Entrevista: Frank Blackfire (Sodom)

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Em um ano absolutamente atípico onde, além da pandemia, tivemos de tudo um pouco e, basicamente, as únicas coisas que faltaram acontecer foram a chegada do meteoro e a invasão alienígena, a música mais do que nunca foi nossa válvula de escape. E nesse quesito não podemos reclamar, já que lançamentos de peso não faltaram.

Para dar as boas vindas a todos vocês que estão acessando nosso site pela primeira vez, queríamos fazer uma entrevista com um músico que fosse referência na cena mundial e que fizesse parte de uma banda importante. Mas mais do que isso, o nosso escolhido faz parte de uma banda que está às vésperas de lançar seu mais novo disco e, certamente, podemos afirmar que é um dos mais aguardados do ano.

O Sodom é daquelas bandas que qualquer tipo de elogio se torna redundante. Desde o início de sua trajetória até hoje, os alemães sempre foram fieis as suas raízes. Em determinados momentos, gravaram registros essenciais para o desenvolvimento e maturação do Thrash e é quase impossível falar do estilo sem mencionar tais álbuns. Em 2018, o vocalista e baixista Tom Angelripper resolveu reformular o Sodom, modificar a estrutura de trio e passar a ser um quarteto, contando agora com duas guitarras. Uma mudança no line-up em específico chamou bastante a atenção de todos, já que o guitarrista original dos clássicos “Persecution Mania” e “Agent Orange” está de volta à banda.

Frank Blackfire retornou ao seu posto após quase 30 anos e foi com ele que o Mundo Metal conversou para saber um pouco mais sobre esta volta e, é claro, alguns detalhes sobre o novo álbum, “Genesis XIX”, que está sendo lançado nesta sexta feira, 27 de novembro, via Nuclear Blast.



Mundo Metal: Frank, você gravou álbuns absolutamente icônicos do início do Thrash Metal. Discos como “Persecution Mania”, “Agent Orange” e “Coma Of Souls” (Kreator), hoje em dia são ovacionados como alguns dos melhores do gênero em todos os tempos. Como é olhar para trás e saber que você fez parte de momentos tão importantes?

Frank Blackfire: “Bom, olhando para trás, quando eu comecei com o Sodom, eu era um moleque de 20 anos que realmente adorava aquele tipo de música, adorava tocar guitarra e sempre deu o melhor de si para que a banda crescesse cada vez mais, eu adorava tocar ao vivo, eu pirava com tudo aquilo e o resultado de toda essa entrega apareceu com o passar dos anos e foi esse que você mencionou.”

Mundo Metal: Temos muitos fãs mais jovens hoje em dia que estão acostumados com a tecnologia atual. Internet, smartphones, streaming e velocidade na informação. Conta um pouco pra esse público mais jovem como era a cena Metal nos anos 80 e 90.

Frank Blackfire: “Quando eu comecei a tocar a gente gravava em vinil, ainda existia a fita cassete e muitas pessoas gravavam do vinil para o cassete. Eu, por exemplo, emprestava meus LP’s para que meus amigos pudessem gravar em fita. Não tinha internet nem nada disso, então a gente trocava material, cada um se virava como podia (risos). Mais tarde, surgiu o CD, então a gravação de CD para cassete ficava muito melhor, com muito mais qualidade. Também havia gente que gravava as músicas dos programas de rádio. Era assim que descobríamos novas bandas de Metal. Se você tivesse um amigo que tivesse discos de bandas novas de Metal, você pedia para que eles gravassem para você. Se você pudesse, você mesmo poderia ir até uma loja e comprar os lançamentos em vinil ou cassete, mais tarde em CD. E era assim que funcionava. Sempre tinha alguns mais espertos que tinham muitos lançamentos, então você chegava e pedia, ‘me grava uma fita?’ e, assim, conseguíamos ouvir as bandas novas. (risos)”.

Mundo Metal: Você retornou ao Sodom após quase 30 anos, como aconteceu este retorno? Você pode nos dar uma idéia de como foi sua conversa com Tom Angelripper?

Frank Blackfire: “No final de 2017, o Sodom fez um show de 35 anos de aniversário da banda e eu participei como convidado, havia outros convidados, é claro, e foi muito legal, pois a banda tocou várias músicas com duas guitarras e o público gostou muito desse show com os ex-integrantes participando como convidados. Em 2018, em janeiro, eu estava dando aula de guitarra e um amigo chegou contando: ‘já sabe da novidade?’ eu disse que não, então ele disse, ‘o Tom se separou do Bernemann e do Makka’, eu pensei, ‘sério? Eu mal acreditei, achei que eles se dão tão bem’, fiquei surpreso, mas eu deixei pra lá e continuei o meu trabalho. Aproximadamente duas semanas depois disso, recebi uma mensagem do Tom Angelripper através do Facebook, ele me contatou pelo Messenger e me perguntou se eu queria voltar para o Sodom e eu respondi, “claro que sim, eu vou”. Aconteceu assim, foi bem simples.”

Mundo Metal: Como é estar de volta a banda depois de tanto tempo? O que mudou e o que continua a mesma coisa?

Frank Blackfire: “Depois de 29 anos, cada um de nós mudou, evoluiu, ficou mais velho, mais calmo, mais experiente, cada um muda do seu jeito. A banda está muito boa, o clima está muito legal e a gente se diverte muito, rimos pra caralho cada vez que nos encontramos (risos). O que é igual, ou melhor, quase igual, é a nossa sala de ensaio. Por que ela fica a 50 metros de distância da outra sala de ensaio que nós usávamos nos anos 80, isso é muito estranho (risos). Realmente, estamos ensaiando quase no mesmo lugar que ensaiávamos nos anos 80, em uma fábrica velha que se transformou em quartos que hoje são estúdios de ensaio. O clima na banda está realmente muito legal.”

Mundo Metal: Antes do lançamento de Genesis XIX, o Sodom gravou 3 EP’s entre 2018 e 2019, pode-se dizer que vocês estavam “afiando as espadas” ou tem algum outro motivo para não ter gravado um novo full imediatamente?

Frank Blackfire: “Sim, é verdade, estávamos afiando as espadas (risos) Na verdade, com o novo line-up, primeiro nós estávamos em uma rotina de ensaios, ensaios e mais ensaios, depois tocamos em vários festivais, fizemos uma turnê, gravamos o EP “Partisan”, que os fãs receberam muito bem. Depois nós continuamos com shows, festivais, depois gravamos o EP “Out Of The Frontline Trench”, que tem a música “Genesis XIX”, e que foi também uma espécie de adiantamento para o álbum novo. e como tocamos bastante ao vivo, não conseguimos gravar o álbum em 2019. Mas em 2020, como não houve shows e nem nada, tivemos bastante tempo para concluir o “Genesis XIX”.”

Mundo Metal: Em “Persecution Mania” e “Agent Orange”, o Sodom era um trio e você era o único guitarrista, agora, como um quarteto, você tem um parceiro nas guitarras, Yorck Segatz. Este é o melhor formato para uma banda de Thrash? O que muda pra você?

Frank Blackfire: “Bom, tocar com duas guitarras dá mais poder a guitarra. Dá para tocar com uma guitarra só, como quando eu toquei no Sodom nos anos 80, funcionou, mas ao vivo é que pode haver problemas, se você tem problemas técnicos com uma guitarra, não terá som nenhum desse instrumento. Se você tem duas guitarras, ainda tem mais uma para ajudar. Eu acho melhor sim, para o Thrash Metal mais pesado é melhor que haja duas guitarras, pois da mais poder e peso a banda.”

Mundo Metal: Aqui no Brasil, o Sodom é visto como a banda que nunca fugiu de suas raízes e, por isso, é a banda alemã que você pode comprar um disco novo sem ouvir uma faixa sequer. A banda sempre mantém uma linha coesa. O que você tem a dizer para os fãs que tem esse mesmo pensamento e estão esperando ansiosamente por “Genesis XIX”?

Frank Blackfire: “O disco “Genesis XIX” é bem raiz, é bem old school e é bem anos oitenta. A gente tentou captar aquelas vibes dos anos 80 para gravar o disco. Como eu toquei no Sodom de 86 a 89, mesmo não tendo tocado desde o início da banda, eu toquei nos principais discos que a banda lançou em sua carreira. Então, tentamos capturar aquelas vibes e sentimentos dos anos 80 e mesclar com as tecnologias sonoras de agora, e em minha opinião, tudo funcionou muito bem.”

Mundo Metal: Como foi o processo de composição e gravação do novo álbum? Percebemos que nele há algumas músicas mais longas, com 7 e 6 minutos de duração. É uma tendência com a nova formação?

Frank Blackfire: “No novo álbum, nós dividimos as composições na metade. Mais ou menos metade das músicas são minhas e metade é do Yorck. Outro lado positivo de ter dois guitarristas é que temos bastante ideias e podemos juntar tudo, é melhor do que quando temos ideias de um único guitarrista. No processo de compor músicas novas, eu e o Yorck temos maneiras diferentes de compor e aí juntamos tudo nos ensaios, e por isso também há composições um pouco mais compridas, como, por exemplo, a canção “Waldo & Pigpen”, que tem uma intro que eu compus em separado, depois compus o restante da “Waldo & Pigpen”, e achamos que combinou colocar tudo junto, e foi por isso que ela ficou bem mais longa. Há outras faixas que são mais longas também e outras um pouco mais curtas, mas desta vez, realmente não fizemos tantas músicas com cerca de 3 minutos, mas foi algo natural e, talvez no futuro, nós iremos fazer mais músicas curtas novamente, daquelas bem rápidas e diretas.”

Mundo Metal: Frank, sabemos que você tem uma ótima ligação com o Brasil. Conte-nos um pouco mais sobre como esse vínculo aconteceu.

Frank Blackfire: “Bem, eu fui para o Brasil pela primeira vez em 1992 com o Kreator, em uma turnê que também incluía Argentina e Chile. Em 1994, fizemos uma outra turnê, a qual também incluía a Venezuela e o Chile. Nessas visitas, eu gostei muito do Brasil e, a partir daí, fui para aí várias vezes para tirar férias. De 2000 a 2006, eu até morei no Brasil, e nesses seis anos, aprendi o idioma de vocês e posso dizer que gosto muito do Brasil, é como se fosse a minha segunda terra. A gente não sabe ainda quando vão ser retomados os shows, mas nós queremos tocar no Brasil o mais rápido possível. Eu sei que não tem uma previsão ainda, mas espero que todos fiquem saudáveis e espero que acabe logo essa pandemia”.

Mundo Metal: Frank, muito obrigado pela entrevista, deixamos o espaço aberto para que você deixe uma mensagem aos seus fãs.

Frank Blackfire: “À todos os fãs do Brasil, eu sei que o Sodom ainda não passou por aí com esse novo line-up, infelizmente, não tinha produtor, acabou não rolando, mas quero que saibam que estávamos tentando. E agora que veio essa crise (pandemia), não temos shows ao vivo, por isso gravamos o álbum e espero que vocês gostem dele. Tomara que acabe logo esse lockdown e aí sim vamos tocar de novo ao vivo, inclusive no Brasil. A gente realmente quer tocar por aí novamente. Espero que tudo isso passe logo, e vai passar.”

Redação e edição: Cristiano Ruiz e Fabio Reis

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