Diptera estreia com “Hominivorax” e expõe a força do Death Metal underground nacional

O cenário underground brasileiro não para de surpreender com novos nomes — e, desta vez, quem chama atenção é o Diptera. Formada na cidade de Leme, no interior de São Paulo, a banda chega com o EP de estreia Hominivorax, entregando um Death Metal old school extremamente bem executado, técnico e direto ao ponto. A produção ficou a cargo do baixista Daniel Bonfogo em parceria com o próprio grupo, com gravações e mixagem realizadas no Estúdio Bonfogo. A masterização foi assinada por Eduardo Kusdra, no Estúdio Arte Master, em Araras.
A arte de capa, desenvolvida por Toxic6 Art, já antecipa o impacto sonoro do material. Musicalmente, o EP mostra consistência do início ao fim: desde a abertura com Unwanted Ones até o encerramento com a excelente Trapdoor. O trabalho mantém uma identidade sólida, com composições bem estruturadas e um direcionamento claro.
Logo nos primeiros momentos, os guturais de Flávio Diniz evocam a essência mais crua do gênero, remetendo diretamente aos pilares do Death Metal. Sua abordagem vocal faz o ouvinte revisitar a importância de clássicos lançados no início dos anos 90 por nomes como Malevolent Creation e Morbid Angel. Ao mesmo tempo, a dupla de guitarras formada por Murilo “Mexicano” Januário e Carlos Eigenheer dispara riffs precisos, alternando entre passagens frenéticas e grooves muito bem encaixados, o que mantém a audição dinâmica e envolvente.

Cozinha afiada e identidade bem definida
Na base rítmica, a chamada “cozinha” também se destaca com naturalidade. Nazir “Neto” Soubihe, na bateria, e Daniel Bonfogo, no baixo, sustentam a sonoridade com firmeza, entregando linhas consistentes, concisas e funcionais. Essa combinação garante peso e corpo ao som final, permitindo que cada elemento encontre seu espaço sem perder a agressividade característica do estilo.
Por fim, vale destacar a trajetória do Diptera, que reúne músicos experientes com passagens por diversas bandas do cenário underground desde as décadas de 80, 90 e 2000. A banda iniciou em 2024 com a proposta de criar material autoral, explorando temáticas inspiradas na literatura brasileira de terror e em atrocidades históricas.
O nome Diptera, por sua vez, vem da ordem de insetos que inclui moscas e mosquitos — uma escolha que dialoga diretamente com a estética sombria e visceral do grupo. Dessa forma, com a chegada de Hominivorax, a banda dá um passo firme rumo a um futuro promissor. Fique de olho!