Dino Jelusick revela como projeto com ex-integrantes do Whitesnake terminou antes mesmo de começar

Créditos: Claudia Pospichal

O vocalista e multi-instrumentista croata Dino Jelusick relembrou, em entrevista a Igor Miranda, da Rolling Stone Brasil, os bastidores de sua breve passagem pelo Whitesnake. Além disso, explicou por que o projeto Whitesnake Experience, que reuniria antigos integrantes da banda, nunca chegou aos palcos. Segundo Dino, tudo terminou depois que os envolvidos receberam um e-mail bastante sério do advogado de David Coverdale, após a divulgação do projeto como uma possível continuação da banda.

A passagem de Dino pelo Whitesnake aconteceu durante a última turnê europeia do grupo, em 2022. Em sua entrevista, ele contou que a excursão foi marcada por diversos problemas, incluindo casos de Covid-19 entre os integrantes e sucessivos cancelamentos. Mesmo diante das dificuldades, o músico tentou encontrar soluções para manter os shows, mas a situação acabou levando Coverdale a interromper a agenda. Depois disso, Dino aproveitou outras oportunidades, incluindo apresentações com Johnny Depp, Joe Bonamassa e Zakk Wylde, além de uma participação emergencial no The Dead Daisies, antes de iniciar seu projeto solo Jelusick.

A tentativa de reunir antigos integrantes

O episódio mais curioso, porém, aconteceu em 2025. A ideia inicial era realizar apenas uma apresentação na Sérvia com Dino Jelusick, Joel Hoekstra, Marco Mendoza, Tommy Aldridge, Michele Luppi e outros músicos ligados ao Whitesnake. Segundo Dino, David Coverdale havia demonstrado interesse em trabalhar com ele novamente e chegou a conversar sobre possíveis músicas que os dois poderiam compor juntos.

Sobre a turbulenta turnê de 2022, Dino contou:

“Bem, aquela foi uma turnê muito estranha. Eu vi o Reb Beach, ele deu uma entrevista dizendo que a turnê de despedida foi um desastre. Sabe por quê? Porque o Reb Beach pegou Covid e testou positivo para Covid. Ele ficou positivo para Covid por 20 dias. Nunca vi nada parecido na minha vida. Então ele ficou afastado… Seu último show foi em Cracóvia… Então ele fez, tipo, talvez uns dez shows, e aí o David já queria cancelar. Estávamos em Praga, e lembro de conversarmos com o David. Eu disse: ‘Escuta, se o Joel [Hoekstra]…’ Porque o Joel é um tipo diferente de cara. Ele precisa aprender tudo. Eu sou mais o tipo de cara que, se você me pedir para tocar alguma coisa agora, vou começar a tocar. Se conheço a música, vou tocá-la. Vou encontrar um jeito. E eu disse ao Joel: ‘Escuta, isso pode funcionar. Posso ajudar. Posso tocar os riffs com você com a mão esquerda. Tenho um som legal. Vamos fazer funcionar. Só não vamos cancelar as coisas.’”

Inicialmente, a banda conseguiu dar continuidade à turnê. Porém, por pouco tempo.

Então conseguimos fazer Praga, e continuamos, continuamos. E então outro integrante da banda pegou Covid depois do Hellfest. Ficamos presos em Milão por uma semana. Em determinado momento, eu disse: ‘Sabe de uma coisa, pessoal? Se não vamos fazer shows, vou para casa.’ Peguei um ônibus com minhas coisas e dirigi por 12 horas de volta para casa, e disse: ‘Sabe de uma coisa? Só me avisem quando será o próximo show. Quer dizer, nada está acontecendo por uma semana.’ Esta é, na verdade, a primeira vez que conto essa história. Então cheguei em casa. E depois ele cancelou o show na minha cidade natal. As pessoas ficaram superdecepcionadas.

Créditos: Rolling Stone Brasil

Em meio aos tristes e inevitáveis cancelamentos do Whitesnake, Jelusick, todavia, recebeu outras oportunidades, as quais conseguiu aproveitar.

Então o Steel Panther estava abrindo para o Whitesnake, e o Steel Panther decidiu fazer um show como atração principal em um lugar menor, e me chamou como convidado. Então cantei e toquei keytar com o Steel Panther, me divertindo um pouco. E fui tocar em um festival de blues, e o Coverdale disse: ‘Vou cancelar o restante da turnê europeia’, o que abriu uma coisa nova para mim. Fui tocar em um show all-star com Johnny Depp, Joe Bonamassa e Zakk Wylde, que foi incrível. E então fiz aquela coisa do The Dead Daisies, porque o Glenn [Hughes] ficou doente. Foi no mesmo mês. Aprendi 14 músicas em um dia, e abrimos para o Judas Priest. E então o David cancelou a turnê norte-americana do Whitesnake, depois cancelou a turnê japonesa, a sul-americana e uma residência. Então estávamos contratados por dois anos, e eu pensei: ‘Ok, não estou fazendo nada além disso.’ De repente, tudo ficou vazio. Mas deu tudo certo porque comecei o Jelusick no início de 2023, do zero, porque acabei tendo um pequeno processo judicial, um grande processo judicial que tive com a Frontiers Music Srl. Depois que o David cancelou tudo, mantivemos contato, mas nunca conversamos sobre voltar a tocar ao vivo, e então ele simplesmente se aposentou. Falei com ele alguns dias atrás. Ele estava fazendo trilha, então… acho que está bem se consegue fazer trilha.”

“Sem a palavra de David, não faz sentido”

Dino também fez questão de destacar sua admiração pelo vocalista:

“Eu realmente gostei do meu tempo com o David. Ele é meu maior herói, e foi uma honra vê-lo me dando tanto carinho e respeito na banda. Foi incrível.”

Sobre a aposentadoria anunciada por David Coverdale em novembro de 2025, Dino acrescentou:

“O David me ligou em novembro, antes de se aposentar, e disse: ‘Escuta, quero te contar que vou me aposentar. Voltei e ouvi tudo o que fiz. Não tenho mais nada a dizer. Estou feliz com minha carreira.’ Poucos cantores fariam isso, porque sempre temos algo a dizer… Então estou muito feliz por ele estar feliz com isso e estar feliz simplesmente por aproveitar o tempo com a família.”

Já a história do Whitesnake Experience começou com uma proposta muito mais limitada. Dino explicou que o plano era fazer apenas um show e que Coverdale havia concordado com a participação:

“Então deveríamos fazer um show. O Coverdale estava feliz. O Tommy disse sim. Então as condições eram: se eu dissesse ‘sim’ e o Tommy dissesse ‘sim’, estava confirmado. Eles só precisavam de nós dois. Eu disse: ‘Se o Tommy estiver dentro, eu estou dentro.’ E o Tommy estava. E o Marco Mendoza estava, e o Michele Luppi estava, e o Joel estava. E, de repente, fizemos uma coletiva de imprensa em Belgrado… Ah, e meu guitarrista, Keller, faria isso, então ele e o Hoekstra juntos.

Entretanto, Mendoza interpretou equivocadamente a intenção inicial de Dino, que era realizar um show tributo ao Whitesnake, e não iniciar um novo projeto. Dessa forma, acabou sendo erroneamente divulgado na mídia.

“Então fomos a Belgrado para fazer a coletiva. E, enquanto fazemos a coletiva, eis que surge o Marco Mendoza, do nada, em Belgrado, na coletiva. E eu amo o Marco. Se ele estiver assistindo, eu amo o Marco. Mas ele é muito imprevisível. Ele falou: ‘É, cara, nada disso seria possível se não fosse pelo Dino, este novo projeto. Vai se chamar Whitesnake Experience.’ Eu sugeri que talvez devêssemos chamar este show de Whitesnake Experience, este único show. ‘Sim, este projeto, Whitesnake Experience.’ E eu fiquei tipo: ‘Do que ele está falando?’ De repente, a mídia diz: ‘Novo projeto. Whitesnake está seguindo em frente com Dino nos vocais.’”

Obviamente, a notícia chegou ao advogado de David Coverdale, que deu um ultimato ao grupo.

“E todos nós recebemos um e-mail bastante sério do advogado do David. E todo mundo recuou. E eu fiquei tipo: ‘Marco, o que aconteceu?’ E o Marco fez algumas coisas sem perguntar. E liguei para o David. Eu disse: ‘Escuta. Eu só queria fazer essas músicas porque ouvi que você estava de acordo com isso. Se você não quiser que eu faça o show, você sabe que eu respeito você.’ ‘Ah, não, irmão. Sei que não é culpa sua, mas o Marco fez isso, o Marco fez aquilo.’ Então, no fim, foi cancelado…”

Depois, a possibilidade voltou a aparecer quando Dino tocou com Marco Mendoza e Doug Aldrich na NAMM, em janeiro de 2026. Ainda assim, o cantor deixou claro que não pretende assumir a identidade da banda sem a autorização de seu fundador:

“E então vi o Marco. Toquei com o Marco e o Doug Aldrich na NAMM, em janeiro de 2026. Tocamos Whitesnake. E, novamente, isso abriu a caixa. ‘Meu Deus, isso é incrível. Eles deveriam reformar o Whitesnake.’ E o Marco falou: ‘Ei, irmão, eu sei que o que aconteceu foi errado, mas confie em mim, isso vai acontecer.’ E eu disse: ‘Marco, vamos lá, cara. Se o David não disser sim, se ele não cuidar disso, não faz sentido fazer. Afinal, não é minha banda.’ Então, sem a palavra do David, sem ele me dizer: ‘Ok, faça’, ou: ‘Quero que você faça’, não vou fazer, porque, afinal, não é minha banda.”

Dino, por fim, explicou de forma direta:

“Então essa é a história do Whitesnake Experience. Isso nunca aconteceu. Nunca existiu.”

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