Destruction: Schmier condena a IA e diz que ela rouba obras originais dos artistas

Marcel Schmier (Destruction)

O líder, baixista/vocalista do Destrucion, Schmier, demonstrou preocupação com relação à interação da IA na música. Segundo ele, há uma desvantagem para o compositor nesse aspecto. Afinal, o criador meio que perde o domínio sobre a sua criação, abrindo caminho para outros se apropriarem dela por inteiro ou em partes. O que é ainda pior.

Em entrevista ao Rock Talk, podcast comandado pela veterana jornalista sérvia Jadranka Janković Nešić, o baixista e vocalista Schmier explicou por que ele e seus companheiros continuam priorizando o lançamento de álbuns completos, mesmo em uma época em que muitos artistas do mainstream concentram seus esforços na divulgação de singles.

Segundo o músico, a identidade visual de um álbum continua desempenhando um papel fundamental.

“Também é importante que a capa combine com o estilo musical e com as letras. Hoje em dia, muitas bandas de Heavy Metal moderno criam capas que já não parecem representar o gênero. Eu ainda gosto de olhar para um álbum e pensar: ‘Isso deve ser Power Metal. Isso deve ser Thrash Metal. Isso deve ser Black Metal.’ A capa é a primeira forma de identificação de um disco e precisa transmitir tanto as letras quanto a atmosfera da obra. Para mim, isso continua sendo essencial.”

Na sequência, Jadranka observou que o Destruction sempre apresentou capas e videoclipes de alta qualidade. Schmier concordou imediatamente.

“Sim. Sempre trabalhamos com grandes artistas. Agora, porém, estamos entrando na era da inteligência artificial, e isso certamente vai mudar muita coisa. A IA já consegue criar boas capas para qualquer banda ou, pelo menos, produzir imagens com qualidade suficiente. Muitos grupos já utilizam inteligência artificial, assim como diversos artistas visuais. Mesmo assim, eu ainda prefiro apoiar artistas de verdade. No Destruction, continuamos trabalhando com um ilustrador que pinta cada detalhe e transforma nossas ideias exatamente da maneira como imaginamos. Ainda assim, acredito que esse cenário deverá mudar no futuro.”

Em seguida, a entrevistadora perguntou se ele consideraria utilizar inteligência artificial para compor novas músicas do Destruction. Schmier rejeitou sem hesitar.

“Não. A música criada por IA é basicamente roubada, porque tudo o que ela faz é usar músicas originais como fonte. Ela não remunera os artistas, apenas pega trechos das obras existentes, reorganiza esses elementos e cria algo novo. Isso é, essencialmente, um roubo, e os autores originais não recebem absolutamente nada por isso. Se alguém pedir para uma IA criar uma música do Destruction, ela certamente utilizará partes das nossas composições para gerar outra faixa sem nos pagar. Isso simplesmente não é correto.”

Na primavera deste ano, o Destruction excursionou pelos Estados Unidos como banda de apoio ao Testament na etapa norte-americana da turnê mundial “Thrash Of The Titans”, iniciada em março. Além disso, o Overkill também integrou o pacote de apresentações.

O 16º álbum de estúdio do Destruction, “Birth Of Malice”, chegou ao mercado em março de 2025 por meio da Napalm Records.

Atualmente, Schmier divide a formação da banda com os guitarristas Damir Eskić e Martin Furia, além do baterista Randy Black. A entrevista completa está logo abaixo.

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