David Ellefson explode ao falar de Dave Mustaine: “Sabe de uma coisa? Vai se foder. Simplesmente vai se foder.”

Nos últimos anos, as declarações de David Ellefson sobre Dave Mustaine e o Megadeth passaram a seguir um roteiro curioso — e cada vez mais contraditório. Em alguns momentos, o ex-baixista ataca com força, critica decisões da banda e expõe bastidores. Em outros, muda completamente o tom, elogia Mustaine, fala de fraternidade e até deixa aberta a porta para uma reconciliação.

Essa oscilação constante cria uma impressão difícil de ignorar. Desde que deixou o Megadeth em 2021, Ellefson parece alternar entre ressentimento e nostalgia, entre a provocação e o carinho. O resultado? Um discurso que muitas vezes soa confuso — e, para muitos fãs, quase infantil.

Curiosamente, o próprio músico reconhece que houve momentos genuínos de amizade com Mustaine. Em uma nova entrevista a Gustavo Olmedo, do “Quemar Un Patrullero”, ao relembrar sua volta à banda em 2010, ele afirmou: “Quando voltei ao Megadeth, Dave e eu estávamos muito próximos. Havia momentos em que éramos como irmãos, tomando café no Starbucks, apenas conversando. Aqueles momentos eram sinceros e verdadeiros.”

Entre memórias fraternas e ressentimento público

Apesar das lembranças afetuosas, o discurso rapidamente muda de direção quando Ellefson fala sobre os bastidores do álbum “The Sick, The Dying… And The Dead!”. O baixista afirma que percebeu um clima de rejeição por parte de Mustaine durante o processo de gravação.

Segundo ele, sua participação acabou sendo praticamente apagada do disco. “Dave não queria usar nenhuma das minhas músicas. Eu podia sentir que ele tinha ressentimento de mim.” O músico ainda revelou que escreveu uma balada para o álbum — com participação do então guitarrista Kiko Loureiro — que acabou ficando de fora.

As críticas ficam ainda mais diretas quando Ellefson comenta a música “Soldier On!”. Ele afirma que contribuiu com letras para a faixa, mas acabou removido dos créditos finais. “Ele pegou minha letra, tirou tudo e usou a música sem minha contribuição.”

E foi justamente aí que surgiu uma das comparações mais provocativas do baixista. Ellefson lembrou que, quando Mustaine foi demitido do Metallica, a banda manteve seus créditos musicais e pagou pelos direitos. Para ele, o mesmo respeito não aconteceu no Megadeth. Isto segundo Ellefson, que fique claro, porque o Metallica na verdade mudou a letra de The Mechanix e a transformou em The Four Horsemen. Parece que o baixista se esqueceu deste detalhe.

Provocações, críticas e um tom cada vez mais ácido

Em algumas entrevistas recentes, Ellefson também não economizou nas palavras ao comentar declarações públicas de Mustaine. Quando o líder do Megadeth sugeriu que o comportamento passado de um ex-integrante impediria reuniões com antigos membros, o baixista reagiu sem rodeios.

“Sabe de uma coisa? Vai se foder. Simplesmente vai se foder.”, disparou Ellefson, deixando claro que interpretou a fala como uma indireta direcionada a ele.

Mesmo assim, o discurso do músico segue cheio de reviravoltas. Em meio às críticas, ele também afirma que não guarda rancor. “Eu realmente não tenho amargura no meu coração em relação a Dave ou ao Megadeth.”

É aí que surge a pergunta inevitável: afinal, qual é a verdadeira posição de David Ellefson?

A contradição que intriga fãs do Megadeth

O padrão já ficou evidente para quem acompanha as entrevistas do baixista. Em um dia, ele critica decisões da banda, reclama de créditos musicais e expõe tensões com Mustaine. No outro, elogia a história do Megadeth, relembra momentos de irmandade e sugere que ainda existe respeito entre os dois.

A própria forma como ele comenta sua saída reforça essa dualidade. Ellefson diz que seu verdadeiro “adeus” ao Megadeth aconteceu ainda em 2018, após o ciclo do álbum “Dystopia”, que ele considera o último grande trabalho da banda.

“Sinto que toquei no último grande disco do Megadeth, que foi Dystopia”, afirmou o baixista, em mais uma declaração que mistura orgulho e crítica velada ao rumo atual do grupo.

Essa postura ambígua fica ainda mais evidente quando o músico analisa os trabalhos recentes da banda. Em outra ocasião, Ellefson chegou a dizer que o álbum atual responsável por alcançar o topo da Billboard não soa exatamente como Megadeth, mas sim como um disco solo de Dave Mustaine.

E é justamente aí que a história fica estranha. Afinal, se Ellefson realmente “seguiu em frente”, por que continua voltando ao mesmo assunto? Por que alternar entre elogios emocionados e ataques públicos ao líder da banda que ajudou a construir?

No fim das contas, a postura do ex-baixista deixa no ar uma pergunta inevitável entre os fãs de Heavy Metal: o que exatamente passa pela cabeça de David Ellefson quando o assunto é Dave Mustaine e o Megadeth? Porque, até agora, cada nova entrevista parece contar uma história diferente.

Abaixo as falas completas de David Ellefson:

“Quando voltei para o Megadeth em 2010, Dave e eu estávamos próximos — muito próximos mesmo. Eu estava ajudando ele com algumas coisas pessoais. Ele se tornou um bom amigo para mim naquele período. Então houve momentos de proximidade como homens, como irmãos. E eu percebi que essas oportunidades eram sempre as melhores quando estávamos apenas eu e o Dave, sem mais ninguém na sala. Não precisávamos estar ‘no palco’ performando para ninguém. Era só eu e ele sendo irmãos, no Starbucks, tomando café, seja lá o que fosse. E aqueles momentos eram genuínos, eram sinceros, vinham do coração.”

Sobre o álbum  “The Sick, The Dying… And The Dead!”, ele disse: “Dave não queria usar nenhuma das minhas músicas [para aquele disco]. Eu podia perceber que ele tinha ressentimento de mim. Ele não queria que eu estivesse naquele álbum. E eu finalmente escrevi uma música [que originalmente entraria no disco]. Era uma balada que eu guardei, porque pedi para o Kiko [Loureiro, então guitarrista do Megadeth] tocar guitarra nela. E era uma música muito boa — acho que extremamente boa, que tem lugar em algum lugar. Mas ela não entrou no álbum.”

Dave e eu até tivemos um momento muito próximo. Estávamos escrevendo a letra da música que virou ‘Soldier On!’. No fim, ele tirou minha letra dela e usou a música sem [minha contribuição na letra]… Ele escreveu a música — era a música dele — mas eu fui convidado para escrever a letra, e foi o que fiz. Então ele decidiu chamar a música de ‘Soldier On!’. Colaboramos a partir dali, mas eu digo o seguinte: quando Dave foi demitido do Metallica, pelo menos eles mantiveram as palavras e a música dele, pagaram e deram os créditos. Dave não foi tão gentil comigo. Ele me expulsou, tirou minhas performances do disco e tirou minhas letras e tudo mais do álbum. Então acho que tenho lugar nessa discussão quando falo sobre como o Metallica lidou com isso de forma correta e como, na minha opinião, as coisas foram tratadas de forma incorreta comigo. Porque eu vi; eu vivi isso.”

“Minha despedida do Megadeth na verdade foi em 2018. Aquela foi minha despedida. Aquela foi minha turnê de despedida. Eu sinto que toquei no último grande disco do Megadeth, que foi ‘Dystopia’. Dave anunciou do palco em Buenos Aires, em novembro de 2017: ‘Vamos voltar para casa e começar a trabalhar em um novo álbum.’ Então sinto que aquilo foi um bom encerramento para mim com o Megadeth, e é por isso que segui em frente e fiz tantas outras coisas. Não tenho amargura no coração. Quase sinto que fui libertado para não ter mais que lidar com aquilo. Enquanto Dave tinha amargura em relação ao Metallica, eu não tenho amargura em relação a Dave ou ao Megadeth. De verdade.”

Ellefson ainda se lembrou da sua demissão: “O pessoal do Megadeth me ligou para me demitir. E eu disse a eles: ‘Gente, não há nada aqui. Não há motivo para me mandar embora. Isso é apenas um monte de bobagem na internet. Só isso. Não é nada. E eu vou manter essa posição o tempo todo.’ E foi o que fiz.

Em algum momento você pode continuar indo atrás das pessoas na internet, dos trolls e de todo esse tipo de coisa. Isso não tem fim. Não existe polícia da internet, não existe departamento de recursos humanos da internet onde você possa ir e dizer: ‘Ei, esse cara disse isso’ ou ‘essa pessoa disse aquilo’, porque deveria existir, já que muitas dessas coisas são altamente difamatórias. Difamação é quando algo prejudica sua reputação, talvez até impeça você de conseguir mais trabalho. Essas são coisas reais. E o fato de isso acontecer na internet, que é meio que um lugar falso — nem é real — e ainda assim atravessar para a sua realidade… Eu tive sorte porque a base de fãs ficou ao meu lado. Eles disseram: ‘Cara, isso é besteira. Como ousam fazer isso com o Ellefson?’”

“A declaração que foi divulgada, que o Dave assinou pessoalmente, foi uma forma de desviar a atenção, para manter isso longe dele. E eu disse: ‘Não há nada do que se afastar. Não há nada aqui.’ Meu próprio time jurídico até disse: ‘Se você quiser ir para a internet e detonar esse cara, você tem nossa bênção.’ E estamos falando de um dos principais escritórios de advocacia de Phoenix, e eles disseram: ‘Nunca vimos algo tão inconcebível.’ No sentido jurídico da palavra — algo feito sem pensar, basicamente sem coração humano. ‘Você tem nossa bênção.’

Existe um versículo da Bíblia que diz: ‘Resista ao diabo e ele fugirá de você.’ Foi isso que eu fiz. Eu disse: ‘Posso me envolver nisso com esse cara de novo e posso brigar com ele como fiz no processo’, e eu tinha todo o direito de fazer isso. E o Dave não venceu aquele processo. Nós fizemos um acordo fora do tribunal. Foi mais uma situação em que tentaram me derrubar. E eu disse: ‘Não, resolvemos fora do tribunal.’ E acabei em uma posição muito melhor do que estaria se não tivesse passado por aquele processo, então fico feliz por ter enfrentado aquilo, por mais horrível que tenha sido.”

“Terminar como terminou, e então [Mustaine] ainda dizer recentemente: ‘Ah, por causa do que uma pessoa fez no passado, não posso trazer ninguém de volta.’ Sabe de uma coisa? Vai se foder. Simplesmente vai se foder. Quem é essa pessoa? Não fui eu, porque não fiz nada que me impedisse de voltar. Nada. Então esse tipo de discurso para tentar assumir uma espécie de superioridade moral… vamos lá, dá um tempo. Sério? E olha, eu tive rockstars muito maiores que o Dave vindo ao meu lado, me apoiando, dizendo: ‘Cara, me avise se precisar de alguma coisa. Isso é muito errado.’ O que aconteceu comigo foi errado, a forma como fui descartado. Pessoas dizendo: ‘Estou muito decepcionado que eles escolheram negócios em vez de irmandade.’ Porque, no fim das contas, a irmandade sempre dura mais do que o negócio de possuir uma banda de rock — especialmente algo que nós começamos e construímos juntos.”

“Então, com tudo isso dito, em um nível eu poderia ligar para um advogado, voltar com processos por difamação, e tenho todo o direito de fazer isso — pode acreditar. Mas, ao mesmo tempo, existem duas maneiras de vencer um cabo de guerra: ou eu puxo você para o meu lado da linha, ou simplesmente solto a corda e deixo você cair de cara no chão. [Risos] E foi isso que eu escolhi fazer — soltar a corda. Largar a pedra.”

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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1 comentário
  • rapaiz o david nao sabe oque quer uma hora critica e na outra elogia porem com pitada de critica velada ,bem duas-caras fala bem mas na outra hora fala mal meio bipolar ,ainda acho algums integrantes podem aparecer em shows pontuais dessa despedida como kiko,marty e ate chris poland ja vi entrevista ele nao guarda ressentimentos ao dave e a banda ,agora david acho é pouco provavel disso acontecer.

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