que havia parado com Prisoners In Paradise, de 1991, o grupo lançou Start From The Dark em 2004.

O álbum surpreendeu parte dos fãs porque apresentava uma banda consideravelmente diferente daquela associada à estética mais polida de The Final Countdown e Out Of This World.

A guitarra ganhou peso, as composições ficaram mais escuras e as influências dos anos 1970 apareceram com maior clareza.

Segundo Haugland, isso não aconteceu por uma estratégia comercial calculada. O Europe simplesmente decidiu deixar a música conduzir sua trajetória, permitindo que diferentes estilos e ideias entrassem naturalmente nas composições.

Essa filosofia passou a orientar discos como Secret Society, Last Look At Eden, Bag Of Bones, War Of Kings e Walk The Earth.

O resultado foi uma segunda carreira que já dura mais de duas décadas.

As raízes continuam nos anos 70

Apesar da transformação, Ian Haugland não considera que o Europe tenha abandonado sua identidade.

Segundo o baterista, as raízes do grupo sempre estiveram profundamente ligadas ao Hard Rock britânico dos anos 1970.

Deep Purple, Rainbow, Thin Lizzy e Black Sabbath continuam aparecendo como referências fundamentais, especialmente na fase mais pesada construída após a reunião.

Isso também explica por que as músicas recentes conseguem conviver naturalmente com os antigos sucessos durante os shows.

Faixas mais pesadas do período atual aparecem no mesmo repertório de Rock The Night, Carrie ou The Final Countdown sem transformar a apresentação em duas bandas completamente diferentes.

Para Haugland, existe uma assinatura comum atravessando essas eras: melodias fortes, peso e dinâmica.

Come This Madness reúne passado e presente

Essa filosofia deverá aparecer novamente em Come This Madness, 12º álbum do Europe, previsto para 25 de setembro.

O disco encerra um intervalo de nove anos desde Walk The Earth, lançado em 2017. Curiosamente, a demora não aconteceu por falta de material.

Durante esse período, a banda continuou excursionando constantemente pela Europa, Ásia e América do Sul, enquanto novas ideias de músicas se acumulavam.

O tempo acabou se tornando uma vantagem.

Haugland explica que a banda pôde voltar repetidamente às composições, reavaliar arranjos e selecionar apenas aquilo que considerava realmente forte.

Por isso, ele acredita que o processo de composição evoluiu consideravelmente.

O álbum combinará melodias associadas ao Europe dos anos 1980 com o peso desenvolvido pelos discos posteriores à reunião.

“É o velho e o novo.”

Essa definição talvez explique melhor o caminho escolhido pela banda nos últimos 22 anos.

O objetivo nunca foi fingir que The Final Countdown não existiu. Tampouco viver exclusivamente dele.

Um álbum construído ao longo de quase uma década

Come This Madness começou a tomar forma durante os anos seguintes a Walk The Earth.

O longo intervalo permitiu que Joey Tempest, John Norum, John Levén, Mic Michaeli e Ian Haugland trabalhassem sobre uma grande quantidade de ideias antes de definir o repertório definitivo.

A produção ficou nas mãos de Tom Dalgety, conhecido por trabalhos com Ghost, Opeth, Rammstein e The Cult, enquanto Mike Fraser, que possui no currículo nomes como AC/DC, Van Halen e Metallica, assumiu a mixagem.

O álbum também contará com participações de Tobias Forge, do Ghost, e Mikael Åkerfeldt, do Opeth.

Os singles One On One e The Cult Of Ignorance já apresentaram parte dessa proposta: melodias imediatamente reconhecíveis convivendo com uma abordagem mais encorpada e contemporânea.

Ainda assim, Haugland garante que existem diversas ideias que ficaram de fora.

Isso significa que o próximo álbum talvez não demore outros nove anos.

The Final Countdown continua lá — mas não controla mais o Europe

Existe uma ironia interessante no momento atual.

Enquanto prepara um álbum que reafirma sua decisão de não viver de nostalgia, o Europe também se prepara para celebrar os 40 anos de The Final Countdown com uma turnê comemorativa.

Não existe necessariamente contradição.

A banda reconhece o tamanho de seu passado e continua tocando as músicas que transformaram sua carreira. A diferença está em não permitir que esse passado seja sua única justificativa para continuar existindo.

Desde 2004, o Europe lançou seis discos de inéditas e transformou sua sonoridade de maneira significativa.

Agora, Come This Madness deverá novamente conectar esses dois lados.

Quarenta anos depois de seu maior sucesso, a banda continua tocando The Final Countdown.

Mas continua igualmente interessada em descobrir qual será a próxima música.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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