Eloy Casagrande entra no assunto eleição 2026 e diz: “Família Bolsonaro, nunca mais”

O baterista Eloy Casagrande, atualmente no Slipknot e ex-Sepultura, decidiu entrar diretamente no debate eleitoral brasileiro nesta terça-feira, 13 de outubro. Em uma sequência de Stories no Instagram, o músico manifestou sua rejeição à família Bolsonaro às vésperas do segundo turno presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para 25 de outubro.

Eloy começou compartilhando um vídeo publicado pelo deputado federal eleito Jones Manoel, no qual aparecem declarações de Jair Bolsonaro feitas durante a pandemia de Covid-19. Entre os trechos recuperados estavam falas como “não sou coveiro” e momentos em que o então presidente tratava a doença em tom de deboche.

Na sequência, o baterista publicou um texto no qual afirmou não acreditar que, no cenário político atual, exista algum político completamente imune à corrupção. Para ele, entretanto, existem diferentes níveis de desonestidade e de desprezo pela coisa pública. A partir daí, explicou que sua escolha eleitoral passa por quem, em sua visão, demonstra respeito pela população e preserva princípios básicos de convivência.

Então veio a frase que rapidamente repercutiu:

“Família Bolsonaro, nunca mais.”

Da preferência eleitoral ao julgamento de caráter

Até aqui, Eloy fez aquilo que qualquer cidadão possui o direito de fazer: expressou publicamente uma preferência política. O ponto discutível aparece quando Casagrande afirmou que, para quem considera aquele comportamento aceitável, a discussão já teria ultrapassado o campo político.

“Estamos falando de caráter.”

E é ao transferir a divergência para o terreno do caráter, que Eloy não está somente explicando por que rejeita determinada candidatura. Ele estabelece também uma avaliação moral sobre quem pensa de maneira diferente.

Uma coisa é um músico dizer abertamente que votará em Lula, em Flávio Bolsonaro, em qualquer outro candidato ou até mesmo que anulará seu voto. Outra bastante diferente é sugerir que a interpretação política do eleitor pode revelar deficiência de caráter.

O Metal precisa dizer em quem seus fãs devem votar?

Artistas não perdem seus direitos políticos quando se tornam famosos. Eloy Casagrande pode votar em quem desejar, defender seu candidato, criticar políticos e utilizar suas redes pessoais como entender.

Da mesma forma, discordar de Eloy sobre uma eleição não transforma ninguém automaticamente em alguém sem caráter. Esse é justamente um dos grandes problemas do debate político contemporâneo: cada lado passa a acreditar que não está apenas fazendo uma escolha diferente, mas ocupando uma posição moralmente superior.

A discussão se torna ainda mais interessante dentro do Heavy Metal, gênero que historicamente sempre abrigou músicos com posições políticas completamente distintas. Existem artistas de esquerda, direita, libertários, conservadores, anarquistas e músicos que simplesmente preferem não transformar o palco em palanque.

Não há uma regra obrigando todos a seguirem um caminho, mas existe uma diferença entre expressar uma posição política e utilizar a própria visibilidade para sugerir que quem pensa diferente possui um problema de caráter. E foi justamente essa fronteira que Eloy Casagrande decidiu atravessar.

Segundo turno acontece em 25 de outubro

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. Os dois voltam às urnas em 25 de outubro, quando será escolhido o presidente da República para o próximo mandato.

Até lá, manifestações de artistas, atletas, influenciadores e outras personalidades devem se multiplicar. O eleitor, porém, continua tendo exatamente a mesma responsabilidade de sempre: avaliar candidatos por conta própria, em vez de terceirizar sua decisão para músicos, celebridades ou qualquer outra figura pública.

Foto: Reprodução / YouTube
Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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