Eloy Casagrande conclui gravação de bateria para novo álbum do Slipknot

Créditos: The Downbeat Podcast

Eloy Casagrande confirmou que terminou de gravar as baterias do próximo álbum de estúdio do Slipknot, em entrevista ao The Downbeat Podcast, apresentado por Craig Reynolds, baterista do Stray From The Path. Segundo o músico brasileiro, o trabalho com o instrumento foi concluído cerca de uma semana ou dez dias antes da conversa, e o disco dará sequência a “The End, So Far”, lançado em 2022.

Segundo Eloy, o processo de composição começou no fim de 2025, quando ele e o guitarrista Jim Root passaram a trocar riffs e ideias rítmicas.

“Sim, na verdade, acabei de terminar de gravar a bateria. Todas as baterias estão gravadas. Está tudo pronto. Terminei há uns dez dias ou uma semana.”

Créditos: The Downbeat Podcast

Composição nasceu de sessões coletivas

O baterista explicou que os primeiros encontros no estúdio envolveram também o percussionista Clown (M. Shawn Crahan). Durante semanas, os músicos improvisaram por horas, registrando os trechos que despertavam uma conexão entre eles para, posteriormente, transformá-los em canções.

“O processo começou comigo, Jim e Clown no estúdio, simplesmente improvisando. Tocávamos o dia inteiro, pelo menos três ou quatro horas por dia, gravávamos tudo o que conseguíamos e depois ouvíamos o que havíamos tocado juntos para tentar encontrar aqueles momentos especiais em que sentíamos uma conexão. Eu lançava algumas batidas, experimentava coisas diferentes, e Jim reagia ao que eu tocava — e vice-versa. Ele começava a tocar alguma coisa, e eu entrava, acompanhando-o.”

Craig Reynolds (à esquerda) e Eloy Casagrande (à direita); Créditos: The Downbeat Podcast

Nas sessões seguintes, o restante do núcleo da banda também participou, incluindo o guitarrista Mick Thomson, o baixista Alessandro Venturella, conhecido como VMan, e o multi-instrumentista Michael Pfaff. O produtor Matt Wallace, que trabalhou no single “Arsenal”, acompanhou as improvisações e ajudou o grupo a selecionar os melhores trechos. Segundo Eloy, Clown teve papel importante nesse processo, identificando ideias que poderiam se transformar em novas músicas.

“Arsenal” ganhou outra bateria durante os ensaios

Durante a entrevista, Eloy Casagrande explicou que “Arsenal” nasceu de uma composição enviada pelo vocalista Corey Taylor no início do ano, posteriormente complementada pelos riffs de Jim Root. Portanto, a faixa não surgiu das improvisações coletivas que deram origem a outras ideias para o álbum.

Inicialmente, o baterista tentou respeitar a demo apresentada por Corey, cujas partes de bateria eram bastante básicas. Entretanto, durante uma das sessões, Clown sugeriu mudanças para tornar o arranjo mais interessante.

“A primeira coisa que me veio à cabeça foi torná-la mais agressiva, mais hipnótica, trazendo aquela loucura do Slipknot.”

Créditos: The Downbeat Podcast

A gravação definitiva aconteceu depois de uma tarde inteira de improvisações com a banda. Eloy contou que registrou a música em uma única tomada completa, abordagem que também adotou em várias outras faixas do novo disco.

“É como tocar em um show — como executar uma música ao vivo. Queremos manter essa autenticidade. Não queremos fazer overdubs. Eu não queria fazer overdubs. Não quero gravar trechos adicionais para corrigir partes. Quero simplesmente tocar do começo ao fim.”

Eloy quer preservar as imperfeições humanas

O brasileiro também ressaltou que pretende manter uma execução natural no álbum, sem perseguir a perfeição técnica que caracteriza muitas produções atuais.

“As pessoas vão ouvir as novas músicas do próximo álbum e elas serão 100% reais. Hoje em dia, é muito fácil ouvir música perfeita, mas não é isso que estamos tentando alcançar. Queremos alcançar a realidade, ser honestos e verdadeiros com os fãs e com as pessoas que vão ouvir nossa música.”

“Não sou uma máquina. Não sou perfeito, e quero preservar essa realidade no álbum, porque hoje você vê crianças e adolescentes começando a tocar bateria e achando que aquilo que ouvem nos discos, especialmente de bandas novas de metal, corresponde à realidade. E não corresponde. Nunca corresponde.”

O músico explicou que tocou cada faixa diversas vezes, geralmente entre cinco e sete tentativas, para escolher a versão que considerava melhor. Em alguns casos, combinou partes de tomadas diferentes, mas evitou correções pontuais durante a gravação. O novo trabalho será o primeiro álbum completo do Slipknot com Eloy Casagrande e chegará após “The End, So Far”, de agosto de 2022. Antes dele, a banda lançou “Arsenal” em setembro de 2026, primeiro material inédito desde “Bone Church”, single de 2023.

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