Do pior ao melhor — Scorpions: ranqueamos os 19 álbuns de estúdio da banda

Poucas bandas de Hard Rock conseguiram atravessar tantas transformações quanto o Scorpions. Fundado por Rudolf Schenker em Hannover, na Alemanha, o grupo passou pelo experimentalismo psicodélico dos primeiros anos, encontrou uma identidade própria ao lado de Uli Jon Roth, conquistou definitivamente o mercado internacional na virada para os anos 1980 e, a partir daí, acumulou clássicos que ajudaram a transformar os alemães em uma das maiores bandas de Rock surgidas na Europa continental.

Ao longo dessa trajetória, o Scorpions encarou mudanças de formação, crises internas, alterações profundas no mercado musical e até momentos em que seu futuro esteve seriamente ameaçado. Em contrapartida, vendeu dezenas de milhões de discos e conquistou os Estados Unidos. Além disso, transformou músicas como “Rock You Like a Hurricane”, “Still Loving You”, “No One Like You” e “Wind of Change” em sucessos mundiais. O grupo permanece em atividade por mais de cinco décadas e hoje é uma das bandas mais longevas da história.

No último dia 23 de julho, o canal do Mundo Metal no YouTube recebeu uma edição especial do programa Do Pior ao Melhor — Classic Rock, dedicada integralmente à discografia do Scorpions. Conduzida pelos apresentadores Fabio Reis, Daniel Dante e Marcelo Araújo, a transmissão apresentou este mesmo ranking de forma comentada. Assim, a abordagem passou álbum por álbum e debateu as diferentes fases da carreira da banda.

A proposta do programa foi justamente colocar em perspectiva uma trajetória marcada por transformações profundas de formação, sonoridade e alcance comercial. Veja o ranking abaixo e caso goste de um bate papo descontraído, assista ao programa completo:

19 — Lonesome Crow (1972)

O primeiro álbum do Scorpions parece pertencer a outra banda quando comparado ao som que posteriormente tornou o grupo famoso. Gravado em outubro de 1971 durante aproximadamente uma semana e produzido pelo respeitado Conny Plank, Lonesome Crow investe em Rock Psicodélico. São diversas improvisações, estruturas progressivas, bem como longas passagens instrumentais. Além de Klaus Meine e Rudolf Schenker, a formação contava com Michael Schenker na guitarra, Lothar Heimberg no baixo e Wolfgang Dziony na bateria.

Ainda distante do Hard Rock direto que surgiria alguns anos depois, o disco tem como destaque “In Search of the Peace of Mind“. Pouco depois, Michael Schenker acabaria seguindo para o UFO, e o Scorpions precisaria praticamente reorganizar sua formação. Comercialmente, Lonesome Crow passou longe dos números que a banda alcançaria posteriormente, mas ganhou importância histórica com o passar das décadas. Em 2026, inclusive, o álbum recebeu uma nova mixagem feita a partir das fitas originais, dentro das comemorações pelos 60 anos de carreira do grupo.

18 — Eye II Eye (1999)

Se Lonesome Crow está distante da identidade clássica porque ainda não haviam encontrado sua direção, Eye II Eye faz o caminho oposto. São músicos veteranos tentando deliberadamente escapar daquilo que os consagrou. Lançado em 9 de março de 1999 e produzido por Peter Wolf, o álbum incorporou elementos de Pop, música eletrônica, programações e texturas contemporâneas, reduzindo consideravelmente o peso das guitarras. Era a formação com Klaus Meine, Rudolf Schenker, Matthias Jabs, Ralph Rieckermann e James Kottak, este último aparecendo pela primeira vez em um álbum de estúdio do grupo.

A proposta gerou algumas boas melodias, mas também um dos discos mais divisivos da história do Scorpions. “Mysterious”, “To Be No. 1”, “10 Light Years Away” e “A Moment in a Million Years” representam bem essa fase. Além disso, “Du Bist So Schmutzig” trouxe a curiosidade de ouvir a banda explorando sua língua natal. Apesar da resistência dos fãs mais tradicionais, “Mysterious” conseguiu algum espaço no mercado norte-americano, chegando ao 26º lugar da parada Mainstream Rock da Billboard.

17 — Pure Instinct (1996)

Depois de tentar acompanhar o endurecimento do Rock dos anos 1990 em Face the Heat, o Scorpions caminhou na direção oposta em Pure Instinct. Lançado em 1996, o álbum aumentou consideravelmente a presença das baladas e das composições de andamento moderado. A prioridade foi para as melodias, teclados e refrães acessíveis em detrimento das guitarras mais pesadas. A produção foi dividida entre nomes como Erwin Musper e Keith Olsen, enquanto a banda atravessava uma mudança importante na bateria após a saída de Herman Rarebell.

As principais músicas são “Wild Child”, “You and I”, “Does Anyone Know”, “When You Came into My Life” e “Where the River Flows”, sendo “You and I” o grande destaque comercial da fase. Outra curiosidade envolve novamente uma capa problemática: a arte original. Nela, integrantes da banda estavam dentro da jaula enquanto animais os observavam, mas a nudez presente na fotografia fez com que alguns mercados a rejeitassem. Pure Instinct também antecedeu a consolidação de James Kottak na formação responsável pelas turnês seguintes.

16 — Fly to the Rainbow (1974)

Dois anos separaram Lonesome Crow de Fly to the Rainbow, mas musicalmente a diferença é enorme. Lançado em 1º de novembro de 1974 e produzido pelo próprio Scorpions ao lado de Frank Bornemann, o segundo álbum já apresenta Uli Jon Roth na guitarra, Francis Buchholz no baixo e Jürgen Rosenthal na bateria. O grupo continuava explorando psicodelia e estruturas extensas, porém riffs mais incisivos e melodias mais definidas. Isso começou a indicar o nascimento da identidade que seria aperfeiçoada nos discos seguintes.

A grande música do álbum é “Speedy’s Coming”, uma das primeiras faixas da discografia que realmente antecipa o Scorpions clássico. “Fly People Fly”, “They Need a Million” e a extensa “Fly to the Rainbow” completam um repertório bastante diverso. A presença de Uli Jon Roth, inclusive assumindo vocais em parte do material, criaria uma dinâmica peculiar. Enquanto Rudolf Schenker caminhava progressivamente em direção ao Hard Rock direto, Roth mantinha forte interesse por Jimi Hendrix, psicodelia e música experimental.

15 — Face the Heat (1993)

A chegada dos anos 1990 modificou radicalmente o ambiente no qual o Scorpions havia prosperado na década anterior. Para Face the Heat, lançado em 1993, o grupo chamou Bruce Fairbairn, produtor conhecido pelos trabalhos com Bon Jovi, Aerosmith e AC/DC, e buscou uma sonoridade mais pesada e menos brilhante. O álbum marcou ainda a estreia do baixista Ralph Rieckermann, substituindo Francis Buchholz, e a despedida de estúdio do baterista Herman Rarebell, integrante fundamental desde os anos 1970.

O resultado alterna momentos fortes como “Alien Nation” e “No Pain No Gain”, com o lado melódico da banda em “Under the Same Sun”. A primeira dessas baladas ganhou exposição adicional ao aparecer no filme On Deadly Ground, estrelado por Steven Seagal. É um Scorpions tentando compreender uma época dominada pelo Grunge e pelo Rock Alternativo sem abandonar completamente aquilo que construiu durante a década anterior.

14 — Return to Forever (2015)

Return to Forever nasceu de uma situação curiosa. Durante o período em que o Scorpions deveria estar encerrando a carreira, os músicos começaram a revisitar arquivos e ideias desenvolvidas principalmente nos anos 1980. Parte desse material foi retrabalhada ao lado dos produtores suecos Mikael Nord Andersson e Martin Hansen, enquanto novas composições também entraram no projeto. O resultado chegou ao mercado mundial em 20 de fevereiro de 2015, justamente no ano em que a banda celebrava cinco décadas de história.

Musicalmente, não há grandes surpresas: Return to Forever aposta deliberadamente na assinatura tradicional da banda. “Going Out with a Bang”, “Rock My Car”, “House of Cards”, “Eye of the Storm” e principalmente “We Built This House” recuperam riffs simples, grandes refrães e baladas melódicas. Foi também o último álbum de estúdio com James Kottak, que deixaria o grupo no ano seguinte. Seu substituto seria Mikkey Dee, recém-saído do Motörhead após a morte de Lemmy.

13 — In Trance (1975)

Com In Trance, o Scorpions finalmente começou a soar como o Scorpions. Lançado pela RCA em 1975, foi o primeiro disco produzido por Dieter Dierks, iniciando uma parceria que se estenderia por mais de uma década. Ela também seria fundamental para a ascensão internacional do grupo. A formação trazia Klaus Meine, Rudolf Schenker, Uli Jon Roth, Francis Buchholz e Rudy Lenners, enquanto o material reduzia os excessos psicodélicos dos dois primeiros trabalhos e colocava riffs, refrães e melodias cada vez mais no centro das composições.

A faixa-título tornou-se um clássico da primeira fase e continua sendo uma das melhores performances vocais de Klaus Meine naquele período. “Dark Lady”, “Top of the Bill”, “Robot Man”, “Life’s Like a River” e a instrumental “Night Lights” completam um repertório que evidencia a coexistência das duas principais forças criativas da época: o Hard Rock cada vez mais objetivo de Rudolf e o lado experimental e hendrixiano de Uli Jon Roth. Foi também nessa fase que a identidade visual clássica da banda começou a se estabelecer.

12 — Sting in the Tail (2010)

Depois da produção sofisticada e conceitual de Humanity: Hour I, o Scorpions decidiu simplificar as coisas. Produzido por Mikael Nord Andersson e Martin Hansen, Sting in the Tail chegou à Europa em 19 de março de 2010 e recuperou deliberadamente a linguagem dos anos 1980: riffs imediatos, refrães enormes, solos melódicos e baladas construídas para arenas. A formação mantinha Paweł Mąciwoda no baixo e James Kottak na bateria.

O grande contexto do álbum, porém, foi o anúncio de que ele representaria a despedida do grupo. A turnê Get Your Sting and Blackout World Tour, inicialmente planejada como a última excursão da carreira, acabou se estendendo de 2010 a 2014, e o sucesso levou os integrantes a desistirem da aposentadoria. “Raised on Rock”, “Sting in the Tail”, “Lorelei” e “The Best Is Yet to Come” estão entre os destaques, enquanto Tarja Turunen, ex-Nightwish, aparece como convidada em “The Good Die Young”.

11 — Unbreakable (2004)

Após a experiência eletrônica de Eye II Eye, seguida pelos projetos Moment of Glory e Acoustica, o Scorpions percebeu que precisava novamente soar como uma banda de Rock. Unbreakable, lançado em 4 de maio de 2004 e produzido por Erwin Musper, fez exatamente isso. As guitarras retornaram ao primeiro plano, os riffs ficaram mais pesados e faixas como “New Generation” e “Love ’Em or Leave ’Em” mostraram uma banda claramente interessada em recuperar a energia perdida no final da década anterior.

O álbum marcou ainda a entrada do baixista polonês Paweł Mąciwoda, que se tornaria o ocupante mais longevo da função na história moderna do grupo. Outros destaques incluem “Deep and Dark”, “Blood Too Hot”, “Through My Eyes” e “Remember the Good Times”. A turnê percorreu diferentes continentes entre 2004 e 2006 e gerou o registro Unbreakable World Tour 2004: One Night in Vienna. Isso reforçou o processo de reaproximação do Scorpions com seu público tradicional e gerou um resultado bastante positivo.

10 — Crazy World (1990)

Depois de uma longa relação com Dieter Dierks, o Scorpions decidiu trabalhar com Keith Olsen em Crazy World, lançado em 6 de novembro de 1990. Foi o primeiro disco em aproximadamente 15 anos sem Dierks na produção e também o último com Francis Buchholz no baixo. Gravado entre Los Angeles e os Países Baixos, o trabalho diminuiu algumas das características excessivamente polidas de Savage Amusement. Dessa forma, recupera o Hard Rock mais orgânico, representado por faixas como “Tease Me Please Me”, “Don’t Believe Her” e “Hit Between the Eyes”.

Nada disso, entretanto, consegue competir em importância com “Wind of Change”. Inspirada pela experiência de Klaus Meine em Moscou no fim da Guerra Fria, a música se transformou em um fenômeno internacional e atingiu o quarto lugar da Billboard Hot 100. O álbum alcançou a 21ª colocação da Billboard 200, enquanto “Send Me an Angel” chegou ao 44º lugar entre os singles norte-americanos. Mais do que um disco de sucesso, Crazy World transformou o Scorpions em trilha sonora das transformações políticas que encerraram a divisão da Europa.

9 — Virgin Killer (1976)

Em Virgin Killer, lançado em 1976, o processo iniciado em In Trance ganhou ainda mais força. O Hard Rock passou definitivamente para o primeiro plano, além das composições ficarem mais curtas e agressivas. Impossível não mencionar que a interação entre Rudolf Schenker e Uli Jon Roth atingiu outro patamar. “Pictured Life” abre o disco com uma energia que antecipa boa parte daquilo que o grupo desenvolveria posteriormente. Enquanto isso “Catch Your Train”, “Backstage Queen”, a faixa-título e “Yellow Raven” ajudam a tornar o quarto trabalho um dos momentos fundamentais da primeira fase.

O álbum foi o primeiro do Scorpions a conseguir atenção significativa fora da Europa, alcançando o 32º lugar no Japão — mercado importante para os alemães. Infelizmente, boa parte das discussões envolvendo Virgin Killer acabou sendo dominada por sua controversa capa original, posteriormente substituída em diversos países. Musicalmente, porém, o disco registra uma banda cada vez mais pesada e confiante, pouco antes da chegada de Herman Rarebell à bateria.

8 — Savage Amusement (1988)

Após o gigantesco ciclo de Love at First Sting e World Wide Live, o Scorpions levou quatro anos para voltar ao estúdio. Quando Savage Amusement finalmente apareceu, em 1988, o mercado havia mudado e a produção do Hard Rock estava cada vez mais grandiosa. Dieter Dierks encheu o álbum de reverberações, camadas de guitarra, efeitos e tratamentos de bateria, aproximando o grupo da estética tecnológica que dominava o final da década. Foi o último disco da banda produzido por ele, encerrando uma parceria iniciada em In Trance, 13 anos antes.

Mesmo excessivamente polido em alguns momentos, o álbum produziu excelentes músicas. “Don’t Stop at the Top”, “Rhythm of Love”, “Passion Rules the Game” e “Believe in Love” formam uma sequência representativa dessa fase. Comercialmente, o Scorpions ainda estava no auge nos Estados Unidos: Savage Amusement alcançou a quinta colocação da Billboard 200. A turnê teria também importância histórica por levar a banda à União Soviética, relação que culminaria no Moscow Music Peace Festival de 1989.

7 — Humanity: Hour I (2007)

Depois do retorno ao Hard Rock promovido por Unbreakable, o Scorpions decidiu novamente arriscar. Humanity: Hour I, lançado em maio de 2007 na Europa, foi produzido por Desmond Child e construído como um álbum conceitual. A história, desenvolvida com o futurista Liam Carl, imagina um futuro no qual a humanidade se encontra à beira da destruição em meio ao conflito entre seres humanos e máquinas. Musicalmente, isso se traduz em guitarras pesadas, arranjos cinematográficos, orquestrações e uma produção bastante moderna.

Entre os destaques aparecem “Hour I”, “The Game of Life”, “We Were Born to Fly”, “The Future Never Dies” e a excelente faixa-título. O álbum também trouxe participações incomuns para o universo do Scorpions: Billy Corgan, do The Smashing Pumpkins, canta em “The Cross”, enquanto músicos como John 5 participaram das sessões. O título sugeria a possibilidade de um futuro Humanity: Hour II, mas a continuação nunca foi desenvolvida.

6 — Rock Believer (2022)

Separado de Return to Forever por sete anos, Rock Believer nasceu em circunstâncias completamente diferentes. A pandemia interrompeu os planos iniciais do grupo e acabou fazendo com que os integrantes passassem mais tempo trabalhando juntos no Peppermint Park Studios, em Hannover. Com Mikkey Dee finalmente estreando em um álbum de estúdio do Scorpions, a banda buscou deliberadamente uma maneira mais orgânica de gravar, tentando reproduzir a sensação de cinco músicos tocando juntos que caracterizava seus trabalhos clássicos.

Essa intenção aparece imediatamente em “Gas in the Tank” e continua em “Peacemaker”, “Rock Believer”, “Seventh Sun” e “Shining of Your Soul”. O álbum conseguiu ainda bons resultados comerciais para uma banda com mais de meio século de história: estreou em quarto lugar na parada norte-americana de vendas de álbuns, com aproximadamente 12 mil cópias comercializadas na primeira semana, enquanto no Reino Unido alcançou a segunda colocação entre os discos de Rock e Metal.

5 — Taken by Force (1977)

A estreia de Herman Rarebell na bateria trouxe um impacto imediato ao Scorpions. Lançado em 4 de dezembro de 1977 e novamente produzido por Dieter Dierks, Taken by Force apresenta uma banda mais pesada e próxima do Heavy Metal que começava a tomar forma na Europa. “Steamrock Fever”, “He’s a Woman — She’s a Man” e principalmente “The Sails of Charon” mostram essa evolução, enquanto “We’ll Burn the Sky” revela a capacidade do grupo de equilibrar peso, dramaticidade e melodias.

O trabalho marcou também o fim da extraordinária passagem de Uli Jon Roth. Suas ambições musicais já se distanciavam da direção mais direta pretendida por Rudolf Schenker e Klaus Meine, e o guitarrista anunciou a saída após a turnê. Seus últimos shows com a banda aconteceram no Japão, em abril de 1978, e deram origem ao lendário ao vivo Tokyo Tapes. Pouco depois, o grupo iniciaria a procura pelo músico que completaria definitivamente sua formação clássica.

4 — Animal Magnetism (1980)

Se Lovedrive apresentou a nova formação ao mundo, Animal Magnetism mostrou que ela estava definitivamente consolidada. Lançado em 1980 e produzido novamente por Dieter Dierks, o álbum traz Matthias Jabs já completamente estabelecido ao lado de Rudolf Schenker. O som ficou mais seco e pesado, com menos resquícios dos anos 1970 e maior proximidade do Hard Rock de arena que dominaria a primeira metade da década seguinte. “Make It Real”, “Don’t Make No Promises”, “Hold Me Tight” e a sombria faixa-título mostram diferentes lados dessa transformação.

Mas é “The Zoo” que se tornou o grande clássico do álbum. Inspirada pela movimentação da 42nd Street de Nova York, a música se destaca pelo riff cadenciado e pelo uso de talk box por Matthias Jabs, tornando-se presença constante nos shows. Comercialmente, Animal Magnetism continuou ampliando a base norte-americana do grupo e recebeu certificação de ouro nos Estados Unidos em 1984, chegando posteriormente à platina em 1991. O Scorpions ainda não dominava as arenas americanas, mas estava cada vez mais perto.

3 — Lovedrive (1979)

Poucos discos representam uma transformação tão importante na história do Scorpions quanto Lovedrive. Depois da saída de Uli Jon Roth, a banda encontrou Matthias Jabs, mas a situação ganhou um ingrediente inesperado quando Michael Schenker deixou temporariamente o UFO e retornou ao grupo. O irmão de Rudolf participou de algumas gravações e chegou a voltar aos palcos com a banda, criando durante alguns meses uma situação instável entre ele e Jabs. No fim, Michael seguiu novamente seu caminho e Matthias recuperou definitivamente a posição que mantém desde então.

Musicalmente, o salto é enorme. “Loving You Sunday Morning”, “Another Piece of Meat”, “Coast to Coast”, “Is There Anybody There?”, a faixa-título e “Holiday” praticamente estabelecem o vocabulário que o Scorpions exploraria durante seus anos de maior sucesso. Era Hard Rock pesado o bastante para conquistar fãs de Metal, mas melódico, direto e acessível para atingir públicos muito maiores.

Os resultados mostraram que a transformação havia funcionado. Lovedrive tornou-se o primeiro álbum do Scorpions a entrar na Billboard 200, chegando ao 55º lugar, e também o primeiro a figurar na parada britânica, onde alcançou a 36ª posição. Nos Estados Unidos, acabaria certificado como disco de ouro. O grupo finalmente havia encontrado a formação e a sonoridade necessárias para disputar um mercado verdadeiramente internacional.

2 — Love at First Sting (1984)

Dois anos depois de Blackout, o Scorpions entrou em estúdio como uma das principais forças do Hard Rock mundial. Love at First Sting, lançado em março de 1984, foi produzido por Dieter Dierks e está entre os primeiros grandes discos do gênero registrados digitalmente. O objetivo era claro: combinar o peso adquirido nos trabalhos anteriores com uma produção gigantesca, refrães perfeitos para arenas e músicas suficientemente acessíveis para dominar rádio e MTV.

E praticamente tudo funcionou. “Bad Boys Running Wild” abre o disco, “Rock You Like a Hurricane” virou um dos riffs definitivos dos anos 1980, “Big City Nights” tornou-se outro hino de arena e “Still Loving You” mostrou novamente o talento de Klaus Meine para transformar baladas em fenômenos populares. A turnê subsequente levou o Scorpions ao auge de sua dimensão como atração ao vivo e forneceu material para World Wide Live, um dos álbuns ao vivo mais conhecidos daquela década.

Nos Estados Unidos, Love at First Sting alcançou a sexta colocação da Billboard 200 e posteriormente recebeu certificação de tripla platina. “Rock You Like a Hurricane” chegou ao 25º lugar da Billboard Hot 100, enquanto “Still Loving You” foi particularmente gigantesca na Europa, alcançando o terceiro posto na França e na Suíça. Era o momento em que o Scorpions deixava de ser apenas uma grande banda de Hard Rock para se transformar em um dos principais nomes do Rock mundial.

1 — Blackout (1982)

O melhor álbum da história do Scorpions quase não teve Klaus Meine. Durante sua preparação, o vocalista enfrentou sérios problemas nas cordas vocais, passou por procedimentos médicos e chegou a acreditar que jamais conseguiria cantar profissionalmente novamente. O futuro do grupo entrou em discussão e outros vocalistas chegaram a ajudar durante o período de recuperação. No entanto, Rudolf Schenker e os demais integrantes decidiram aguardar por Klaus. O cantor passou por um longo processo de recuperação e retornou justamente para realizar algumas das performances mais poderosas de sua carreira.

O resultado aparece desde os primeiros segundos. “Blackout” explode imediatamente, “Can’t Live Without You” apresenta o Scorpions em formato de arena, “No One Like You” equilibra peso e melodia com enorme eficiência, enquanto “Dynamite” está entre as músicas mais agressivas de toda a carreira. “China White” acrescenta uma atmosfera ameaçadora antes de “When the Smoke Is Going Down” encerrar o disco com uma das grandes baladas da banda. Não há excesso: são nove músicas em pouco mais de 36 minutos.

Blackout, lançado em 29 de março de 1982 e produzido por Dieter Dierks, atingiu o décimo lugar da Billboard 200 e colocou definitivamente o grupo entre as grandes atrações do mercado norte-americano. “No One Like You” tornou-se seu primeiro grande sucesso nas rádios de Rock dos Estados Unidos e abriu o caminho para aquilo que aconteceria dois anos depois com Love at First Sting. Mais do que um disco de transição para o auge comercial, Blackout encontrou exatamente o ponto de equilíbrio entre Heavy Metal, Hard Rock, melodias, agressividade e acessibilidade que definiu o melhor Scorpions.

A discografia do Scorpions em perspectiva

Colocar 19 álbuns em ordem inevitavelmente produz controvérsias. A própria história do Scorpions torna o exercício ainda mais complicado porque estamos falando praticamente de diferentes bandas dentro de uma mesma carreira: o grupo psicodélico de Lonesome Crow, a formação criativa e experimental com Uli Jon Roth, a máquina de Hard Rock construída com Matthias Jabs, o fenômeno comercial dos anos 1980, as tentativas de adaptação durante os anos 1990 e a recuperação de sua identidade a partir dos anos 2000.

No nosso ranking, Blackout leva a primeira posição justamente por condensar melhor todas as características que fizeram do Scorpions uma instituição do Rock: peso, guitarras memoráveis, melodias instantâneas, grandes refrães e uma performance extraordinária de Klaus Meine. Mas, com uma discografia dessa dimensão, certamente haverá quem escolha Lovedrive, Love at First Sting, algum trabalho da era Uli Jon Roth ou até um disco mais recente.

E para você: qual é o melhor álbum da história do Scorpions?

Responda nos comentários e aproveite a nossa playlist especial com uma retrospectiva de toda a carreira da banda:

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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