Entenda a dor que fez Dave Mustaine decidir encerrar o Megadeth

O guitarrista e vocalista Dave Mustaine falou com franqueza ao MariskalRockTV sobre um problema severo nas mãos que pesou diretamente em sua decisão de encerrar a trajetória do Megadeth após o próximo álbum de estúdio e a turnê de despedida. Segundo o músico, a conversa sobre o fim não surgiu como um plano calculado, mas como um desabafo em meio a semanas difíceis de trabalho no estúdio, quando as dores se intensificaram e passaram a comprometer sua performance.
Durante a entrevista, Dave Mustaine explicou que o período de gravações foi especialmente desgastante. Além da pressão por prazos e da busca por um resultado à altura da história da banda, ele sentia as mãos doerem de forma constante. Em um desses momentos, comentou com sua equipe que não sabia por quanto tempo conseguiria continuar tocando naquele ritmo, sem jamais anunciar uma aposentadoria imediata.
O músico então detalhou o diagnóstico que afeta sua capacidade de tocar guitarra: a contratura de dupuytren. A condição provoca o enrijecimento progressivo dos dedos, fazendo com que eles se dobrem em direção à palma da mão. Somado a isso, Dave Mustaine revelou sofrer com artrite severa nas pontas dos dedos, o que torna cada execução ainda mais dolorosa e limitada.
A decisão amadurecida e o peso físico da carreira
Questionado sobre a possibilidade de cirurgia, Dave Mustaine deixou claro que prefere esperar o momento certo. Para ele, operar agora, enquanto ainda consegue tocar em alto nível, poderia trazer riscos desnecessários. Ao mesmo tempo, o músico enxerga a despedida como uma forma honesta de concluir a carreira sem deixar pendências com os fãs ao redor do mundo.
Além das mãos, Dave Mustaine convive com outros problemas físicos acumulados ao longo de décadas na estrada. O artista citou dores no pescoço, na coluna e no tronco, além de discos deslocados e cirurgias anteriores. Mesmo assim, reforçou que sempre prometeu a si mesmo que só continuaria enquanto pudesse entregar cem por cento em cada apresentação.
Fundado em 1983, o Megadeth se consolidou como um dos pilares do thrash metal, com álbuns marcantes como Peace sells… but who’s buying?, Rust in peace e Countdown to extinction. Ao longo de mais de quatro décadas, Dave Mustaine liderou a banda em turnês globais e construiu uma discografia influente, tornando-se uma referência absoluta no heavy metal.
Despedida sem arrependimentos e com gratidão aos fãs
Ao falar sobre o futuro, Dave Mustaine ressaltou que a turnê de despedida será extensa justamente para permitir um adeus digno. Embora o Megadeth seja uma banda americana, ele lembra que o grupo sempre teve uma relação global com o público. Por isso, o plano é visitar o máximo de lugares possível antes de encerrar esse ciclo. Depois disso, o músico não descarta seguir envolvido com música, mas garante que jamais tentará substituir a relação que construiu com sua “primeira paixão”.
Veja a declaração completa de Dave Mustaine:
“Não. Não, porque eu simplesmente mencionei isso. Eu não decidi. Estávamos trabalhando no estúdio, no próximo álbum do Megadeth, e tinham sido algumas semanas muito difíceis. Tentávamos concluir tudo, e obviamente era importante garantir que o disco ficasse certo. Tivemos vários prazos apertados, o que tornou tudo mais complicado. Minhas mãos estavam doendo muito. Então, um dia, eu disse à minha equipe: ‘Sabe, eu não sei por quanto tempo vou conseguir fazer isso’. Eu não disse: ‘Quero me aposentar agora’.
Você pode olhar bem aqui nesta mão. Tem uma linha saltando. Isso se chama contratura de dupuytren, e vai fazer meu dedo descer assim. Já começou, está meio repuxando. E, se você olhar as pontas dos meus dedos, elas estão severamente artríticas. Todos esses caroços tornam muito doloroso tocar.
Vou esperar para fazer cirurgia até estar pronto, porque se eu tentar agora, estando a 95%, e a cirurgia me fizer regredir, isso seria uma decisão ruim. Se eu esperar até minhas mãos realmente causarem um problema e tentar, e não funcionar, então eu já terei feito turnês em todos os lugares, me despedido de todo mundo e não deixarei nada inacabado.
Sempre disse que, quando chegasse ao ponto em que eu não conseguisse entregar cem por cento todas as noites, começaria a pensar em desacelerar. Não é que eu não consiga dar cem por cento, porque terminamos o disco e acho que fizemos um bom trabalho. Mas houve um período em que eu disse ao meu empresário: ‘Não sei por quanto tempo consigo fazer isso. Minhas mãos estão doendo muito’. Eu não quis iniciar todo esse processo. Foi uma conversa que acabou virando algo maior, envolvendo a banda, minha família e minhas orações.
Não vejo razão para continuar tocando quando não somos capazes de entregar cem por cento, a não ser que a pessoa precise financeiramente. Graças a Deus, tive sucesso, paguei minhas contas e cuidei de todos corretamente. Depois que eu pendurar a guitarra em relação às turnês, acredito que continuarei fazendo música de alguma forma, mas não do jeito que fiz com o Megadeth.”