Don Dokken reacende esperança de novo EP do Dokken com formação clássica, mas impõe condição essencial

Em recente participação no The SDR Show, Don Dokken voltou a movimentar o universo do hard rock ao comentar a possibilidade de um novo EP do Dokken com material inédito gravado pela formação clássica. Em tom direto e reflexivo, o vocalista deixou claro que a ideia existe, mas depende de alinhamento artístico, maturidade pessoal e, principalmente, de respeito à identidade sonora que consagrou a banda nos anos de ouro.

Segundo Don Dokken, as conversas com o guitarrista George Lynch evoluíram de forma mais franca nos últimos tempos. Ele destacou que ambos chegaram a uma fase da vida em que não há mais espaço para disputas de ego ou conflitos judiciais do passado. Para Don, esse novo momento permitiu diálogos honestos sobre música, expectativas e limites criativos, algo que não era possível em outras épocas.

O cantor também reforçou sua visão particular sobre composição. Para ele, escrever músicas não segue fórmulas nem processos técnicos rígidos, mas nasce de inspiração, sentimento e timing. Don afirmou que respeita a individualidade criativa de George Lynch, porém ressaltou que os trabalhos recentes do guitarrista seguem outra direção. Artisticamente é muito diferente da essência do Dokken, o que exige cautela em qualquer colaboração futura.

Exigência sonora e lições de um passado turbulento

Ao abordar diretamente a ideia de um novo EP, Don Dokken foi categórico: o material precisa soar como o Dokken clássico. Ele explicou que os fãs não buscam experimentações ou caminhos distantes de álbuns icônicos como “Tooth and Nail” e “Under Lock and Key”. Dessa forma, qualquer lançamento novo teria de resgatar riffs, melodias e atmosferas que remetam à fase mais celebrada da banda.

Durante a entrevista, Don também relembrou a tentativa de retomada em 2016, quando a formação clássica gravou a música “It’s Another Day” e embarcou em uma turnê pelo Japão. Sem rodeios, o vocalista admitiu que a experiência foi um fracasso e assumiu total responsabilidade. Segundo ele, seu desempenho esteve abaixo do esperado, o que comprometeu o clima da turnê e encerrou prematuramente os planos de continuidade.

Apesar desse episódio negativo, Don afirmou que aprendeu com os erros. Hoje, mais consciente de suas limitações físicas e emocionais, ele enxerga um EP como um formato mais realista do que um álbum completo ou uma grande turnê mundial. A proposta permitiria foco criativo, menos pressão e maior controle artístico, algo fundamental nesta fase final de carreira.

Por fim, o vocalista revelou um detalhe curioso que simboliza essa reaproximação: ele e George Lynch agora moram no mesmo estado, no Novo México, o que facilitou encontros recentes e conversas presenciais. Embora nada esteja definido, Don Dokken deixou claro que a porta permanece aberta. Ainda assim, fez questão de reforçar que qualquer novo capítulo do Dokken só fará sentido se respeitar o legado da banda e entregar exatamente aquilo que o público espera ouvir.

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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