Do pior ao melhor: Mercyful Fate

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A sessão “do pior ao melhor” foi criada há alguns anos com o objetivo de ranquear os álbuns de determinadas bandas. Esta análise é feita listando os trabalhos do menos expressivo ao mais significativo. Os critérios usados neste quadro são diversos, como aceitação crítica dos registros, importância para a época, nível técnico em comparação a outros discos da banda e, obviamente, o fator diversão, entre outros.

Note que não estamos impondo certezas ou leis, esta é apenas uma análise feita por um criador de conteúdo do site para estabelecer a ordem em que os álbuns são posicionados neste ranking, baseando-se nas informações acima descritas. Se o seu álbum favorito estiver em uma posição abaixo do que você esperava ou se aquele disco que você não gosta estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata.

Neste episódio, teremos os dinamarqueses do Mercyful Fate!

Reprodução

Uma breve apresentação:

Em 1980, existiu uma banda chamada Brats e ali estava todo o embrião do que viria a ser o Mercyful Fate. O Brats contava com King Diamond nos vocais, Timi Hansen no baixo e a dupla Hank Shermann e Michael Denner nas guitarras. Após um breve período juntos, o grupo se dissolveu e, enquanto King Diamond e Hank Shermann desenvolviam um novo projeto, Timi Hansen e Michael Denner formaram o Danger Zone. Timi pediu a ajuda de King para a gravação de uma demo tape e logo os quatro músicos estavam juntos novamente. Com a adição do baterista Kim Ruzz, o Mercyful Fate ganhou vida e partiu para a gravação de duas demos que ficaram bastante conhecidas. Principalmente, a segunda, que já contava com as faixas “Curse of The Pharaohs”, “Return of the Vampire”, “A Corpse Without Soul” e “Burning lhe Cross”.

O quinteto ganhou notoriedade tanto pela sua musicalidade influenciada pelo movimento britânico NWOBHM, como pelas letras satãnicas, o corpse paint de King Diamond e os vocais marcantes com o uso dos famosos falsetes. Logo, gravaram o mini-LP homônimo e em 1983, apresentaram seu histórico disco de estréia, “Melissa”, pela Roadrunner. O segundo trabalho, “Don’t Break The Oath”, chegou em 1984 e, juntamente, com o debut, se tornou um dos grandes pilares para o surgimento do Black Metal anos mais tarde. Apesar da musicalidade da banda jamais ter debandado para o extremo, o teor das letras e o corpse paint de King foram inspirações, principalmente, para as bandas da Noruega que popularizaram e criaram os padrões musicais o Black Metal.

Reprodução

Depois de “Don’t Break The Oath”, o Mercyful Fate se separou e só retornou no início dos anos 90 com o imponente “In The Shadows”. O grupo seguiu lançando trabalhos até 1999, quando concebeu a sua última obra intitulada “9”. Depois disso, King Diamond ainda seguiu com sua banda solo e o Mercyful Fate entrou em um período de hiato indeterminado que terminou somente em 1 de agosto de 2019, quando King anunciou uma reunião com shows que aconteceriam em 2020, incluindo uma aparição no Wacken Open Air, onde prometeram inclusive tocar algumas músicas novas. Infelizmente, começou a pandemia e estes shows de retorno ainda não aconteceram, porém, em uma recente entrevista, King Diamond revelou estar compondo material para um novo trabalho de estúdio do Mercyful Fate após mais de 20 anos.

Senhoras e senhores, com vocês: Mercyful Fate – Do pior ao melhor!

7. Dead Again (1998)

Se existe um ranking onde a palavra ‘pior’ não deve ser usada para classificar o último colocado é neste. O Mercyful Fate sempre foi conhecido por sua linearidade nos lançamentos e não existe um álbum realmente fraco na discografia. Podemos afirmar que existem alguns que são mais inspirados e outros menos. Em “Dead Again”, King Diamond vinha de uma sequência grande de lançamentos alternados entre sua banda solo e o Mercyful Fate, o que obvimanente gerou algum tipo de cansaço nos músicos e fez com que o disco não soasse tão avassalador. “Dead Again” peca em alguns quesitos como a produção que de longe é a mais fraca da banda. O registro também soa um pouco longo (cerca de uma hora de duração) pelo fato de não ter aquelas faixas mais aceleradas e que dão um gás na audição. Mesmo assim, é preciso destacar composições como “The Lady Who Cries”, “Mandrake”, “Crossroads” e a fantástica canção título com seus mais de 13 minutos.

6. 9 (1999)

Se “Dead Again” acaba soando um pouco mais fraco por causa da produção e por não ter músicas aceleradas, ‘9’ resolve este problema sendo o disco mais pesado e veloz de toda a discografia. A produção também soa muito melhor principalmente com relação a voz de King. O álbum já começa frenético com “Last Rites”, acerta muito com “House On The Hill”, “Burn In Hell” e “Insane”, mas a cereja do bolo são as duas faixas finais, “Buried Alive” (a melhor do disco!) e “9” (macabra e cheia de climatizações). Grande disco de despedida.

5. Time (1994)

Talvez este disco não esteja melhor posicionado porque após a performance acima da média apresentada em “In The Shadows” no ano anterior, as expectativas para “Time” ficaram muito altas e o trabalho acabou frustrando um pouco os fãs. É ruim? Nem de longe! Mas seria muito difícil lançar algo melhor ou do mesmo nível do registro passado, e eles realmente não conseguiram repetir a dose. “Time” possui momentos espetaculares como em “Nightmare Be Thy Name”, “Witche’s Dance”, “The Mad Arab”, “My Demon” e “Castillo Del Mortes”, mas as comparações com “In The Shadows” atrapalharam um pouco o seu desempenho, ainda mais com a banda tendo apostado em composições sem o mesmo punch e criatividade.

4. Into The Unknown (1996)

Se as expectativas para “Time” eram altas e, por isso, o disco acabou não vingando como deveria, as expectativas para “Into The Unknown” eram baixas. E aí a coisa muda de figura, principalmente, quando estamos falando de uma banda com todas as qualidade do Mercyful Fate. “The Uninvited Guest” soa como uma voadora no peito e abre um trabalho muito diversificado musicalmente. “Fifteen Men (And A Bottle Of Rum)” é impagável, “Holy Water” é outra que chama a atenção com um refrão extremamente pegajoso, mas a maravilhosa faixa título “Into The Unknown” (cheia de passagens e mudanças rítmicas) aliada a “Kutulu (The Mad Arab Part II)” continuação da saga iniciada no disco anterior, fazem com que este trabalho soe como um olhar para o futuro sem abandonar as raízes.

3. In The Shadows (1993)

O que dizer de um dos melhores discos da década de 90? “In The Shadows” foi como um verdadeiro oasis no deserto para os fãs do Heavy Metal mais tradicional. O estilo se mostrava cada vez mais enfraquecido naqueles tempos e quase dez anos depois de seu disco anterior, King Diamond resolve ressuscitar o Mercyful Fate e o faz em grande estilo. “In The Shadows” é um compilado de canções fantásticas, criativas, técnicas e cheias de identidade. “Egypt”, “The Bell Witch”, “The Old Oak”, “Thirteen Invitations”, “Legend Of The Headless Rider”, “Is That You, Melissa”… somente músicas do mais alto quilate compõe “In The Shadows” e por este motivo ele fica com a nossa medalha de bronze.

2. Melissa (1983)

Podemos afirmar que a carreira da banda é nivelada por cima e que os discos dos anos 90 estão divididos em dois grupos, os ótimos e os muito bons, mas a sequência inicial dos anos 80 é fundamental não apenas para a própria carreira da banda, mas para a construção e o desenvolvimento do gênero de forma geral. É um outro patamar. “Melissa”, o disco de estréia lançado em 1983, é recheado de hinos do início ao fim e, aqui, isso tudo além de soar muito bem ainda tinha o fator “novidade” jogando a seu favor. Quase todas as faixas deste disco são clássicas, “Evil”, “Curse Of The Pharaohs”, “Black Funeral”, “Satan’s Fall” e a “balada” “Melissa”, serviram para colocar o Mercyful Fate no mapa e a ascenção meteórica da banda se deve ao trabalho primoroso aqui executado. Indispensável em qualquer coleção que se preze.

1. Don’t Break The Oath (1984)

Muitos consideram “Melissa” o grande ‘masterpiece’, mas ambos os discos são grandes clássicos e poderiam ocupar a primeira posição. Escolhi “Don’t Break The Oath” para ficar no lugar mais alto do pódio pois além dos hinos, possui uma produção melhor (aquelas guitarras motoserra são incomparáveis) e as composições são mais trabalhadas. Um disco que tem “Nightmare”, “Come To The Sabbath”, “A Dangerous Meeting”, “Gypsy”, “Desecration Of Souls” e “The Oath” (que possui a intro mais macabra de todo o Heavy Metal), não pode e não deve ser contestado. Se “Melissa” é indispensável, este aqui é itém obrigatório.

Obs: os EP’s “Mercyful Fate” e “The Beginning”, e a compilação “Return Of The Vampire”, não foram listados pois só consideramos full lenghts na construção deste tipo de ranking.

Reprodução

Se você gostou deste tipo de quadro, comente e nos diga quais as bandas que você gostaria de ver mencionadas aqui.

Redigido por Fabio Reis

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