David Ellefson revisita “Risk” e relembra turbulências nos anos 90: “Muito do material do Nirvana é punk, e eu acho maneiro”

O ex-baixista David Ellefson voltou a falar sobre o período em que o Megadeth lançou o controverso álbum “Risk” (1999), apontado por muitos fãs como o ponto mais distante da identidade tradicional da banda. A entrevista aconteceu no “100 Songs That Define Heavy Metal”, o podcast apresentado pelo CEO da Metal Blade Records, Brian Slagel. Durante suas reflexões recentes, ele destacou que aquele momento representou um choque direto entre as expectativas do público e as mudanças impostas pela indústria musical da época.
Segundo ele, o grupo “jogou o jogo” para sobreviver ao impacto do grunge, mas acabou ultrapassando limites que distanciaram o quarteto de suas raízes no thrash metal. Ellefson explicou que, após vivenciar o domínio das bandas de Seattle na década de 90, o Megadeth tentou se adaptar ao novo ambiente. Isso já vinha sendo moldado e testado desde a chegada de “Cryptic Writings” (1997).
Na visão do baixista, aquele disco acertou a mão ao equilibrar evolução e autenticidade, mantendo a banda relevante no rádio e em grandes arenas. Entretanto, ao avançar para “Risk”, ele afirma que a banda “perdeu a direção” e acabou seguindo por um caminho mais leve. E interessante que enquanto o restante da cena caminhava para sonoridades mais agressivas. A fala completa pode ser conferida abaixo:
“Olha, nós jogamos o jogo. Porque é um jogo. Quando você está no showbiz, é um jogo. E então você joga o jogo. E, veja, parte disso é o seu próprio interesse. Você quer sobreviver ou não? Quer voltar pra estrada de novo, pagando sua hipoteca no ano que vem? Então precisamos jogar o jogo. Às vezes você acaba ficando um pouco preso às algemas douradas do contracheque. Como em qualquer negócio — é como qualquer pessoa indo trabalhar. Faça o que o chefe manda. Bem, às vezes o chefe na música não é ninguém da banda; o chefe é o público. Na verdade, eles sempre são o chefe, sendo bem honesto. Eles basicamente ditam o rumo da sua carreira.”
David continuou: “É interessante você mencionar Seattle. Eu entrevistei o [jornalista e autor] Greg Prato no meu podcast, e ele escreveu esse livro sobre o Megadeth, e ele também apontou que, como você disse, o grunge meio que matou o hair metal. Mas aqueles caras — todas aquelas bandas — eram fãs do que a gente fazia. Eles eram fãs de Slayer, Metallica, Megadeth. Eles não eram contra o que o thrash metal representava. Então eu sempre defendi o grunge, porque eu gostava de muita coisa dele. Muito do material do Nirvana é punk, e eu acho maneiro, cara.”
Baixista analisa escolhas da banda e o impacto do grunge na guinada criativa que levou ao disco mais divisivo de sua carreira
Ao comentar a pressão da época, David Ellefson ressaltou que o verdadeiro “chefe” no mundo da música é sempre o público. Por isso, em meio à ascensão de bandas como Nirvana, Korn, Alice in Chains e Stone Temple Pilots, o Megadeth percebeu que precisava se adaptar ou ficaria para trás. Ele recordou que, ao levar grupos mais novos para turnês, a banda notou de perto que uma nova geração estava prestes a dominar o rock. Isso foi algo que reforçou a necessidade de mudanças, ainda que nem todas tenham sido bem-recebidas.
Mesmo assim, Ellefson defende que a banda não foi derrotada pelo grunge, tampouco ameaçada por novas tendências. Para ele, o Megadeth e o Metallica seguiram prosperando justamente porque não tinham medo de experimentar e absorver influências externas. Embora reconheça que “Risk” exagerou nessa busca por novos horizontes, ele afirma que o processo fez parte do aprendizado da banda. Para David, ajudou a sua trajetória e serviu para chegar a percepção constante de que o público nunca deixam de ditar o rumo do rock.