Do Pior ao Melhor: Artillery

A sessão “Do Pior Ao Melhor” foi criada há alguns anos com o objetivo de ranquear os álbuns de determinadas bandas. Esta análise é feita listando os trabalhos do menos expressivo até o mais significativo. Os critérios usados neste quadro são diversos, como aceitação crítica dos registros, importância para a época, nível técnico em comparação a outros discos da banda, assim como o fator diversão, entre outros.

Note que não estamos impondo certezas ou leis. Dessa forma, esta é apenas uma análise feita por um redator do portal ou pela bancada de apresentadores do canal do Mundo Metal no Youtube para estabelecer a ordem em que os álbuns aparecem posicionados neste ranking.

Se o seu álbum favorito estiver em uma posição abaixo do que você esperava ou se aquele disco que você não gosta estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata.

Neste episódio, teremos uma das bandas mais substimadas do Thrash Metal e uma das mais importantes e influentes do Metal dinamarquês: Artillery!

No dia 4 de junho de 2026, o canal do Mundo Metal apresentou um programa especial focando em toda a carreira da banda. Apresentado por Fabio Reis e Daniel Dante, o Discografia Comentada #11 pode ser conferido na íntegra através do link abaixo:


Uma pequena introdução

Poucas bandas da história do Thrash Metal carregam uma trajetória tão curiosa quanto o Artillery. Formado em 1982 pelos irmãos Michael Stützer e Morten Stützer, o grupo dinamarquês ajudou a construir a cena europeia do estilo ao lado de nomes como Kreator, Sodom, Destruction e Tankard.

No entanto, diferentemente de seus contemporâneos alemães, os dinamarqueses nunca alcançaram o mesmo reconhecimento comercial. Apesar disso, lançaram alguns dos trabalhos mais sofisticados e tecnicamente impressionantes do gênero.

Ao longo de mais de quatro décadas, a banda passou por hiatos, mudanças de formação, trocas de vocalistas e até pela dolorosa perda de um de seus fundadores.

Ainda assim, o Artillery permaneceu fiel à sua identidade, equilibrando agressividade, melodias marcantes e um refinamento instrumental que o tornou referência para gerações de músicos. Nesta lista, vamos revisitar toda a discografia de estúdio da banda, bem como ranquear seus trabalhos do menos essencial ao mais indispensável.


10 – B.A.C.K. (1999)

Após encerrar as atividades em 1991, poucos imaginavam que o Artillery voltaria a lançar material inédito. O retorno aconteceu em 1999 com “B.A.C.K.”, lançado pela gravadora Die Hard Music. O álbum conta com 11 faixas distribuídas em aproximadamente 48 minutos e marcou o reencontro da banda com o vocalista Flemming Rønsdorf, voz dos três primeiros discos. Era o primeiro trabalho de estúdio em quase uma década e surgia em um cenário completamente diferente daquele que o grupo havia deixado no início dos anos 90.

A recepção foi positiva entre os fãs mais fiéis, principalmente pelo simples fato de a banda estar de volta. Entretanto, o disco não gerou o mesmo impacto dos clássicos da década de 1980. O Thrash Metal certamente vivia um momento de reconstrução após os anos dominados pelo Grunge e pelo Nu Metal, e muitos grupos tradicionais ainda buscavam encontrar seu espaço naquele novo contexto. Mesmo assim, a crítica especializada reconheceu a qualidade do material e elogiou o esforço da banda em evitar uma mera repetição do passado.

Musicalmente, “B.A.C.K.” apresenta uma sonoridade mais pesada e moderna, refletindo as tendências do final dos anos 90 sem abandonar totalmente as características tradicionais do Artillery. Faixas como “Cybermind”, “The Cure”, “Final Show” e a própria “B.A.C.K.” figuram entre os destaques. Apesar de ocupar a última posição desta lista, o álbum tem enorme importância histórica por representar a primeira ressurreição da banda após seu longo período de silêncio.

09 – The Face Of Fear (2018)

Lançado em 16 de novembro de 2018 pela Metal Blade Records, “The Face Of Fear” chegou como o oitavo álbum de estúdio do Artillery. O trabalho reúne 10 faixas em pouco mais de 46 minutos e consolidou a fase liderada pelo vocalista Michael Bastholm Dahl, que já havia participado dos dois discos anteriores. A banda atravessava um momento de estabilidade criativa e, assim, buscava manter a sequência consistente iniciada alguns anos antes.

A recepção foi bastante favorável entre os fãs da fase moderna. Embora poucos o considerem um dos grandes clássicos da discografia, o álbum foi elogiado por sua consistência e pela qualidade da execução instrumental. A crítica destacou principalmente o equilíbrio entre agressividade e melodia, algo que o Artillery sempre soube fazer melhor do que a maioria de seus contemporâneos. Durante esse período, a banda ainda contava com a presença de Morten Stützer, que faleceria menos de um ano após o lançamento.

O direcionamento musical mantém a fórmula consolidada na era Michael Bastholm Dahl: Thrash Metal técnico, pesado e melódico. Entre os destaques estão “The Face Of Fear”, “Crossroads To Conspiracy”, “New Rage” e a curiosa regravação de “Mind Of No Return”, composição originalmente criada ainda nos primeiros anos da banda. O disco não revoluciona a trajetória do Artillery, mas demonstra uma banda madura e plenamente consciente de suas qualidades.

08 – Legions (2013)

“Legions” foi lançado em 22 de novembro de 2013 pela Metal Blade Records e marcou uma nova mudança de rumo na história do Artillery. Com 11 faixas e cerca de 50 minutos de duração, o álbum apresentou oficialmente o vocalista Michael Bastholm Dahl, substituto de Søren Adamsen. Além disso, o trabalho surgiu pouco depois da saída do baterista fundador Carsten Nielsen, encerrando mais um importante capítulo da trajetória do grupo.

A recepção foi inicialmente cautelosa. Muitos fãs ainda estavam bastante ligados ao trabalho realizado por Søren nos dois discos anteriores e encararam a mudança com certa desconfiança. No entanto, bastaram algumas audições para que a qualidade do material falasse mais alto. A crítica especializada destacou a competência de Michael e elogiou a capacidade da banda de se reinventar sem perder sua identidade.

Em termos musicais, “Legions” apresenta um Artillery mais pesado e moderno. Os riffs continuam extremamente técnicos, mas os refrões ganham maior destaque, aproximando algumas faixas do Heavy Metal tradicional. Dessa forma, músicas como “Chill My Bones”, “Dies Irae”, “Legions” e “Wardrum Heartbeat” representam bem essa combinação. Não é um álbum revolucionário, mas funciona como um excelente recomeço para uma nova formação.

07 – X (2021)

Lançado em 7 de maio de 2021 pela Metal Blade Records, “X” carrega um peso emocional enorme dentro da discografia do Artillery. O décimo álbum de estúdio da banda possui 10 faixas e cerca de 46 minutos de duração. Mais importante do que seus números, porém, é o contexto de sua criação. Foi o primeiro trabalho completo após a morte de Morten Stützer, falecido em outubro de 2019 aos 57 anos.

A expectativa dos fãs era enorme. Muitos acreditavam que o falecimento de Morten poderia significar o encerramento definitivo da banda. Por isso, a simples existência de “X” já representava uma vitória. Sendo assim, a recepção foi positiva tanto por parte da crítica quanto dos admiradores do grupo, que enxergaram o álbum como uma demonstração de resistência.

Musicalmente, o disco segue a linha desenvolvida nos trabalhos anteriores, mas apresenta uma atmosfera mais agressiva e direta. Faixas como “The Devil’s Symphony”, “In Thrash We Trust”, “Turn Up The Rage” e “Force Of Indifference” mostram um Artillery determinado a seguir em frente. Talvez não alcance o nível dos melhores momentos da carreira da banda, mas seu valor histórico é inegável.

06 – My Blood (2011)

Lançado em 21 de março de 2011 pela Metal Mind Productions, “My Blood” foi o sexto álbum de estúdio do Artillery. Com 11 faixas e aproximadamente 51 minutos de duração, o trabalho surgiu em um momento particularmente importante para a banda. Depois do sucesso de “When Death Comes”, os dinamarqueses precisavam provar que o retorno não havia sido apenas um golpe de sorte.

A recepção foi bastante positiva. Embora a maioria dos fãs ainda prefira seu antecessor, “My Blood” consolidou a fase de Søren Adamsen e demonstrou que a banda havia recuperado sua relevância dentro da cena Thrash. A crítica elogiou especialmente a qualidade das composições e o equilíbrio entre técnica, peso e melodias marcantes.

Entre os destaques estão “Mi Sangre (The Blood Song)”, “Monster”, “Dark Days” e “Death Is An Illusion”. O álbum apresenta uma sonoridade mais acessível do que muitos trabalhos anteriores, sem abrir mão da complexidade instrumental que sempre caracterizou o Artillery. Curiosamente, seria também o último disco gravado tanto por Søren Adamsen quanto pelo baterista fundador Carsten Nielsen, encerrando mais uma importante fase da história da banda.

05 – Penalty By Perception (2016)

Lançado em 25 de março de 2016 pela Metal Blade Records, “Penalty By Perception” trouxe 10 faixas distribuídas em aproximadamente 53 minutos de duração. Naquele momento, o Artillery já havia superado a turbulência causada pela troca de vocalistas e começava a colher os frutos da estabilidade proporcionada pela formação liderada por Michael Bastholm Dahl. Era também o segundo álbum completo com o cantor, o que permitiu que a banda explorasse ainda mais suas características vocais e composicionais.

A recepção foi extremamente positiva. Muitos fãs consideram este o melhor disco da fase moderna e alguns chegam a colocá-lo entre os grandes trabalhos de toda a discografia. A crítica especializada elogiou a consistência do material, a qualidade dos riffs e a forma como a banda conseguiu soar contemporânea sem abandonar as raízes construídas nos anos 80. Em uma época em que muitos grupos clássicos de Thrash Metal viviam de nostalgia, o Artillery continuava produzindo material relevante.

Musicalmente, o álbum apresenta um equilíbrio quase perfeito entre agressividade, técnica e melodia. Faixas como “In Defiance Of Conformity”, “Live By The Scythe”, “Sin Of Innocence”, a faixa título, além da excelente “Welcome To The Mindfactory” figuram entre os melhores momentos da carreira recente da banda. Os irmãos Michael e Morten Stützer entregam alguns de seus riffs mais inspirados, enquanto Michael Bastholm Dahl realiza uma das performances mais fortes no grupo.

04 – Terror Squad (1987)

Lançado em setembro de 1987 pela lendária gravadora Neat Records, “Terror Squad” foi o segundo álbum de estúdio do Artillery. O disco conta com 9 faixas e aproximadamente 41 minutos de duração. Chegando apenas dois anos após o debut, o trabalho mostrou uma banda em rápida evolução, refinando a fórmula apresentada em “Fear Of Tomorrow” e elevando significativamente o nível técnico de suas composições.

Na época, a recepção foi bastante positiva dentro do underground europeu. Embora o Artillery ainda estivesse distante da popularidade alcançada por bandas como Kreator e Destruction, muitos jornalistas especializados começaram a enxergar os dinamarqueses como uma das maiores promessas do Thrash Metal continental. Com o passar dos anos, “Terror Squad” acabou ficando um pouco ofuscado pelo monumental “By Inheritance”, mas continua sendo tratado como um clássico pelos fãs mais antigos.

O direcionamento musical mostra uma banda muito mais confiante. Os riffs se tornaram mais elaborados, os solos mais sofisticados e as composições mais ambiciosas. Músicas como “The Challenge”, “Decapitation Of Deviants”, “In The Trash” e a faixa-título demonstram um grupo disposto a expandir os limites do Thrash Metal tradicional. Curiosamente, o álbum também ficou conhecido por sua capa extremamente controversa, frequentemente citada em listas das artes mais estranhas da história do Metal.

03 – When Death Comes (2009)

Após quase uma década de inatividade e uma série de mudanças de formação, o Artillery retornou em 2009 com um dos maiores acertos de sua carreira. Lançado em 16 de junho pela Metal Mind Productions, “When Death Comes” possui 11 faixas e cerca de 55 minutos de duração. O disco marcou a estreia do vocalista Søren Adamsen, que assumiu a difícil missão de substituir o lendário Flemming Rønsdorf.

A expectativa dos fãs era enorme e o resultado superou praticamente todas as previsões. Muitos esperavam apenas um retorno nostálgico, mas encontraram uma banda renovada, criativa e extremamente inspirada. A crítica especializada recebeu o álbum com entusiasmo, destacando a qualidade das composições e a impressionante capacidade do Artillery de soar moderno sem perder sua identidade clássica.

Musicalmente, “When Death Comes” representa um dos momentos mais inspirados da fase pós-retorno. Faixas como “10.000 Devils”, “Sandbox Philosophy”, “Delusions Of Grandeur” e a própria “When Death Comes” rapidamente se tornaram favoritas dos fãs. O álbum combina o virtuosismo característico dos irmãos Stützer com uma produção moderna e poderosa, estabelecendo um novo padrão para o restante da carreira da banda.

02 – Fear Of Tomorrow (1985)

O álbum de estreia do Artillery chegou às lojas em dezembro de 1985 através da Neat Records. Com 9 faixas e cerca de 39 minutos de duração, “Fear Of Tomorrow” apresentou ao mundo uma banda que já demonstrava características bastante particulares dentro do cenário Thrash Metal. Enquanto muitos grupos da época apostavam exclusivamente na velocidade e agressividade, os dinamarqueses incorporavam influências claras da New Wave Of British Heavy Metal, criando uma identidade própria desde o início.

Na época de seu lançamento, o disco recebeu atenção principalmente dentro do underground europeu. As vendas foram modestas, mas a qualidade do material chamou a atenção de músicos, fanzines e jornalistas especializados. Com o passar dos anos, o álbum conquistou status cult e passou a ser reconhecido como um dos registros mais importantes da primeira geração do Thrash Metal europeu.

Faixas como “Time Has Come”, “The Almighty”, “The Eternal War”, “Out Of The Sky” e a faixa-título já exibiam muitos dos elementos que definiriam a carreira da banda. O trabalho também marcou a estreia em estúdio do carismático vocalista Flemming Rønsdorf, cuja interpretação peculiar ajudou a diferenciar o Artillery de praticamente todos os seus contemporâneos. Mesmo não sendo tão refinado quanto os discos posteriores, o álbum permanece como um dos debuts mais importantes da história do Thrash Metal.

01 – By Inheritance (1990)

Lançado em abril de 1990 pela Roadrunner Records, “By Inheritance” representa o ápice artístico da carreira do Artillery e um dos maiores discos já produzidos pelo Thrash Metal mundial. O álbum possui 9 faixas e aproximadamente 38 minutos de duração. Produzido por Flemming Rasmussen, conhecido por seu trabalho com Metallica em “Ride The Lightning”, “Master Of Puppets” e “…And Justice For All”, o disco elevou todos os aspectos da música da banda a um nível extraordinário.

A recepção crítica foi excelente, mas infelizmente o contexto histórico trabalhou contra o Artillery. O álbum chegou justamente quando o Thrash Metal começava a enfrentar uma desaceleração comercial. Enquanto o Grunge se preparava para dominar a indústria musical, muitos trabalhos fundamentais do gênero acabaram recebendo menos atenção do que mereciam. Com o passar dos anos, porém, “By Inheritance” foi sendo redescoberto por sucessivas gerações de fãs e hoje aparece regularmente em listas dos melhores discos de Thrash Metal de todos os tempos.

Musicalmente, trata-se de uma verdadeira aula de composição. Os riffs dos irmãos Michael e Morten Stützer atingem aqui seu ponto máximo de criatividade, enquanto Flemming Rønsdorf entrega a melhor performance vocal de sua carreira. Clássicos como “Khomaniac”, “Beneath The Clay”, “Life In Bondage”, “Bombfood” e “Equal At First” transformaram o álbum em referência obrigatória para qualquer admirador do gênero. A viagem da banda à então União Soviética inspirou a clássica “7:00 From Tashkent”, adicionando ainda mais personalidade ao trabalho.

Mais de três décadas após seu lançamento, “By Inheritance” continua soando moderno, técnico e impressionante. É o disco que resume tudo o que tornou o Artillery uma banda especial: agressividade, melodias memoráveis, técnica refinada e uma capacidade rara de criar músicas complexas sem sacrificar o impacto. Se existe um álbum capaz de explicar sozinho por que tantos músicos reverenciam o Artillery, esse álbum é “By Inheritance”.


Conclusão

O Artillery jamais alcançou o sucesso comercial de gigantes como Metallica, Slayer, Megadeth, Kreator ou Testament, mas isso nunca impediu a banda de construir uma das discografias mais respeitadas do Thrash Metal. Entre clássicos absolutos, retornos improváveis e reinvenções bem-sucedidas, os dinamarqueses demonstraram uma consistência que poucos grupos do gênero conseguiram manter ao longo de mais de quarenta anos.

Se “By Inheritance” permanece como sua obra-prima indiscutível, a verdade é que a história do Artillery vai muito além de um único álbum. Trata-se de uma banda que sobreviveu a hiatos, mudanças de formação e tragédias pessoais sem perder sua essência. Talvez essa seja justamente a maior prova de sua grandeza.

Preparamos uma playlist com algumas as faixas mais importantes da carreira da banda e, certamente, esperamos que você ouça sem moderação!

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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