Defacing God mergulha em conflitos internos e ocultismo em “Darkness Is My Crown”

O Defacing God lançou em 27 de março seu segundo álbum de estúdio, “Darkness Is My Crown”, trabalho que aprofunda a combinação entre Blackened Death Metal, Melodic Death Metal, elementos sinfônicos e atmosferas ocultistas apresentada pela banda dinamarquesa em sua estreia. O disco reúne dez faixas em pouco mais de 38 minutos e saiu pela Apostasy Records.

Formado em Aalborg, o grupo surgiu em 2015 e lançou seu primeiro full-length, “The Resurrection Of Lilith”, em 2022 pela Napalm Records. Quatro anos depois, a banda retorna com uma abordagem mais fria, agressiva e pessoal, segundo a própria vocalista Sandie Gjørtz.

Embora o imaginário sombrio e os elementos sinfônicos continuem presentes, desta vez as letras deixam parte das narrativas mitológicas do primeiro disco em segundo plano para abordar conflito interno, perda, transformação, luto e a maneira como experiências traumáticas podem alterar a identidade de alguém. A banda descreve o álbum como um confronto direto com a própria escuridão, em vez de uma tentativa de ignorá-la.

Um álbum nascido de um período difícil

Em entrevistas concedidas após o lançamento, Sandie explicou que “Darkness Is My Crown” nasceu de experiências bastante pessoais. Segundo a vocalista, sentimentos como raiva, tristeza, sobrevivência e transformação acabaram se tornando parte central do processo de composição.

Essa mudança também influenciou a sonoridade. Se “The Resurrection Of Lilith” levou vários anos para ser construído, o novo trabalho surgiu em um período bem menor. A banda eliminou excessos e manteve as orquestrações como suporte, sem permitir que os elementos sinfônicos escondessem as guitarras.

Sandie também destacou que o Defacing God começou com uma influência mais evidente do Melodic Death Metal sueco, mas passou a incorporar progressivamente elementos mais frios ligados ao Black Metal. Essa evolução aparece com clareza em “Darkness Is My Crown”, especialmente na produção das guitarras e nos contrastes entre melodias e passagens mais agressivas.

De “Nocturnal Vestige” a “The Last Revelation”

O álbum abre com “Nocturnal Vestige”, uma das faixas mais longas do repertório, e segue com “Malediction Manor”, “It Comes At Night” e “I See Shadows”, sequência que apresenta rapidamente a mistura entre riffs melódicos, vocais extremos e camadas atmosféricas.

Na segunda metade aparecem músicas como “There Is No Light”, “Your Presence Lingers Here” e “Transition”, antes do encerramento com “The Last Revelation”. Entre os destaques do disco estão justamente “Nocturnal Vestige”, “It Comes At Night”, “Your Presence Lingers Here” e “Transition”.

Confira a arte de capa e o tracklist de “Darkness Is My Crown”:

  1. Nocturnal Vestige
  2. Malediction Manor
  3. It Comes At Night
  4. I See Shadows
  5. Nefarious Enclave
  6. Hymns Of The Memoir
  7. There Is No Light
  8. Your Presence Lingers Here
  9. Transition
  10. The Last Revelation

Nova formação e produção de Tue Madsen

O disco também registra uma mudança importante nas guitarras. Jakob Batten, conhecido por seu trabalho com o Illdisposed, entrou para o Defacing God em 2024 após a saída de Signar Petersen e participa desta nova etapa ao lado de Christian Snapholt Nielsen, Rasmus “Kalke” Munch Nielsen e Sandie.

A mixagem e a masterização ficaram novamente ligadas a um nome experiente do Metal europeu: Tue Madsen, responsável pelo trabalho no Antfarm Studios e conhecido por produções com bandas como Heaven Shall Burn, Babymetal e Belphegor.

“Darkness Is My Crown” também ganhou edições físicas em CD, cassete e vinil, incluindo tiragens limitadas. A versão preta do LP foi produzida em apenas 100 cópias, enquanto a edição em fita ficou limitada a 50 unidades.

Para quem conheceu o Defacing God pela atmosfera mitológica de “The Resurrection Of Lilith”, o segundo disco mantém o caráter sombrio da banda, mas direciona a narrativa para conflitos muito mais pessoais. O resultado é um trabalho mais enxuto, frio e agressivo, sem abandonar as melodias e orquestrações que já faziam parte de sua identidade.

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Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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