Deep Purple olha além de “Splat!” e considera voltar ao estúdio em 2027

Enquanto os fãs aguardam a chegada de “Splat!”, novo álbum de estúdio do Deep Purple, a lendária banda britânica já demonstra que está longe de considerar uma aposentadoria. O disco será lançado em 3 de julho pela earMUSIC e, até o momento, apenas dois singles foram divulgados: “Arrogant Boy” e “Diablo”, este último contando com a participação especial do guitarrista Keith Urban. Mesmo em meio à intensa agenda de shows, os veteranos já começam a olhar para além do novo trabalho.
Em entrevista ao podcast Rockonteurs, o baterista Ian Paice revelou que os integrantes já discutem a possibilidade de gravar outro álbum em 2027. Segundo o músico, tudo depende da inspiração coletiva do grupo.
“Este ano [2026] é um ano pesado de turnês — são quase 100 shows ou algo assim — então o próximo ano não será igual. Você não consegue continuar fazendo isso dessa forma. Se você tem ideias, fazer um disco é fácil. Se você não tem ideias, fazer um disco é impossível. Então, se nos reunirmos e descobrirmos que temos algumas ideias das quais todos gostamos, não há razão para não fazermos outro álbum em algum momento do próximo ano.”
Como o Deep Purple cria suas músicas
Ao explicar o processo de composição da banda atualmente, Paice destacou que tudo começa de maneira bastante espontânea. Segundo ele, cada integrante costuma aparecer com pequenas ideias ou fragmentos musicais que surgiram de forma inesperada.
“Todo mundo chega com algumas noções básicas de algo que provavelmente surgiu no meio da noite e pensou: ‘Isso soa bem’. Uma pessoa começa alguma coisa. Se for interessante, os outros entram junto. Se não for interessante, acontece um silêncio mortal e alguém começa outra coisa.”
O baterista também descreveu a sensação de transformar uma sala vazia em um conjunto de novas músicas ao longo de um único dia de trabalho.
“O incrível desse processo é que você entra de manhã sem nada e sai depois de cinco ou seis horas com duas ou três coisas realmente boas. Isso é o que mantém o trabalho funcionando no dia seguinte. Mas você não tem três boas ideias todos os dias. Depois de dez dias, provavelmente tem muito mais material do que caberia em um álbum, e então precisa separar o que realmente vale a pena.”
Registrando tudo para não perder grandes ideias
Outro aspecto curioso revelado por Ian Paice envolve a forma como a banda registra as sessões de criação. De acordo com ele, absolutamente tudo é gravado.
“Você captura tudo. Porque às vezes você toca alguma coisa apenas uma vez durante uma jam e ela desaparece. Então você volta e pensa: ‘Havia algo bom ali cinco minutos atrás’. É um processo constante de tentativa e erro.”
O músico ainda destacou que o entusiasmo inicial costuma enganar os artistas.
“Quando você começa alguma coisa, tudo o que faz parece a melhor música já escrita porque você está empolgado. No dia seguinte você ouve e pensa: ‘Que porcaria’. Sempre foi assim. Nós nunca tivemos um único compositor responsável por tudo. As músicas surgem da influência dos cinco integrantes.”
Enquanto isso, “Splat!” segue cercado de expectativas. Segundo a própria equipe da banda, o álbum é o mais pesado do Deep Purple em muitos anos e marca a sexta colaboração consecutiva com o produtor Bob Ezrin, responsável por todos os discos do grupo desde “Now What?!” (2013).
Com uma turnê mundial que prevê 86 apresentações em 28 países, a agenda dos britânicos permanece intensa. Ainda assim, pelas palavras de Ian Paice, a criatividade continua fluindo — e isso significa que um sucessor para “Splat!” já pode estar no horizonte.