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Do pior ao melhor: Accept

A sessão “do pior ao melhor” foi criada há alguns anos atrás com o objetivo de ranquear os álbuns de determinadas bandas. Esta análise é feita listando os trabalhos do menos expressivo ao mais significativo. Os critérios usados neste quadro são diversos, como aceitação crítica dos registros, importância para a época, nível técnico em comparação a outros discos da banda e, obviamente, o fator diversão, entre outros. Note que não estamos impondo certezas ou leis, esta é apenas uma análise feita por um criador de conteúdo do site para estabelecer a ordem em que os álbuns são posicionados neste ranking baseando-se nas informações acima descritas. Se o seu álbum favorito estiver em uma posição abaixo do que você esperava ou se aquele disco que você acha uma porcaria estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata.

Para marcar o retorno do quadro, nada melhor que a banda da semana: Accept!

   

Uma breve apresentação:

Nossa história começa em 1968, quando o vocalista UDO Dirkschneider formou a Band X. Apesar de não ter gravado nenhum registro de estúdio, a tal banda X permaneceu em atividade por quase dez anos tocando na região de Solingen, Alemanha. Foi somente em 1976, que UDO resolveu reformular sua banda e estabeleceu uma nova formação que possuía Wolf Hoffmann e Gerhard Wahl nas guitarras, Peter Baltes no baixo e Frank Friedrich na bateria. Foi então que passaram a se chamar Accept.

Durante os primeiros anos, os alemães ainda eram bastante amadores e não possuíam uma estrutura adequada. Precisaram ir galgando degraus e, aos poucos, foram se posicionando na cena europeia. À partir do álbum “Restless And Wild” passaram a ser respeitados e, depois disso, foram lançando diversos trabalhos importantes. Como em quase toda banda, houve momentos de alta e também de baixa, onde acertaram bastante e erraram com a mesma intensidade. A banda terminou em 1997 por divergências musicais entre os integrantes, mas retornou em 2005 apenas para fazer alguns shows. Depois, em 2009, novamente voltaram a fazer alguns shows em festivais europeus, mas desta vez Wolf sentiu que seria o momento de trazer o Accept de volta a vida. UDO não quis participar de uma reunião definitica e Mark Tornillo assumiu o posto de vocalista. De lá para cá, lançaram 5 álbuns de estúdio de ótimo nível e são, atualmente, uma das melhores bandas veteranas em atividade.

Vamos ao que interessa. Com vocês, Accept. Do pior ao melhor!

16 – Predator (1996)

O último disco lançado antes do encerramento das atividades em 1997, “Predator” é confuso e transita entre sonoridades distintas. Não apresenta muita inspiração e possui pouquíssimos momentos realmente agradáveis. A década de 90 não foi muito prolífera no que diz respeito ao Heavy Metal tradicional e, ao invés disso, glorificou estilos alternativos passageiros. O Accept, nitidamente, se perdeu em meio as brigas internas e não soube se posicionar adequadamente em relação a sua musicalidade característica. Os alemães deixaram-se levar por modismos da época e o resultado é um disco cheio de grooves estranhos e faixas equivocadas. Bem abaixo das expectativas e ignorado pelos fãs, seu baixo desempenho acabou sendo um dos principais causadores da cisão definitiva entre os membros.

15 – Eat the Heat (1989)

Sabemos que “Eat The Heat” é bastante defendido por alguns fãs, mas a realidade é que este não é o Accept que conhecemos. UDO foi demitido e David Reece assumiu os vocais para gravar o disco. O grupo estava sendo pressionado pelas gravadoras e tentou se adaptar ao mercado norte americano. Para isso, deixaram sua sonoridade mais Hard, mais soft e muito mais amena. O resultado foi um fracasso estratosférico, já que nem o mercado dos EUA e nem a sua base de fãs comprou a idéia. Mesmo com algumas canções muito boas como “XTC” e “Generation Clash”, o álbum não agradou e a banda o renega fortemente até hoje. UDO foi chamado de volta correndo, mas o triste é que ao invés de um “Animal House” (o primeiro disco solo do baixinho que foi inteiramente composto pelos membros do Accept), tivemos um “Eat The Heat” na discografia da banda. Brincadeira hein!

14 – Accept (1979)

Como foi explicado na introdução, os primeiros anos do Accept foram marcados pelo amadorismo em todos os sentidos. O debut autointitulado não é ruim, porém, é muito distante de qualquer coisa que a banda gravou em seus dias de glória. A produção não é lá essas coisas, o disco não traz nenhum grande clássico e a musicalidade é meio genérica. Um lado positivo foi a performance de UDO que salva o disco em muitos momentos. Faixas de destaque: “Lady Lou”, “Street Fighter” e “Glad To Be Alone”.

13 – Death Row (1994)

Esse álbum tem basicamente os mesmos defeitos de “Predator”, ele soa deslocado na discografia, abusa dos grooves e foi feito em uma época conturbada e com muitas brigas internas. Mas então por que diabos ele se posiciona na frente? Simples, por que ele é mais inspirado e possui músicas melhores. É pesadíssimo, talvez o mais pesado da discografia e mescla esse peso com velocidade (em alguns momentos, muita velocidade!). Não é brilhante, não traz nenhum grande clássico, mas é um trabalho digno. Faixas como “Sodom & Gomorra”, “The Beast Inside”, “Bad Habits Die Hard” e “Like A Loaded Gun” não desapontam. Um fator que faz “Deathrow” não ser melhor avaliado é seu tempo de duração muito longo (1hr e 11min) e a exagerada marca de 15 faixas no tracklist, isto faz com que diversas composições medianas sejam intercaladas com outras de muito bom gosto.

12 – I’m a Rebel (1980)

O segundo trabalho dos alemães é basicamente uma repetição do que foi feito no debut, porém, com um apelo um pouco mais comercial. Aqui temos também uma música ovacionada e que se tornou clássica, é claro que falamos de “I’m A Rebel”. Tudo bem, esta é uma faixa composta pelo AC/DC, mas já que os australianos nunca a lançaram, o Accept levou os louros. “I’m A Rebel” marca a entrada do baterista Stefan Kaufmann na banda e possui duas canções cantadas pelo baixista Peter Baltes (“No Time To Lose” e “The King”). Foi após este álbum que a banda decidiu que deveria se profissionalizar e investir em uma estrutura melhor.

11 – The Rise Of Chaos (2017)

Quarto lançamento que traz o vocalista Mark Tornillo, “The Rise Of Chaos” levou alguns fãs a acusar a banda de estar se auto clonando e abusando da repetição de fórmulas. Nós discordamos absolutamente destas afirmações e, inclusive, colocamos faixas como “Die By The Sword”, “Koolaid” e “The Rise Of Chaos” como novos clássicos da banda. O álbum ainda traz outros destaques bastante interessantes e é o primeiro que conta com o guitarrista Uwe Lulis e com o baterista Christopher Williams, substituindo Herman Frank e Stefan Schwarzmann. Manteve o Accept em boa fase.

10 – Objection Overruled (1993)

Após o fiasco de “Eat The Heat”, todos ansiavam pelo retorno do Accept clássico e poderoso de outrora. “Objection Overruled” marca o retorno de UDO aos vocais e não decepciona. É, certamente, um dos discos mais subestimados da banda, já que apesar de ser excelente do início ao fim e trazer composições que remetem a fase clássica, ainda apresenta uma sonoridade mais visceral e composições mais porradas. Talvez pela distância de 7 anos entre ele o último disco com UDO nos vocais (“Russian Roulette”, de 1986), este registro tenha passado batido para alguns fãs, o que é uma total injustiça com seu conteúdo.

   

9 – Too Mean To Die (2021)

“Too Mean To Die” era muito esperado pelos fãs e também pelos detratores da banda que, desde o trabalho passado, estavam apenas aguardando um pequeno deslize para tecer suas críticas ferrenhas. A realidade é que nada disso se fundamentou já que o novo álbum do Accept, apesar das mudanças de formação, é extremamente conciso e traz mais uma performance de auto nível dos veteranos alemães. Além das faixas “Zombie Apocalypse”, “Too Mean To Die” e “The Undertaker”, com a musicalidade típica intacta, o álbum conta com algumas outras canções diferenciadas e que abrem um novo horizonte de possibilidades para Wolf e seus comparsas. Este trabalho tem tudo para galgar algumas posições nesta lista em um futuro próximo, ficou em nono pois é difícil rankear um disco recém lançado.

8 – Stalingrad: Brothers in Death (2012)

Após o sucesso estrondoso de “Blood Of The Nations”, a banda não perdeu tempo e, logo, tratou de gravar “Stalingrad”. Apesar de repetir a mesma fórmula do álbum anterior, conseguiram emplacar mais alguns “novos clássicos” com as poderosas “Stalingrad”, “Shadow Soldiers” e “Hellfire”. Este foi o disco que consolidou o retorno do Accept e calou de vez a boca dos que criticaram Wolf Hoffmann por ter seguido com a banda sem o vocalista UDO. Mark Tornillo apresenta uma performance estonteante e prova ao mundo de uma vez por todas que o Accept tem muitos anos ainda pela frente.

7 – Russian Roulette (1986)

Após uma sequência avassaladora de clássicos, o Accept ainda se manteve na vanguarda do Metal com o poderoso “Russian Roulette”. Suceder trabalhos da estirpe de “Restless And Wild”, “Balls To The Wall” e “Metal Heart” não é nada fácil, mas a banda conseguiu conceber mais um registro forte e capaz de causar impacto. Composições como “TV War”, “Monsterman” e “Aiming High” são algumas das favoritas dos fãs.

6 – Blind Rage (2014)

O terceiro álbum lançado após o retorno em 2010 foi um divisor de águas para o Accept. “Stalingrad” era muito parecido musicalmente com “Blood Of The Nations” e, “Blind Rage”, além de trazer um ar de novidade, ainda provou que o Accept não se limitaria a gravar o mesmo disco sempre. De todos os trabalhos mais atuais, este é o mais melódico e apresenta, mais uma vez, novos hinos. Faixas como “Stampede”, “Final Journey”, “Dying Breed”, “Fall Of The Empire” e “Dark Side Of My Heart”, conquistaram de imediato os exigentes fãs de Heavy Metal tradicional. Aqui é necessário fazer um adendo, já que não vejo quase nenhuma banda veterana lançando álbuns que contenham músicas tão bem aceitas e com potencial para se tornarem clássicas como o Accept. Por duas oportunidades pude vê-los ao vivo e as composições mais recentes são recebidas com o mesmo entusiasmo dos clássicos dos anos 80.

5 – Breaker (1981)

Foi à partir de “Breaker” que o Accept apareceu na cena europeia com destaque. Este foi o primeiro álbum realmente profissional que a banda gravou e, nele, a sonoridade original e característica da banda se fez presente pela primeira vez. O trabalho possui diversos hinos como “Starlight”, “Son Of A Bitch”, “Burning” e a canção título, mas todas as faixas são excepcionais. Depois de “Breaker”, nada foi como antes e os alemães passariam de coadjuvantes a protagonistas.

4 – Blood of the Nations (2010)

Quando o Accept decidiu que gravaria um novo álbum de estúdio sem a presença do carismática vocalista UDO, muitos pensaram que seria um erro de proporções homéricas. Mas acontece que Wolf e cia. não estavam para brincadeiras, encontraram um substituto à altura e compuseram músicas primorosas. Quando “Blood Of The Nations” foi lançado em 20 de agosto de 2010, foi como se uma bomba caísse bem em cima do cenário Metal. O disco, ao contrário do que muitos pensaram, era excepcional e surpreendeu até mesmo o mais pessimista dos fãs. “Pandemic”, “Teutonic Terror”, “No Shelter”, “Beat The Bastards” e a canção título fizeram a alegria dos headbangers, que receberam o recado dos alemães com entusiasmo: o Accept está de volta! E veio para ficar!

3 – Metal Heart (1985)

Terceiro lançamento da chamada trinca de ouro, “Metal Heart” é um autêntico clássico do Heavy Metal. Com sua musicalidade cativante, é o típico álbum que todo headbanger que se preze, ama. Simplesmente não dá para criticar faixas como “Midnight Mover”, “Screaming For A Love-Bite”, “Living For Tonite” ou “Up To The Limit”, isso sem mencionar o hino máximo “Metal Heart”, que contém um dos solos de guitarra mais emblemáticos da história.

2 – Balls to the Wall (1984)

Após quebrar tudo em “Restless And Wild”, o Accept se preparou muito bem para o próximo passo. E ele veio com o nome de “Balls To The Wall”. É difícil mensurar a grandeza deste registro, já que da primeira a última faixa, não tem nada que seja sequer mediano. O que dizer de um trabalho que tem em seu tracklist “London Leatherboys”, “Head Over Hells”, “Losers And Winners”, a belíssima balada “Winter Dreams” e o mega hit “Balls To The Wall”? Obrigatório!

1 – Restless and Wild (1982)

Nossa medalha de ouro não poderia ser para outro senão “Restless And Wild”. Após um ótimo trabalho que serviu para colocar o Accept no mapa, a banda precisaria mostrar a que veio, e eles fazem isso com louvor em “Restless And Wild”. “Fast As Shark” até hoje é uma canção impactante, imagine em 1982… pois é, os caras abrem o disco com essa voadora na porta e seguem quebrando tudo com a faixa título, “Ahead Of The Pack”, “Neon Nights”, “Flash Rockin Man” e a apoteótica “Princess Of The Dawn”. Pode se afirmar categoricamente que, em 1982, nada foi mais Metal que “Restless And Wild”. Lugar mais alto do pódio para ele!

Ouça Accept sem moderação!

Redigido por Fabio Reis

   
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