Eicca Toppinen, do Apocalyptica, defende “St. Anger” do Metallica: “Essas músicas são incríveis”

Lançado em 2003, “St. Anger” permanece como um dos discos mais controversos não apenas da história do Metallica, mas de todo o Metal. O álbum chegou em meio a um período turbulento na carreira da banda e rapidamente dividiu opiniões por conta de suas escolhas sonoras pouco convencionais. A produção crua, a caixa de bateria estalada de Lars Ulrich, as afinações baixas, a ausência completa de solos de guitarra e composições que frequentemente soam como um amontoado de ideias coladas sem muita preocupação com coesão transformaram o trabalho em alvo fácil para críticas pesadas.

Desde então, o registro virou o verdadeiro “patinho feio” da discografia do Metallica, que já possui outros títulos bastante debatidos entre os fãs, como “Load” e “Reload”. Embora algumas pessoas defendam o disco até hoje, trata-se de uma minoria quase irrelevante quando pensamos no universo de admiradores da banda — e menor ainda dentro do público de Metal em geral. Ainda assim, vez ou outra alguém resolve defender o indefensável. Desta vez, quem assumiu essa missão foi Eicca Toppinen, do Apocalyptica, que em entrevista ao programa Pipeman Radio afirmou considerar “St. Anger” um “grande álbum”. Talvez ele estivesse falando da duração do disco.

Eicca diz que aprendeu a gostar do álbum com o tempo

Segundo Eicca, ele teve contato com as músicas antes mesmo de ouvir o álbum completo, graças a uma aproximação entre o Apocalyptica e o Metallica durante a turnê europeia da banda norte-americana na época em que Robert Trujillo acabara de assumir o baixo.

“Acho que é um grande álbum. É um álbum realmente ótimo. Eu conheci as músicas antes de ouvir o álbum, porque quando o disco estava saindo, fizemos algumas coisas com o Metallica. Eles vieram para a Europa pela primeira vez com o [então novo baixista do Metallica] Rob [Robert Trujillo], e nós estávamos programados [para tocar no festival britânico] Download [Festival], na tenda. Era um horário do Apocalyptica. Mas o plano secreto era que, na verdade, seria o Metallica que tocaria lá, mas nós começaríamos e depois eles assumiriam…”

O músico revelou ainda que ouviu “Frantic” e “St. Anger” ao vivo diversas vezes antes do lançamento oficial do disco e ficou impressionado com a energia das faixas.

“Naquela época eu ouvi ‘Frantic’ e ‘St. Anger’ ao vivo muitas vezes. E eu fiquei tipo: ‘Nossa, essas músicas são incríveis.’”

Apesar disso, o integrante do Apocalyptica admitiu que o álbum foi difícil de absorver inicialmente. Entretanto, sua visão mudou anos depois, durante as gravações de “Apocalyptica Plays Metallica, Vol. 2”.

“Eu realmente ouvi muito ‘St. Anger’, porque eu sabia que havia algo ali, que havia algo no álbum ‘St. Anger’ que deveríamos gravar [para o nosso disco]. E, quando me acostumei com o som, pensei: ‘Porra, isso é incrível.’ É tão raivoso. É tão apaixonado. É tão honesto e verdadeiro.”

Produção “horrível” ou honestidade artística?

Além de elogiar as composições, Eicca também saiu em defesa da produção extremamente criticada do álbum. Para ele, justamente o caráter sujo e desconfortável do disco faz com que ele soe mais autêntico em comparação às produções modernas excessivamente polidas.

“Hoje eu sempre recomendo que as pessoas deem uma nova chance ao álbum depois de todo esse tempo, porque no cenário sonoro em que vivemos atualmente tudo é superpolido e higienicamente perfeito. ‘St. Anger’, na verdade, tem uma produção que soa refrescantemente foda.”

O músico ainda comparou o trabalho com a estética clássica do Black Metal norueguês, gênero conhecido por valorizar gravações propositalmente ásperas e primitivas.

Nem a crítica especializada perdoou “St. Anger”

A defesa apaixonada de Eicca Toppinen vai na contramão da percepção predominante sobre o álbum. Em 2023, a revista Rolling Stone incluiu “St. Anger” em sua lista dos “50 álbuns genuinamente horríveis feitos por artistas brilhantes”. A publicação classificou o disco como “profundamente decepcionante” e ironizou a famosa caixa de bateria de Lars Ulrich, comparando o som a alguém batendo em uma lata de tinta vazia durante o álbum inteiro.

Além disso, a revista criticou a falta de foco das músicas e afirmou que muitas composições parecem inacabadas. Nem mesmo o próprio Metallica parece muito confortável com o disco, já que poucas faixas do álbum aparecem nos shows da banda atualmente.

Ainda assim, tanto Lars Ulrich quanto o produtor Bob Rock continuam defendendo o projeto até hoje. O baterista já declarou que não possui qualquer arrependimento em relação ao álbum e afirmou que a banda queria justamente criar algo cru e desconfortável. Já Bob Rock revelou que nomes como Jimmy Page e Jack White elogiaram o trabalho pessoalmente.

“Você tem todo o direito de estar errado”

No fim das contas, “St. Anger” continua sendo aquele tipo de disco que dificilmente encontrará consenso. Para alguns, trata-se de um experimento corajoso e honesto. Para muitos outros, é apenas um desastre barulhento, mal produzido e sem direção.

Ok, Eicca, como dizemos em nosso programa no YouTube: “Você tem todo o direito de estar errado”.

E você? Qual é a sua avaliação sobre “St. Anger”? Deixe sua opinião no espaço reservado para os comentários.

A camiseta acima realmente existe e pode ser adquirida diretamente na loja do Mundo Metal clicando AQUI.

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
Deixe seu comentário